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Pela Janela | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa de Caroline Leone!

Pela Janela | Crítica

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Ano: 2017

Direção: Caroline Leone

Roteiro: Caroline Leone

Elenco: Magali Biff, Cacá Amaral, Mayara Constantino

Você já se perguntou o motivo de levantar da cama todos os dias, usar o transporte público, enfrentar diversas adversidades e ficar mais de oito horas trabalhando em algo que não gosta? Se esse perfil coincide com sua vida, certamente já lhe ocorreu pensamento semelhante. Como nos permitimos fazer parte de uma empresa durante quase metade de nossas vidas, para que, no fim, sejamos demitidos e substituídos por alguém mais jovem? O que faremos depois disso? Essa experiência de mais de 30 anos de trabalho nos ajudará a conseguir outro emprego? Provavelmente, não.

Esse é apenas o primeiro questionamento que Pela Janela traz logo no seu início, mostrando o cotidiano de Rosália (Magali Biff), uma senhora de mais de 60 anos de idade. A rotina nos é apresentada, mostrando a falta de vida contida em alguém que sempre faz a mesma coisa, não conseguindo ver muitos significados para aquilo. Essa sequência se encaixa na realidade da maioria dos brasileiros, sobrevivendo no dia a dia, gerando lucro para uma empresa que não dá a mínima para quem a serve.

Rosália é demitida após mais de 30 anos trabalhando no mesmo lugar, substituída por alguém mais jovem e com experiência em sua área. A notícia vem junto com a fusão de duas empresas. É evidenciado que não existe valorização ao profissional que está ali, dando o seu máximo. A escolha foi apenas uma visão de alguém que lucra muito com o trabalho dos subalternos e que quer ganhar ainda mais, fazendo o que acha certo. Após ficar desempregada, o mundo desaba na cabeça da protagonista, que não sabe o que fazer. Vendo a situação de sua irmã, José (Cacá Amaral) acaba convidando ela para seguir em uma viagem de carro para a Argentina. O homem não queria levá-la, mas não podia deixá-la sozinha naquele estado.

A partir daí, uma jornada de auto conhecimento começa lentamente, enquanto a protagonista começa a entender os anseios de sua vida, passando por diversos lugares, apreciando paisagens, conhecendo culturas. Os olhos se abrem, juntamente com sentimentos nunca antes conhecidos pela personagem. A atuação de Magali Biff é espetacular, mesmo que minimalista. As dores conseguem ser transpassadas sem diálogos, apenas com expressões tímidas que se modificam de acordo com cada acontecimento.

A direção de Caroline Leone consegue evidenciar ainda mais os sentimentos implícitos contidos dentro de um ser humano. Ela utiliza de planos longos quando aborda a rotina ou o desespero de determinado personagem. Quando a situação estabiliza, a câmera estática toma conta, junto com uma fotografia crua, passando veracidade e um sendo de realismo assustador. Em diversos momentos temos a impressão de que estamos assistindo a um documentário, por conta dos elementos utilizados na direção. Isso deixa tudo ainda mais gostoso de assistir, mostrando a vida de forma dura, como ela realmente é.

No desfecho do longa, recebemos a evolução de espírito, também de forma implícita, com poucos gestos que transpassam isso. Porém, fica nítido que resultados foram obtidos pela protagonistas, coisas simples que mudarão sua vida e sua percepção de mundo. A intenção é provocar o mesmo no espectador, fazendo com que questionamentos sobre a vida em geral sejam feitos. A crítica ao capitalismo e como deixamos os idosos de lado é importantíssima, mas a obra vai muito além disso.

Pela Janela aborda um tema já mostrado em A Juventude, mostrando a velhice na classe alta da sociedade e em Lucky, evidenciando o sofrimento de ver a vida passando em sua frente, na classe baixa dos Estados Unidos. Aqui, o foco é o trabalhador brasileiro, acostumado a viver sua vida em um sub emprego e se desesperar ao perder seu único sustento. Se trata de um retrato do cotidiano, modificado pela cultura, saída da zona de conforto e pela interação humana.

Nota do crítico:

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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