Bode na Sala
Críticas Filmes

Lou | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre a biografia da filósofa russa

Lou | Crítica

Lou (Lou Andreas-Salomé)

Ano: 2016

Direção: Cordula Kablitz-Post

Roteiro:  Cordula Kablitz-Post

Elenco: Katharina LorenzNicole HeestersLiv Lisa FriesHelena PieskeMerab NizidzeAlexander ScheerJulius FeldmeierPhilipp Hauß

A nós, brasileiros, soa estranho que uma figura extremamente desconhecida ganhe uma cinebiografia. A figura em questão é Lou Andreas-Salomé. Você pode estar se perguntando: Quem? Eu também fiz esta pergunta quando soube de Lou, mas me surpreendi ao assistir a este filme, pois Andreas-Salomé foi uma mulher com bastante influência em seu tempo, mas que, por motivos que desconheço, teve sua obra inexplorada (ou ignorada) por aqui.

Lou Andreas-Salomé foi uma filósofa, romancista, poeta e psicanalista russa nascida no século XIX, que passou a maior parte da sua vida na Alemanha. O filme começa com a Lou de 1933, aos 72 anos de idade (Nicole Heesters), ouvindo através do rádio um discurso de ódio de Adolf Hitler, que condenava toda a obra de escritores que pensavam diferente do Führer, como é o caso de Karl Marx, Lou e seu mestre Sigmund Freud (em uma cena, a câmera faz questão de evidenciar uma foto em chamas do pai da psicanálise). Em seguida, somos apresentados a Ernst Pfeiffer (Matthias Lier), que é quem irá escrever sua biografia.

Não dá pra colocar Lou como um filme que usa e abusa dos flashbacks para contar uma história. O caso aqui é de um roteiro não-linear, com enredos separados cujo elo é a filósofa homenageada. O longa utilizou quatro atrizes diferentes para dar vida a Andreas-Salomé e, à exceção da Lou com 8 anos (Helena Pieske), todas elas têm, pelo menos, uma trama que se conclui ao longo de suas quase 2 horas de duração.

Em sua vida, Lou foi uma mulher “rebelde”. Não concordava com a ideia de se casar, e foi muito criticada pela sociedade da época. Era uma mulher que ia à universidade – e existia apenas uma em toda a Europa que aceitava mulheres. Não exercia alguma religião e não fazia sexo. Ao longo do filme, vemos toda essa fase de Lou. Alguns de seus amigos foram nomes famosos como Paul Rée (Philipp Hauß) e Friedrich Nietzsche (Alexander Scheer). Os três formaram um grupo de estudos filosóficos que acabou sendo desfeito, já que ambos os homens se apaixonaram perdidamente pela mulher que Nietzsche considerava a ideal para ele.

A versão jovem de Lou é interpretada por Katharina Lorenz, e a atriz transita perfeitamente entre momentos enérgicos e dramáticos que a personagem viveu. Ela demonstra com maestria ser uma mulher apaixonada pelo intelecto e pela liberdade. Quando confrontada, vemos seu sarcasmo rebater; nesses momentos, a atriz escancara a beleza de seu sorriso e seu olhar, mostrando que é livre para fazer o que bem entender. O mesmo pode se dizer de Liv Lisa Fries, que interpreta a versão de 16 anos de Lou, só que com bem menos tempo de tela. Nesses momentos, a direção de Cordula Kablitz-Post merece ser elogiada, devido à sua capacidade de extrair os olhares apaixonados e sonhadores de seu elenco.

Se há uma mensagem a ser passada em Lou, é a de que a liberdade também pode ser uma espécie de prisão. Ao longo de sua vida, vemos Lou negar se apaixonar. Em seu relacionamento com Rainer Maria Rilke (Julius Feldmeier), é notável que ela não queria ceder, mas quando confrontada pelo poeta, ela percebe que sua liberdade estava mais para uma privação do amor. É poético o momento em que Lou se permite amar e ser amada por Rilke e, em seguida, vive uma experiência inédita.

Descobri que Lou, apesar de cobrir toda a vida de Lou Andreas-Salomé, é apenas um gostinho do que realmente foi a vida da filósofa. É um pecado que sua obra tenha passado batida em terras brasileiras, mas é bom saber que ela existiu. Ela foi uma mulher bem à frente de seu tempo, e chega a ser um alívio que finalmente está ganhando reconhecimento aqui no Brasil. Ainda mais se considerar que não é apenas uma biografia, mas também um filme que celebra a liberdade em sua totalidade.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 5    Média: 2.2/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.

João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

Latest posts by João Vitor Hudson (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close