Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes Netflix

O Rei da Polca | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre o filme da Netflix estrelado por Jack Black!

O Rei da Polca | Crítica

O Rei da Polca (The Polka King)

Ano: 2017

Roteiro: Maya Forbes

Direção: Maya ForbesWally Wolodarsky

Elenco: Jack BlackJenny SlateJason SchwartzmanJacki WeaverJ. B. SmooveRobert CapronWillie GarsonVanessa Bayer

Histórias sobre vigaristas reais costumam render bons filmes. Steven Spielberg já se aventurou no tema e realizou o excelente Prenda-me Se For Capaz. Outro diretor que já trabalhou no tema é Martin Scorsese, com o aclamadíssimo e polêmico O Lobo de Wall Street (é curioso que ambos os filmes foram estrelados por Leonardo DiCaprio). Apesar de terem um tom mais dramático, o humor é um fator presente em ambas as produções. O caso de O Golpista do Ano, estrelado por Jim Carrey, é um onde seu principal gênero é a comédia, e funcionou. Mas nem sempre isso dá certo, como é o caso de O Rei da Polca.

Inspirada na história real de Jen Lewan, um músico polonês que criou um império da polca no estado da Pensilvânia durante os anos 1990, O Rei da Polca tinha tudo para ser um longa forte. É baseada em uma história incomum e interessante, tem bons nomes no elenco, e é uma produção da maior produtora de streaming, a Netflix. Mas é só mais um filme esquecível que parece ter sido comprado apenas para preencher espaço no calendário de lançamentos da empresa.

Jack Black (que está em alta graças à Jumanji: Bem-vindo à Selva) interpreta Lewan. O ator está bem no papel do imigrante polonês. Lewan é um cara sonhador, que acredita no Sonho Americano e no American Way of Life, colocando os Estados Unidos acima de qualquer outro país, inclusive sua terra natal. Black consegue passar essa ideia de um homem cheio de entusiasmo que é Lewan. Mesmo nos momentos onde sua carreira e seus negócios vão de mal a pior, ele é uma pessoa cheia de energia para seguir em frente.

O problema que torna O Rei da Polca um longa simplório não está em Black, mas sim em como o roteiro do filme é corrido. Os 10 primeiros minutos nos mostram a realidade que a Jan Lewan Orchestra vive, cheia de dívidas cujos negócios paralelos não conseguem suprir. Com isso, Lewan encontra um meio de continuar buscando seu sonho de ter um império, coloca em prática, e 6 meses depois a receita federal já está de olho no homem de meia-idade. É interessante de se contar, mas aqui isso acontece tudo em 3 minutos, da maneira mais apressada (e por que não dizer “porca”) possível. Uns 10, 15 minutos a mais não seria um empecilho; pelo contrário, só tornaria o roteiro melhor.

Apesar da correria, O Rei da Polca consegue empolgar em alguns momentos. As sequências no Vaticano e no Miss Pensilvania ’98 são alguns desses exemplos. O filme consegue te fazer rir, mesmo sem alguma piada específica. O público ri das situações sem parecer forçado, no melhor estilo das comédias de erros. E isso se deve muito ao elenco de apoio.

O estrelismo de Lewan, que Black conseguiu transmitir muito bem, às vezes é ofuscado pelos atores coadjuvantes, ainda mais se considerar as limitações do ator em cenas que exigem maior carga dramática ao personagem. Jenny Slate está ótima no papel de Marla Lewan, a esposa do músico/empresário/golpista/Rei da Polca da Pensilvania (são muitos adjetivos). Marla é uma mulher que vive à sombra do marido, algo que o roteiro e a direção de Maya Forbes conseguem tratar com honestidade, e Slate brilha no papel. Seus sorrisos forçados são cheios de agonia e desejo por ter mais ambições na vida do que a realidade lhe proporciona. Jason Schwartzman é outro que está muito bem. Seu Mickey Pizzaz, amigo e multi-instrumentista da Jan Lewan Orchesta, é cheio de dúvidas quanto à moral de Jan, e, apesar de bastante passivo na amizade, não abaixa a cabeça quando necessário e diz as verdades que o amigo precisa ouvir. E o que dizer de Jacki Weaver como a sogra de Jan? É simplesmente sensacional! Não há mais o que falar sobre ela. É a melhor de todo o elenco.

É uma pena que um filme que tem uma boa trama, um bom elenco, uma boa direção de arte e até mesmo uma boa direção, tenha um roteiro tão fraco. Mas se podemos tirar uma lição aqui é que, se algum dia você for abordado por sua tia dizendo que começou a investir em um músico famoso de polca, você deve investigar se tem caroço nesse angu. Caso contrário, estará apoiando um pilantra sem saber.

Nota do crítico: 

Nota do público:

[Total: 2    Média: 3.5/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.

João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

Latest posts by João Vitor Hudson (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *