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O Jovem Karl Marx | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre a biografia do grande sociólogo do século XIX

O Jovem Karl Marx | Crítica

O Jovem Karl Marx (Le Jeune Karl Marx)

Ano: 2017

Roteiro: Raoul Peck

Direção: Raoul PeckPascal Bonitzer

Elenco: August DiehlStefan KonarskeVicky KriepsOlivier GourmetHannah SteeleAlexander ScheerHans-Uwe BauerMichael BrandnerPeter Benedict

“A revolução industrial criou o escravo moderno”. Esta frase dita por Friedrich Engels (Stefan Konarske) durante uma palestra sintetiza o controverso pensamento sociológico que ele e Karl Marx (August Diehl) criaram em meados do Século XIX, em um momento que a Europa passava por uma intensa crise no fim da Primeira Revolução Industrial. Esta afirmação não poderia ser mais verdadeira.

O Jovem Karl Marx conta a história, como você deve imaginar, do pensador em sua juventude. A princípio, vemos um homem que não tem medo de dizer a verdade aos colegas de trabalho da Gazeta Renana, até que todos em cena são presos devido a uma série de ataques ao governo da Prússia. À medida que o filme avança, vemos que Marx é muito conhecido na comunidade esquerdista europeia daquele tempo, mas não possui amigos, e seu convívio social se resume somente à Jenny von Westphalen (Vicky Krieps), sua esposa. August Diehl não é um ator digno de Oscar, mas também não faz feio. Parte disso é culpa do roteiro de Raoul Peck (também diretor), que prefere mostrar os fatos envolvendo o sociólogo do que aprofundar em sua personalidade.

Mas um filme que trata de uma das figuras mais emblemáticas da Idade Moderna e que, mesmo tendo se passado mais de 130 anos de sua morte, ainda é detestado e venerado por muitos, não tem como foco as atuações. O filme de Raoul Peck tem como objetivo tornar mais didático o pensamento comunista. Peck, que dirigiu o pesado documentário Eu Não Sou Seu Negro, está mais interessado em ensinar a um público leigo sobre a ideologia política mais odiada do século XX (capitalistas e conversadores colocam comunistas e nazistas no mesmo pote), sem o aprofundamento científico presente nos ensaios de Marx e Engels, mas de fácil entendimento. É quase metalinguístico que o mesmo ocorra nas cenas que diversos pensadores da época palestram ao proletariado. O público leigo é como se fosse a plateia presente no filme, e Peck como aqueles pensadores.

Peck já denunciou o sistema em outras de suas produções, como o já citado Eu Não Sou Seu Negro. Se lá ele criticava o modo como o sistema norte-americano tratava os negros dos EUA, aqui ele critica, de forma mais velada, o sistema capitalista industrial. Há uma cena específica onde Marx e um dono de indústria tem uma discussão a respeito do que é lucro, e nela o diretor nos faz questionar o porquê de empresas empregarem crianças sem o mínimo de discernimento. O industrial diz que as emprega porque, se ele não o fizer, outro o fará, e o lucro dele acabará sendo menor. O pior de tudo é que este modelo econômico continua empregando as mesmas crianças para fabricarem os smartphones e computadores em que estão lendo este texto. Apenas os produtos mudaram, a prática segue sendo a mesma.

No entanto, O Jovem Karl Marx pode soar hollywoodiano demais. É provável que o próprio Marx, se estive vivo, teceria duras críticas à produção. O filme é pomposo. Tem alguns planos muito bonitos, e uma cinematografia belíssima. É notável o quanto o design de produção é fiel à época, principalmente em algumas cenas nas fábricas de tecidos. Marx diria que não gostaria de tanta coisa para contar sua biografia. Felizmente, Peck soube trabalhar e contar uma ótima história.

O Jovem Karl Marx provavelmente não vai agradar aos gregos e troianos. É um filme que toma partido sim. Isso pode soar perigoso em um momento onde o mundo vive uma constante crise política, extremamente polarizada. E não me refiro somente à EUA x Coreia do Norte. Isso ocorre aqui no Brasil também e em vários outros. No entanto, seu público-alvo (esquerdistas-petralhas-gayzistas-comunistas-abortistas-maconhistas e mais outros termos que reacionários adoram utilizar) deve acabar gostando. É uma boa diversão e uma boa aula de história.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 1    Média: 5/5]


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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