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Lady Bode | The Handmaid’s Tale e o pesadelo distópico que não queremos viver

Elaine Timm fala sobre a premiada série e sua crítica à sociedade!

Lady Bode | The Handmaid’s Tale e o pesadelo distópico que não queremos viver

It will become ordinary” – “Isso vai se tornar comum”

A máxima ditada por tia Lydia, (Ann Dowd) instrutora e guardiã das Handmaid’s, reflete o poder de um estado totalitário como Gilead, para transformar uma resposta humana natural, como a revolta e rebeldia em algo ordinário, transformando o horror em normalidade. Premiada com o Globo de Ouro nas categorias Melhor Série Dramática de TV e Melhor Atriz em Série Dramática para Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale é uma das séries mais importantes dos últimos tempos, tanto por seu aspecto técnico quanto pelo aspecto crítico que carrega ao apresentar um universo que mesmo distópico, está muito próximo da realidade.

A série, criada por Bruce Miller, é baseada no romance de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia) escrito em 1985. O surpreendente é perceber que tantos anos depois, a obra permanece atual, mas agora parece apontar os temores de uma geração anti-Trump. O sucesso da obra de Atwood não advém apenas de suas virtudes políticas, mas também porque a trama faz parte do discurso feminista há mais de 30 anos, e na série esse tema é vital e garante o tônus do início ao fim.

A trama se concentra em Offred, a serva titular interpretada por Elisabeth Moss, de Mad Men. Na nova sociedade distópica, as mulheres são escravizadas e categorizadas em grupos: esposas, donas de casa e criadas conhecidas como “servas”. Offred é repetidamente estuprada pelo Comandante Waterford (Joseph Fiennes) na tentativa de conceber uma criança para ele e sua esposa Serena (Yvonne Strahovski), que foi atingida pela crise da infertilidade que ajudou o novo governo a ganhar poder. Completando o elenco estão Samira Wiley como Moira, melhor amiga do mundo “antigo” e Alexis Bledel como uma aliada de Offred, Ofglen. É inevitável a sensação palpável de medo e tensão a cada cena, seja Offred sendo interrogada pelos serviços de segurança ou o flashback de um encontro com o funcionário de um Café que chama ela e Moira de “putas”, de uma maneira natural.

É uma série inegavelmente linda. Cada cena parece uma pintura, como a de dezenas de servas vermelhas e brancas envolvendo um homem acusado de trair a República, até o flashback de Offred em que a silhueta de sua filha pequena é mostrada através do vidro do aquário. Cheia de simbolismos, cores rígidas, dos vermelhos das servas às esposas de classe alta que usam tons de azul até os governantes totalitários em preto e mantidos na sombra, marcando o mundo como um lugar de confusão e escuridão.

Todos as questões abordadas na série parecerem comuns em nossa paisagem atual e as críticas ao governo Trump são inegáveis. The Handmaid’s Tale tem algo de único, com uma ousadia ao assumir o gênero distópico e uma história sombria e relevante sobre as vidas e os medos das mulheres. A série serve como um despertar, e você não poderá voltar a adormecer depois de assistir.

The Handmaid’s Tale já foi renovada para sua segunda temporada e tem previsão de estréia para abril de 2018. Aqui no Brasil, a primeira temporada vai estrear no Paramount Channel em março, ainda sem data definida. Assista ao trailer da primeira temporada:


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Elaine Timm

Aspirante a gente, Elaine é gaúcha, formada em Jornalismo, atua como social media e curte freelas. Blogueira de várzea, arrisca escritas diversas. Cinéfila, musical e nerd desde criança, quer ser Jedi, mas ainda é Padawan. Save Ferris.

Comments

  1. Antonio Manuel Lopes Amaral - 12 de janeiro de 2018 at 11:55 - Responder

    Alguém sabe me dizer quando e onde a série estreia no Brasil? Muito obrigado pela atenção.

  2. Olá, Antonio. Aqui no Brasil, a primeira temporada vai estrear no Paramount Channel em março, ainda sem data definida. Agradecemos o teu contato!

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