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120 Batimentos por Minuto | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa francês!

120 Batimentos por Minuto | Crítica

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Ano: 2017

Roteiro: Robin Campillo, Philippe Mangeot

Direção: Robin Campillo

Elenco: Nahuel Perez Biscayart, Arnaud Valois, Adèle Haenel, Antoine Reinartz, Aloïse Sauvage, Catherine Vinatier, Caroline Piette

Retratar a realidade de alguém que sofre de uma doença terminal é um desafio. O longa pode se tornar um clichê, pode ser forçado demais. Mostrar a decadência física de um ser humano quando o assunto é a AIDS se torna ainda mais complicado. Além disso, o tema soma ainda uma luta para ser colocada em cheque, a luta pela visibilidade, contra o preconceito com dois tipos de grupos juntos: homossexuais e doentes.

Em uma época onde as informações ainda não eram repassadas da melhor forma para a população, o grupo Act Up lutava pelos direitos dos homossexuais contaminados com o vírus do HIV. A trama se passa no início dos anos 1990, contando inicialmente os bastidores dos militantes, mostrando suas manifestações públicas de protesto. O longa inicia com um ritmo intenso, mas desenvolvendo lentamente os personagens e definindo sutilmente quem seriam os protagonistas.

Aos poucos somos apresentados a Nathan (Arnaud Valois), um jovem que, ao contrário da maioria dos membros da organização não é soropositivo. Ele vai se encontrando no movimento e mostra ser um estudioso, com muita vontade de mudar a situação, mesmo que aquilo ainda não o afete. O outro protagonista vai sendo desenvolvido em meio a outros personagens que lideram a luta. Sean (Nahuel Perez), um dos mais empolgados e com ideias consideradas como radicais por muitos, se envolve com Nathan.

A relação dos dois é desenvolvida em paralelo com as manifestações do grupo e isso é realizado de forma brilhante. O romance não é forçado ou desnecessário, fazendo parte da história essencial a ser contada. As histórias dos personagens são contadas de forma natural, levando o espectador a se envolver e se identificar com ambos.

Um dos pontos mais fortes do longa é a direção. Robin Campillo realiza um trabalho esplêndido, com jogadas de câmera que deixam a cinematografia mais interessante e com alguns planos longos filmados de cima, principalmente quando o cenário é alguma casa noturna. Nas cenas de sexo ele não exagera no plano detalhe, mas não poupa momentos picantes. A edição, principalmente quando alguma história é contada beira à perfeição, mesclando cenas com pessoas diferentes em momentos semelhantes.

O longa possui elementos contidos em diversos documentários, como montagens ficcionais para complementar diálogos e imagens reais de manifestações. Esses recursos são muito bem utilizados, dando um senso de realismo natural. A direção de fotografia acerta em cada frame, com uma paleta de cores frias na maior parte do tempo e utilizando o foco para evidenciar os momentos importantes. A edição de som também é feita de maneira eficiente, principalmente no segundo ato, quando diálogos importantes são ditos em meio à luta por direitos.

As atuações são ótimas, mas o destaque é Nahuel Perez, com uma interpretação por vezes minimalista, mudando para algo mais exagerado, fazendo jus ao personagem entregue. O primeiro ato é excelente, com um ritmo intenso e boa mistura entre romance e luta por direitos. O segundo ato mantém a mesma qualidade, mas aumenta o tempo destinado ao romance. O terceiro ato deixa as manifestações um pouco de lado, muito por conta do que acontece com os protagonistas, mas acaba enfraquecendo um pouco o filme.

É nesse terceiro ato que os problemas de roteiro ficam nítidos. O ritmo muda, ficando mais lento desnecessariamente. A produção possui duas horas e vinte de duração, mas poderia ter uns vinte minutos a menos. Em determinados momentos, desfechos poderiam ter sido entregues de forma poética, mantendo o nível do longa no alto, mas decisões são tomadas para dar mais dramaticidade ao longa, o que acaba sendo cansativo. O final acaba não sendo o esperado, mas não mancha o ótimo filme entregue na maior parte do tempo.

120 Batimentos por Minuto não é um filme apenas sobre luta por direitos, romance, ou homossexualidade, ele engloba temas importantes dando sustento a uma bela história, que emociona e pesa no tempo certo. Se trata de um filme imprescindível nas questões históricas, emocionais e empáticas.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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