Bode na Sala
Especiais Filmes

Especial | Os melhores filmes de 2017

Felizmente, tivemos muitos filmes maravilhosos em 2017

Especial | Os melhores filmes de 2017

2017 chega ao fim, e como em todo fim de ano, as listas de melhores e piores também vem junto. No mundo do cinema, tivemos grandes surpresas, e boa parte delas positivas. Em um ano cheio de grandes lançamentos, o Bode na Sala listou aqueles que nossa equipe considera os melhores do ano, em uma lista bastante diversificada, que vai de blockbusters à filmes artísticos e independentes.

Vale lembrar que os filmes listados abaixo foram considerados levando em conta a data de lançamento nos cinemas nacionais, por isso não estranhe a presença de longas de 2016 na lista.


Blade Runner 2049, por Carlos Redel

Com um intervalo de 35 anos desde o lançamento de O Caçador de Androides, o ótimo Denis Villeneuve foi o responsável por levar uma continuação de Blade Runner às telonas. E o resultado não poderia ter sido mais impressionante, mesmo que tenha falhado nas bilheterias – assim como o seu antecessor, diga-se de passagem. O longa, que, usando as memórias como ponto de partida, traz reflexões sobre humanidade, vida e sentimentos, consegue expandir o universo apresentado no filme de Ridley Scott, aprofundando e revelando conflitos dos Replicantes – e dos seres humanos. Com um visual sensacional, que merece ser creditado ao incrível diretor de fotografia Roger Deakins, o filme é um clássico instantâneo e um dos melhores do ano. E se a continuação consegue ser melhor que o original? Só o tempo dirá. No entanto, só essa dúvida já mostra o quanto essa nova obra é impressionante.


Star Wars: Os Últimos Jedi, por Diego Francisco

Se por um lado O Despertar da Força foi criticado por não ousar e copiar elementos narrativos já existentes na franquia, o oitavo episódio da saga acerta em fazer algo novo e recompensador. Escrito e dirigido por Rian Johnson, Os Últimos Jedi nos apresenta a um Luke Skywalker (Mark Hamill) diferente do que esperávamos, faz o Kylo Ren (Adam Driver) seguir um caminho não imaginado, faz da origem da Rey (Daisy Ridley) a única opção que ninguém teorizou, expande os conceitos da Força e suas habilidades para caminhos inovadores. O filme segue seguindo caminhos inesperados, o que faz da experiência algo completamente inédito. A parte técnica é impressionante, criando momentos memoráveis e de cair o queixo com visuais deslumbrantes; a ação demora a chegar, muito tempo é dedicado no desenvolvimento das situações, mas o clímax tem quarenta minutos de pura empolgação e tensão. Sendo uma excelente despedida de Carrie Fisher da franquia, Os Últimos Jedi se consolida como um dos melhores episódios da saga.


Logan, por João Vitor Hudson

Logan e Laura

O mundo acompanhou durante 17 anos o caminho de Wolverine nos cinemas. Passando pelos filmes dos X-Men e suas aventuras solo, o personagem foi cheio de altos e baixos, e para sua última aparição no cinema, os fãs esperavam algo grandioso. E realmente foi! Logan traz Hugh Jackman na pele do mutante mais famoso do mundo pela última vez, em um filme denso, violento e emocionante. Além de vermos um Logan velho e vulnerável, vemos também um Professor Xavier debilitado, em uma atuação poderosa de Patrick Stewart. Mas uma das coisas incríveis de Logan é Laura, a X-23, interpretada pela jovem e promissora Dafne Keen. Sua química com nosso protagonista é ótima, fazendo com que o público torça pela sua jornada. Em um fim cheio de ação e emocionante, Logan conseguiu surpreender até os mais descrentes, em um filme que, além de ser um dos melhores do ano, ficará marcado por gerações!


Paterson, por Diego Francisco

A beleza do cotidiano é retratado a partir dos olhos de Paterson (Adam Driver, em performance sutil e calculada), um motorista de ônibus e aspirante a poeta. Ele vive na cidade de Paterson com sua namorada, Laura (Golshifteh Farahani), que aspira ser artista e cantora country. No seu dia-a-dia, Paterson dirige seu ônibus sempre entusiasmado em ouvir as interessantes conversas dos passageiros e escrevendo suas poesias como uma forma de captar a beleza ao seu redor, ele não é exatamente talentoso, mas isso não o impede de dar o seu melhor em suas composições. O filme é rodeado de aspirantes, como Doc (Barry Shabaka Henley), dono de bar que não é muito bom com xadrez e Everett (William Jackson Harper) não o melhor dos atores. Seja com a presença frequente de gêmeos e pequenos grandes eventos na narrativa, Paterson mostra que nem tudo precisa ter um significado maior para ser apreciado e que as pessoas comuns têm muito o que contar.


Como Nossos Pais, por Elaine Timm

Como Nossos Pais é a obra mais completa entregue pelo cinema nacional em 2017. A direção de Laís Bodanzky pontua diálogos ultra realistas, além de uma orientação delicada e forte ao mesmo tempo, na condução do elenco. Rosa é uma mulher de 38 anos, esmagada pela família, pela carreira e por si mesma. Maria Ribeiro é uma força, do início ao fim e entrega esse, que talvez seja o papel mais importante de sua carreira. Dentro de seus diálogos alinhados com o cotidiano, existe a crítica social que vai ganhando espaço no decorrer da obra, sobre a opressão invisível do dia a dia das mulheres em uma sociedade arbitrária e machista. Rosa só quer espaço e diálogo, assim como todos nós. A ligação entre mãe e filha reflete entre as gerações toda a complexidade que a relação carrega entre os tempos. Como Nossos Pais não é um filme que veio pra ficar, mas sim pra ser lembrado, e isso o torna especial agora e além.


O Bode na Sala é um espaço democrático, e os filmes listados acima foram os mais votados como os melhores. No entanto, muita coisa boa acabou ficando de fora da lista final. Por isso, decidimos mostrar o que cada um dos membros gostou. Confira abaixo o Top 10 de cada editor do Bode na Sala:

Os melhores do ano, por Carlos Redel

Jim & Andy

Há 20 anos, Jim Carrey se entregava de corpo e alma para viver o papel de sua vida: o comediante Andy Kaufman. Durante as filmagens de O Mundo de Andy, Carrey aceitou que uma equipe de documentaristas o acompanhasse e, assim, captasse todo o processo de imersão do ator para viver o falecido comediante. No entanto, o material coletado acabou mostrando um Jim Carrey completamente insano no set e, por conta disso, a Universal proibiu que as filmagens fossem à público, por medo de manchar a imagem da mina de ouro que era o ator. E assim foi, até agora. As gravações, intercaladas com depoimentos de Carrey na atualidade, dão uma profundidade impressionante na mente do ator, no seu método para viver Kaufman e, até mesmo, na persona do saudoso comediante a quem interpreta que, nos anos 1970, estava muito à frente de seu tempo. Um relato emocionante sobre dois grandes artistas. Um documentário com uma força esmagadora. Um dos melhores filmes do ano.

Blade Runner 2049
Manchester à Beira-Mar
A Criada
Paterson
La La Land
Dunkirk
Corra!
Silêncio
Borg vs McEnroe


Os melhores do ano, por André Bozzetti

O Cidadão Ilustre

Para quem ainda tinha dúvidas, nem só de Ricardo Darín vive o cinema argentino. O Cidadão Ilustre talvez seja o melhor filme dos nossos hermanos desde O Segredo dos Seus Olhos. A trama gira em torno de Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um escritor que há quase quarenta anos abandonou a pequena Salas, um vilarejo no interior da Argentina e, após décadas de sucesso, conquista o Prêmio Nobel de Literatura. Anos depois, morando em Barcelona, Mantovani recebe uma carta vinda de sua terra natal convidando-o para os festejos de aniversário da cidade, homenagens e algumas atividades culturais. Mantovani aceita o convite e, ao retornar, o escritor se vê em meio a uma jornada de descobertas sobre sua obra ao ser interpelado e forçado a perceber que enxerga a literatura e suas motivações de maneira diferente do que décadas atrás. Engraçado, tocante, fantástico. É um filme imperdível principalmente para quem gosta de escrever, seja por hobbie ou profissionalmente. Para mim, foi o melhor filme de 2017.

 

Logan
O Ornitólogo
Paterson
Poesia sem Fim
Homem Aranha: De Volta ao Lar
Entre Irmãs
O Formidável
Star Wars: Os Últimos Jedi
Como Nossos Pais


Os melhores do ano, por Diego Francisco

A Criada

Com a trilogia da vingança, Park Chan-wook já tinha se mostrado um excepcional diretor. Com o thriller erótico A Criada, ele consolida o seu nome como um dos melhores diretores trabalhando atualmente. Ambientado no início do século XX em uma Coreia ocupada pelo Japão, o filme segue Sook-hee (Kim Tae-rin), uma jovem ladra que é contratada pelo vigarista Conde Fujiwara (Ha Jung-woo) para aplicar um golpe na belíssima Hideko (Kim Min-hee) que consiste em interna-la em um hospício e roubar a sua fortuna. Não tarda muito para que um romance floresça entre as jovens e complique o plano: dá-se início a uma sucessão de reviravoltas bem amarradas que mantém a história interessante e prendendo constantemente a atenção. A direção de Chan-wook é de excelência pura e cria lindas composições em meio a longas e intensas cenas de sexo. A Criada é um dos melhores títulos recentes do cinema sul-coreano.

Corra!
Logan
Moonlight
Em Ritmo de Fuga
La La Land
Ao Cair da Noite
Blade Runner 2049
O Filme da Minha Vida
Star Wars: Os Últimos Jedi


Os melhores do ano, por João Vitor Hudson

Corra!

Em 2017, Jordan Peele surpreendeu a crítica com seu primeiro longa-metragem como diretor: Corra! Pra quem não conhece, Corra! é um filme de terror onde o personagem negro não é o primeiro a morrer, mas sim o protagonista. Chris (Daniel Kaluuya) é um fotógrafo que está para conhecer os pais de sua namorada, Rose (Allison Williams), mas coisas aterrorizantes começam a acontecer que o fazem questionar se ele é só mais um negro na lista de desaparecidos daquela região. O roteiro de Peele coloca em pauta o racismo institucional, que podemos ver em pessoas que dizem “não sou racista, até tenho amigos negros”, e faz com que o espectador sinta na pele como é ser um negro em uma sociedade predominantemente branca; tudo, é claro, com um humor negro afiadíssimo que faz o longa transitar entre os gêneros. Sem dúvida um dos melhores do ano!

Moonlight
Loving
Logan
Okja
Z: A Cidade Perdida
Em Ritmo de Fuga
Ao Cair da Noite
Mulher-Maravilha
It: A Coisa


Os melhores do ano, por Rafael Bernardes

Poesia Sem Fim

Alejandro Jorodowsky realiza uma autobiografia extremamente poética, onde os fatos são contados com alegorias e metáforas, exagerando em tudo. Ele realiza retratos pessoais de quem passou por sua vida, desde seus pais até amigos e namoradas. O clima teatral deixa tudo leve e intenso ao mesmo tempo, e faz com que o espetador não desconsidere o que está sendo mostrado, mas sim diminua a intensidade e interprete por si mesmo. A quantidade de elementos teatrais deixa a fotografia e a ambientação com tons belíssimos. Se trata de um filme profundo, que retrata temas importantes como a homofobia, repressão por parte dos pais, que não aceitam a vontade do filho de ser artista e o forçam a ser algo que eles querem, o machismo, a deslealdade, relacionamentos abusivos. Tudo isso com excelentes atuações e um roteiro bem fechado e surpreendente em alguns momentos. Após anos no ostracismo e com tentativas de realizar um grande filme, Jorodowsky finalmente consegue e eleva isso colocando sua própria história em tela.

mãe!
O Cidadão Ilustre
O Formidável
A Criada
Your Name
Blade Runner 2049
Paterson
Logan
Na Praia à Noite Sozinha


Os melhores do ano, por Elaine Timm

Mulheres do Século 20
A Ghost Story
Verão 1993
Eu Não Sou Seu Negro
Como Nossos Pais 
Jonas e o Circo sem Lona 
Paterson 
La La Land 
Star Wars: Os últimos Jedi 
Blade Runner 2049


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.

João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

Latest posts by João Vitor Hudson (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *