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Titanic | 20 anos depois

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre o clássico de James Cameron que completou 20 anos em 2017

Titanic | 20 anos depois

Titanic

Ano: 1997

Direção: James Cameron

Roteiro: James Cameron

Elenco: Kate WinsletLeonardo DiCaprioBilly ZaneFrances FisherGloria StuartBill PaxtonKathy BatesVictor Garber

Imagine como deve ter sido a reunião de James Cameron com o pessoal da Fox, na qual ele apresentou a ideia de Titanic. “Caras, será um épico romântico estilo ‘Romeu e Julieta’, e será o filme mais caro já feito”. Obviamente, não deve ter sido com essas palavras, mas dadas as proporções da história, isso pareceria algo inviável para um grande estúdio, até mesmo para os anos 1950 e 1960, décadas em que épicos grandiosos eram produzidos. Mas Cameron tinha uma carta na manga: ele planejava filmar os reais destroços do mais famoso naufrágio da história e usar isso no filme. E ele conseguiu.

Titanic completou 20 anos de sua estreia em solo norte-americano esta semana. O épico teve uma das maiores campanhas de bilheteria do cinema, ficando em cartaz por cerca de oito meses. Durante 11 anos, Titanic foi a maior arrecadação que algum filme já conseguiu (posição que foi tomada por outro filme de Cameron, Avatar, mas isso já é outra história), e o segundo a vencer 11 estatuetas do Oscar. Sua exibição na TV brasileira foi recorde de audiência. Titanic é um épico cheio de recordes. No entanto, este que vos escreve ainda não havia assistido a esta obra-prima do cinema. Até agora.

Eu já possuía alguma consciência da grandiosidade da obra que eu estava prestes a contemplar. Para minha surpresa, minhas expectativas foram baixas em relação ao que assisti. Titanic é fantástico. Como pude perder tanto tempo da minha vida sem ver esta maravilha? Fiquei totalmente extasiado com tudo que vi. O romance entre Rose e Jack, a magnitude do desastre ocorrido, os músicos fiéis ao seu trabalho que tocaram até quando puderam… Vi Titanic apenas uma vez e já é um dos meus filmes favoritos da história. Mas vamos ao que interessa.

Cameron sempre foi um cineasta criativo, tanto no visual como nas histórias que contava. O Exterminador do Futuro é um marco cinematográfico para a ficção científica, e mesmo assim, o diretor conseguiu se superar com a sequência, O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Há quem diga que o último é o melhor trabalho de sua carreira (e até pouco tempo atrás, eu acreditava fielmente nisso, mas agora estou dividido). Mesmo ficando marcado no gênero, Cameron ousou e criou um romance épico que é conhecido até mesmo por crianças nascidas após 2010.

O protagonismo feminino é uma marca nos filmes do cineasta. Sarah Connor e Ripley são personagens incríveis, mas ele se superou quando criou Rose DeWitt Bukater, que foi brilhantemente inspirada em Beatrice Wood, uma grande artista da cerâmica. Personagem bastante disputada, Kate Winslet acabou ficando com o papel que teve entre suas pretendes as atrizes Gwyneth Paltrow e Claire Danes. Rose é uma adolescente à frente de seu tempo, uma vítima do patriarcado enraizado na sociedade do início do século XX, mas que luta pelo que ela acredita ser o certo.

Seu destino cruza com o de Jack Dawson, eternizado na pele de um jovem e extremamente promissor Leonardo DiCaprio (ele já havia sido indicado ao Oscar 2 anos antes por seu papel em Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador). Jack é um pobretão otimista e bastante alto astral, que só quer voltar para os EUA junto de seu amigo Fabrizio. Em sua viagem e romance com Rose, acaba criando diversos inimigos, como é o caso da mãe de Rose e de seu noivo Cal Hockley (Billy Zane). O resto é a clássica história de Romeu e Julieta com aquele viés que busca expor a luta de classes (não sei se Cameron pensava assim, mas é o que decidi enxergar).

Além deste trio protagonista, temos incríveis personagens que aparecem pouco, mas são imensamente bem construídos e carismáticos. É o caso de Molly Brown, uma passageira real do Titanic feita aqui por Kathy Bates; o mesmo é dito de Victor Garber e seu gentil e modesto Thomas Andrews, o construtor do navio que “nem Deus ousaria afundar”. Este último, inclusive, tem a minha segunda morte favorita do filme, no qual o personagem olha para o relógio da obra que dedicou anos de sua vida a construir, apenas esperando pelo momento em que a água irá lhe atingir, ao som do hino da Harpa Cristã “Mais Perto Quero Estar”. Cameron, que também montou o filme, foi genial aqui.

Por falar em música, um dos aspectos mais marcantes da película é a trilha sonora comporta por James Horner. É possível ouvir relapsos de “My Heart Will Go On” durante o filme todo, canção que, além de vencer o Oscar de Melhor Canção Original, venceu 4 Grammys, o prêmio mais importante da música mundial. Céline Dion ficou conhecida nas rádios de todo o mundo ao cantar a “música do Titanic”, como ficou popularmente conhecida em terras tupiniquins.

O visual de Titanic é outro aspecto marcante. Há quem diga que Avatar usou uma história para contar efeitos visuais, diferente deste filme, onde Cameron usou efeitos visuais para contar uma história. Mesmo para os dias de hoje, eles impressionam. É como o caso de Jurassic Park, onde dinossauros feitos em 1993 com uma mistura de CGI e animatronics impressionam mais que os animais do último lançado pela franquia, Jurassic World, de 2015. O nível de realismo do navio se partindo, ficando de ponta-cabeça com litros e mais litros de água salgada pingando é impressionante. E mesmo com tanto esmero dedicado a este item do filme, eles estão lá apenas para complementar a linda e trágica história de amor que foi finalizada com um maldito iceberg.

É isto. Pequei toda a minha vida em não ter assistido Titanic antes, mas quando finalmente o fiz, fiquei extasiado com a maravilha cinematográfica. É um filme praticamente perfeito, que marcou gerações, e continuará a fazer. Imagino que em 2050 eu poderei estar discutindo sobre este filme com meus filhos e, quem sabe, netos. Só espero que eles não venham me decepcionar dizendo que Jack cabia na tábua.


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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