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Bright | Crítica

Bright | Crítica

Bright

Ano: 2017

Direção: David Ayer

Roteiro: Max Landis 

Elenco: Will Smith, Joel Edgerton, Noomi Rapace, Lucy Fry. Édgar Ramírez, Ike Barinholtz

É uma tarefa difícil explicar o enredo de Bright, primeiro blockbuster da Netflix, e isso se dá porque o próprio filme apresenta dificuldades ao fazê-lo. O que não é uma surpresa quando os créditos mostram Max Landis como roteirista e David Ayer, de Esquadrão Suicida, como diretor. Apesar de confuso, o conceito da produção dá a entender um mundo com uma mitologia muito vasta e que é criminalmente não explorada.

Criaturas fantásticas habitam o nosso mundo há cerca de dois mil anos. Os orcs são marginalizados por terem ajudado um Senhor das Trevas numa guerra passada e vivem nas periferias, são membros de gangues e sofrem preconceito de todas as raças. Os elfos, em contrapartida, são respeitados e bem sucedidos – portadores de uma riqueza que nunca é explicada. Em meio a tudo isso, existem três varinhas mágicas com o poder de trazer o Senhor das Trevas de volta; varinhas que só podem ser manuseadas por um bright, uma pessoas em quatro milhões. E também tem uma profecia, bastante incerta que nenhuma das cenas de exposição se dá ao trabalho de explicar o que ela diz.

Nos dias atuais, Ward (Will Smith) é um policial com a infelicidade de ter o orc Nick Jakoby (Joel Edgerton) como dupla, primeiro fruto de um programa de inclusão de orcs. Nick é ingênuo e despreparado, sofrendo preconceito da própria raça por ser considerado um traidor e dos seus colegas policias que não o aceitam, o que inclui seu próprio parceiro. Para piorar a situação, Ward foi gravemente ferido por um orc com uma espingarda que Nick falhou em capturar, o que torna a situação dos dois mais delicada. A dupla parte em uma jornada inesperada quando se deparam com Tikka (Lucy Fry), elfa portadora de uma das varinhas da profecia, se inicia uma longa perseguição com Ward e Nick tentando proteger a varinha de seus colegas policias, federais, gangues de humanos e de orcs e de uma organização élfica com o objetivo de trazer o Senhos das Trevas de volta.

Se isso já parece uma grande bagunça para você, só piora. O filme falha em explicar muito de seus conceitos e de suas regras e quando o faz com sucesso, é por causa de diálogos expositivos que não fazem sentido na narrativa, como, por exemplo, um mendigo membro de um grupo chamado Escudo de Luz que se recusa a falar com os agentes que o apreenderam, mas começa a colaborar com eles sem motivo algum para que a audiência saiba o que acontece; esse é uma das muitas saídas fáceis que Bright encontra para manter a história andando.

As performances são a única coisa que distancia o longa de ser uma catástrofe completa. Assim como foi em Esquadrão Suicida, Will Smith conta com o seu carisma para carregar o filme nas costas, mesmo com o seu personagem não sendo dos mais agradáveis, seu timing cômico não falha. Joel Edgerton é um ator excelente e acaba subutilizado com o seu rosto envolto de maquiagem e com sua voz mixada, o que prejudica um pouco sua boa atuação. Noomi Rapace é completamente desperdiçada como a vilã Leilah, quase sem falas e com pouca presença na narrativa, a personagem não é uma antagonista convincente.

No que diz respeito a parte técnica, Bright também não faz feio. Os efeitos especiais são muito bons para um filme com orçamento relativamente mediano para uma produção com muito uso de visuais. O maior problema do filme é ser um híbrido de dois gêneros diferentes, policial e fantasia, que não conseguem coexistir, não importa os esforços aqui empregados, sem contar que usa todos os clichês possíveis de ambos, tornando tudo previsível. Muitas partes se tornam risíveis por causa do nível do absurdo, termos como Força Tarefa do Mago ou momentos dramáticos não funcionam porque o filme não consegue evocar a suspensão da descrença. Uma cena que deveria ser emocionante causa o riso porque ela é populada por ser orcs com boné, camisa de time de basquete e correntes de prata, personagens assim aparecem direto na trama e nunca deixam de parecer cômicos. Não estou dizendo que é impossível, Distrito 9 conseguiu fazer o mesmo com sucesso, aqui faltou uma direção decente.

Bright é um experimento falho que custou US$ 90 milhões de dólares, ainda é incerto como a Netflix vai lucrar em cima dele por conta do orçamento e do valor gasto em marketing, levando em conta que o filme ainda vai para os cinema em um plano de distribuição que permanece desconhecido, mas já é ineficaz por conta do filme já estar disponível no serviço de streaming. Essa falta de planejamento me faz temer por The Irishman, projeto do Martin Scorsese produzido pela Netflix que também deve ir aos cinemas. É difícil dizer isso, mas tem momentos em que a Netflix não sabe o que faz.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 9    Média: 3.3/5]
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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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