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Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa de George Clooney!

Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso | Crítica

Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (Suburbicon)

Ano: 2017

Direção: George Clooney

Roteiro: George Clooney, Grant Heslov, Ethan Coen, Joel Coen

Elenco: Matt Damon, Julianne Moore, Oscar Isaac, Noah Jupe, Glenn Fleshler, Gary Basaraba, Megan Ferguson, Ellen Crawford, Steve Monroe, Tim Hopper

George Clooney dirigindo um longa com funções definidas: criticar a sociedade branca de classe média dos Estados Unidos e entregar um suspense eficiente, repleto do humor característico dos irmãos Coen. O sucesso é alcançado, com um roteiro bem fechado e inteligente.

Suburbicon conta a história de uma família que vivia aparentemente feliz em uma espécie de condomínio privado, que vende o “sonho americano”. A princípio não havia crimes, a região contava com ensino e saúde de qualidade. A trama acaba indo para dois lados que depois se interligam. De um lado está o suspense acompanhando o desmoronar de uma família, após a morte de Rose, interpretada brilhantemente por Julianne Moore, que também dá vida à sua irmã, Margaret.

O elenco inteiro está muito bem. Moore dá um show, vivendo duas personagens completamente diferentes. Noah Jupe, que já havia mostrado seu talento em Extraordinário, encantando os olhos ao mostrar a inocência de uma criança em meio a tanta selvageria. Matt Damon interpreta o pai da família. Muitas vezes há a impressão de que Damon está no “modo automático”, mas, após o término do longa, fica claro que a intenção era dar pouca vida para o personagem.

A direção de Clooney é precisa e eficiente, sem muitos floreios. Como foi dito acima, o roteiro dos irmãos Coen. em conjunto com o próprio diretor e com Grant Heslov, entrega um ótimo desenvolvimento de personagens, além da ligação exemplar da trama principal com a crítica social realizada. É possível compreender a doença dos americanos médios do século passado, que priorizam que sua sociedade seja branca, ao invés de se preocuparem com a ética necessária para que a paz reine todos os dias.

A história segue por duas perspectivas, o suspense recheado do humor negro característico dos irmãos Coen com uma crítica social explícita. A vida dos habitantes em Suburbicon parecia calma, com segurança, saúde e educação de qualidade, longe dos problemas que acarretavam o país naquela época. Porém, essa premissa é desmentida pelo próprio roteiro, quando uma família de pessoas de pele negra compra uma casa na região. Não há sutileza ao retratar a selvageria do racismo. Mesmo que a história se passe há décadas atrás, há a semelhança de realidades, fazendo com que seja palpável que isso realmente aconteça nos dias de hoje.

Quando ligamos a televisão e nos é informado sobre passeatas defendendo o nazismo, principalmente nos Estados Unidos, a crítica realizada no longa fica ainda mais atual. Além disso, a outra parte da trama também é bem desenvolvida, com um suspense eficiente e desenrolares que não possuem muita previsibilidade. Em alguns momentos é possível adivinhar o que vai acontecer, mas não em todos os momentos. O humor é semelhante ao que foi feito em Fargo, por exemplo.

Essa equipe composta por Clooney, irmãos Coen e Heslov conseguiu realizar um longa que trata de temas essenciais, que precisam ser discutidos, acrescentando uma ótima história. A hipocrisia de uma sociedade vislumbrada como ideal por muitos idiotas é desconstruída e todo o ódio é mostrado de forma real. Se trata de uma obra essencial nos dias de hoje e, mesmo que seja pesada em muitos momentos, diverte e faz pensar, pecando muitas vezes nas questões técnicas. O diretor consegue apresentar uma mise-en-scène quase impecável.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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