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As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre a segunda aventura de Tadeo Stones!

As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas | Crítica

As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas (Tadeo Jones 2: El secreto del Rey Midas)

Ano: 2017

Direção: David Alonso, Enrique Gato

Roteiro: Jordi Gasull, Neil Landau, Javier López Barreira

Elenco de dubladores (vozes originais): Óscar Barberán, Michelle Jenner, Adriana Ugarte

Está na hora de alguns estúdios compreenderem que o nível de exigência das animações aumentou bastante nos últimos quinze anos pelo menos. Com o avanço dos recursos tecnológicos e da quantidade de filmes desse tipo lançados anualmente, ser só mais um não é uma boa opção. Não falta oferta de desenhos para o público infantil e, a não ser que haja um bom diferencial, é bem possível que o filme passe pelos cinemas quase sem ser notado, e se torne uma opção esquecida na Netflix em um curto espaço de tempo.

O Segredo do Rei Midas é a segunda aventura de Tadeo Stones (que na versão original é Tadeo Jones, o que faz muito mais sentido), um rapaz que trabalha construindo prédios, mas sonha em ser um grande arqueólogo e explorador. Sara, por quem Tadeo é secretamente apaixonado, é uma arqueóloga de sucesso que acaba de fazer uma grande descoberta a respeito do colar do Rei Midas, que seria capaz de dar poderes mágicos a quem o utilizasse. Jack Rackham, o vilão, espionou Sara durante toda sua busca, e agora vai tentar se apoderar do colar mágico custe o que custar.

Um grande problema de As Aventuras de Tadeo 2 é que ele exige que tenhamos assistido o primeiro filme, visto que nada é explicado sobre a relação entre os personagens. Sendo assim, sem ter visto o anterior, ficamos sabendo que houve um beijo entre Tadeo e Sara, mas não sabemos em que momento, e por quê não ficaram juntos. Não sabemos o que é aquela múmia que aparece na casa de Tadeo. Não sabemos quem é Jack Rackham, e o que faz dele um vilão. E isso tudo possivelmente diminua ainda mais o impacto dos eventos da trama, que já não são tão significantes assim.

Outro fator a se levar em conta é que as animações hoje em dia são pensadas também para os pais, visto que perceberam que as crianças não vão sozinhas ao cinema. Sendo assim, o mínimo que se espera é que haja algo nas entrelinhas, uma mensagem, um questionamento, algo que adultos possam debater após o filme e talvez até suscitar uma conversa com os filhos sobre um tema relevante. E não há nada disso. Na verdade, não há sequer uma mensagem implícita para as próprias crianças. É uma aventura e só. Sem razão de ser, sem aprendizado, nada.

E isto tudo agrava o fato da animação ser tecnicamente inferior ao que estamos acostumados a ver. Comparada às animações mais recentes lançadas no cinema, As Aventuras de Tadeo 2: O Segredo do Rei Midas é muito mais simples e com pouca riqueza de detalhes. Deixei este aspecto para o final pois, para mim, isso seria aceitável se a história colaborasse, algo que não aconteceu. Falando em história, a licença poética a respeito da lenda do Rei Midas talvez tenha sido exagerada.

De positivo, pode-se destacar justamente os momentos cômicos. A Múmia, o cão Jeff e o pássaro Belzoni são responsáveis pelas melhores cenas do filme, mas creio que estas são insuficientes para manter a atenção das crianças o tempo todo.

Uma animação claramente inspirada nas aventuras de Indiana Jones, com um toque de Tomb Raider, um pouco de romance, outro tanto de magia, doses altas de humor e se passando em vários lugares históricos e belos do planeta. Poderia ter dado certo. Poderia ter sido interessante. Infelizmente, a superficialidade do roteiro não contribuiu. Vai acabar servindo apenas para aqueles pais desesperados com os filhos de férias e tendo que arranjar algo para fazer durante dias inteiros.

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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