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Viva: A Vida é uma Festa | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o novo filme da Disney/Pixar!

Viva: A Vida é uma Festa | Crítica

Viva: A Vida é uma Festa (Coco)

Ano: 2016

Direção: Lee Unkrich

Roteiro: Matthew Aldrich, Adrian Molina

Elenco de dubladores (vozes originais): Anthony Gonzalez, Gael García Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renee Victor, Jaime Camil 

A cultura latino-americana, sempre que é abordada em Hollywood, corre o risco de ficar estereotipada – como aconteceu recentemente em Rio, por exemplo. Agora, a Pixar resolveu explorar o Dia dos Mortos, tradicional e importante festa mexicana, em Viva: A Vida é uma Festa. Sim, é uma animação infantil que tem como pano de fundo um evento para celebrar aqueles que, na cultura do país, não estão mais entre os vivos e vivem em um plano espiritual. Proposta corajosa, além de ser arriscada, obviamente.

Com direção de Lee Unkrich, responsável pelo sucesso Toy Story 3, Viva acompanha a história de Miguel, um garoto apaixonado por música, mas que é proibido por sua família de ter qualquer contato com ela, uma vez que seu tataravô abandonou o lar por sua carreira de cantor. No entanto, a paixão do jovem pela música é tão grande que, no desejo de poder participar de um show de talentos, ele acaba tomando uma atitude desesperada que o leva a uma jornada no Mundo dos Mortos.

A trama parece pesada, né? Pois então, fique tranquilo. Tudo é feito com uma leveza excepcional. Unkrich consegue transportar o público para o México e trata a história com muita naturalidade – afinal, se para os mexicanos o Dia dos Mortos é motivo para celebrar, não há motivos para que não nos contagiemos com isso.

É interessante como tudo é colocado na tela de maneira fascinante e sem explicações exageradas. Inclusive, muitos elementos, aparentemente, bem exclusivos da cultura mexicana são colocados na trama. E isso é uma das coisas mais fascinantes em Viva: a inserção da tradição, sem exageros, com naturalidade e sem debochar ou ridicularizar a crença daquele povo. Inclusive, a participação de Frida Kahlo é excelente – além de aproximar das crianças do mundo todo uma importante personagem latino-americana.

A animação é outro destaque. Com muito colorido e um lindo visual, principalmente da Terra dos Mortos, a maior parte da trama se passa durante a noite. Com isso, é empregada uma ótima iluminação, com as cores referentes às decorações, velas e oferendas que tomam conta das ruas – e cemitérios – mexicanos no Dia dos Mortos.

Os vivos estão bem no padrão Pixar, sem se esforçar em parecerem reais (ainda bem) e com uma riqueza de detalhes impressionante – principalmente na avó de Miguel, a Mamá Coco. Já os habitantes do Mundo dos Mortos, todos esqueletos, têm seus crânios coloridos como as caveiras mexicanas. No entanto, anatomia de seus corpos, por vezes, incomodar, com montagens e desmontagens desnecessárias. Ok, é um filme infantil, então é perdoável.

Obviamente, nem tudo é uma festa. O roteiro da animação tem seus problemas, principalmente por entregar facilmente alguns pontos de virada da história. No entanto, a trama mescla tão bem sensibilidade com alegria que, independentemente da fácil dedução da trajetória do protagonista e do desfecho da história, consegue emocionar – e bastante.

Claramente, não tem como falar de Viva sem falar de música. Como já é tradição da Disney, as canções interpretadas no longa são excelentes e grudam na cabeça. É praticamente impossível não sair da sessão sem estar cantarolando alguma delas. “Remember Me”, que é ótima e importante da trama, certamente deve concorrer aos principais prêmios do ano. E ganhar. Ainda vale destaque para a contagiante “Un Poco Loco”.

Com um enfoque em mostrar que as pessoas, mesmo depois de deixarem o plano terrestre, seguem vivas, desde que suas histórias sejam lembradas e passadas para as próximas gerações, Viva se coloca ao lado das grandes produções da Pixar e, certamente, não será esquecida.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 4.2/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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