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Mr. Robot – 3ª temporada | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre o novo ano da série!

Mr. Robot – 3ª temporada | Crítica

Mr. Robot – 3ª temporada

Ano: 2017

Criador: Sam Esmail 

Elenco: Rami Malek, Carly Chaikin, Portia Doubleday, Martin Wallström, Christian Slater, Michael Cristofer, Grace Gummer, B. D. Wong, Bobby Cannavale

Um ritmo ágil nunca foi uma das razões pelas quais Mr. Robot se tornou conhecida. Com a trama se desenrolando lentamente e um clima de tensão crescente, a série sempre demorou a engatar. Este novo ano do programa, no entanto, é o contrário das temporadas anteriores. Os eventos acontecem mais rápido, mortes são mais frequentes, ameaças mais presentes e aquela quantidade de reviravolta as quais já estamos acostumados.

Com referências explícitas a De Volta Para o Futuro e Superman – O Filme, além de escolhas musicais que fazem alusões similares, voltar no tempo é um tema constante explorado na temporada. Visto que a sua revolução não atingiu os resultados esperados e, mesmo com a E Corp em frangalhos, a população ainda depende dela e sua situação financeira está pior do que antes, Elliot (Rami Malek) decide reverter o hack. Ele também deve enfrentar o Mr. Robot (Christian Slater) que, mesmo não possuindo o controle da situação e indiferente quanto às consequências de seus planos, ainda quer executar a Fase Dois e destruir a E Corp de uma vez por todas. Angela (Portia Doubleday), agora ciente do plano de Whiterose (B. D. Wong), está certa de que tudo voltará ao normal e colabora com Tyrell (Martin Wallström), inconstante como sempre.

A atuação de Malek segue sendo um dos pontos mais fortes da série. O ator atinge um novo nível agora que somos capazes de ver o Elliot incorporando a persona de Mr. Robot ao invés de vê-lo com a forma de seu pai – e estes momentos são arrepiantes. Whiterose deixa de ser uma figura misteriosa e finalmente podemos ver uma presença maior sua na trama. Suas intenções passam a ser mais claras e ela continua a ser uma figura fascinante. Suas conversas com Phillip Price (Michael Cristofer), inclusive, rendem ótimos momentos. Bobby Cannavale, ator que merece muita atenção, é uma grande adição ao elenco e o seu incrível personagem, Irving, faz tudo do Dark Army, aparenta ser caricato de início, mas logo se revela engenhoso, flexível e cheio de diferentes dimensões.

A parte técnica da continua impecável como sempre. Mr. Robot segue procurando maneiras inovadoras de contar a sua história. Se a segunda temporada teve um episódio no formato de sitcom, agora os espectadores são presenteados com um episódio que se passa em tempo real, editado de forma a parecer um único plano-sequência, técnica similar a empregada em Birdman; o resultado final é incrível, conforme o Elliot tenta impedir que a Fase Dois seja executada no prédio da E Corp, enquanto o mesmo está sendo atacado por manifestantes, são 46 minutos de adrenalina pura.

Referências à obra de David Fincher seguem presentes. Se Clube da Luta já tinha ditado a relação Elliot/Mr. Robot, o nível similaridade subiu bastante com a cena em que Elliot impedir os planos do seu alter ego e é impedido, com ele basicamente agredindo a si mesmo. Outra homenagem clara é o plano aéreo seguindo a trajetória de um carro, diretamente retirado de Zodíaco. Como único ponto fraco da temporada, Tyrell Wellick fica deslocado na trama, mas não como Angela, cujo deslocamento tem um propósito narrativo maior, e a sua constante ‘loucura’ não convence.

Com um final surpreendentemente conclusivo e com ares de series finale (até o nome do episódio é Shutdown), Mr. Robot pretende recomeçar do zero na próxima temporada, prometendo um novo começo, mas com os personagens em posições completamente diferentes quando o nove de maio aconteceu. Sam Esmail continua como um showrunner criativo que sempre se esforça para tornar a experiência de assistir Mr. Robot algo único. É uma pena que a série não receba o reconhecimento que merece e a audiência continua caindo.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 3.5/5]

 

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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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