Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

Lucky | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o longa estrelado por Harry Dean Stanton!

Lucky | Crítica

Resultado de imagem para lucky filme 2017 posterLucky

Ano: 2017

Direção: John Carroll Lynch

Roteiro: Drago Sumonja, Logan Sparks

Elenco: Harry Dean Stanton, David Lynch, Ron Livingston, Ed Begley Jr.Tom SkerrittBeth GrantJames Darren 

O envelhecimento é romantizado por propagandas e programas de televisão, utilizando o termo clássico intitulado como “melhor idade”. Na realidade, todos sabemos que o processo do tempo no corpo e na mente das pessoas é cruel e nada bonito. Os diversos problemas da terceira idade poucas vezes são retratados de forma crua e real. Em A Juventude, a velhice é explorada dessa forma, mas uma realidade é transpassada, a dos “velhos ricos”. O dinheiro faz com que tudo seja amenizado, mesmo que ainda seja um processo muito difícil. Em Lucky, a vida do protagonista cujo nome é o título da obra, é desenvolvida lentamente e com um objetivo claro: passar que aquilo realmente acontece.

Lucky é um ex-militar que lutou na Segunda Guerra, mas não ficou no front das batalhas. Era cozinheiro. Ele não carrega aquele orgulho e soberba dos veteranos de guerra, pelo contrário. Quando o assunto vem à tona e ele se empolga falando sobre as aventuras do século passado, não demora para que venha aquele senso de realidade, que o joga para baixo. Logo nos primeiros minutos, a ideia de que a velhice seria romanceada já é descartada, com câmeras expositivas, mostrando o corpo do senhor e suas dificuldades de locomoção.

A direção de John Carroll Lynch realiza, de forma calma, com um ritmo lento, o desenvolvimento da vida de uma pessoa que já não possui muitas perspectivas. Aquela rotina de sempre, acompanhada do mau humor típico de quem já passou por muitas coisas. Lynch reproduz rimas narrativas interessantes no início e no fim do longa, deixando sua obra mais bonita. Falando de beleza, é o que não falta na direção de fotografia. O repasse de uma visão da realidade, mesmo que crua, contém a iluminação ideal para retratar o ambiente seco onde a história se passa. Não há floreios na fotografia, nem exagero na simetria, mas mesmo assim “o belo” é colocado em cada frame.

A história, olhando de forma superficial, não teria grandes atrativos, por se tratar de um tema que pode não seduzir o público. Porém, o roteiro encaixado e que estabelece um ritmo desde o início, faz com que tudo fique mais atrativo. Não há furos, mesmo que perguntas não sejam respondidas. Os diálogos são ótimos, contando com dois monólogos espetaculares. Um sobre a vida, feito até de forma teatral. O outro é realizado em forma de música, com o personagem principal emocionando ao cantar de forma desafinada, mas totalmente entregue às palavras ditas.

A atuação de Harry Dean Staton é espetacular. Ele entrega uma performance mais do que convincente, como protagonista. O repasse de sentimentos é feito mesmo sem diálogos. Em cenas que parecem banais, o homem consegue colocar tudo o que está envolvido nas respectivas situações, sem que nada seja exagerado. David Lynch, que interpreta um fazendeiro egocêntrico, amigo de Lucky, traz o alívio cômico necessário.

O longa, como um todo, possui poucos defeitos e diversos acertos quando se trata da representação da velhice em uma obra cinematográfica. Direção espetacular, beleza na fotografia, roteiro encaixado e criativo, contando com ótimas atuações. Se trata de um filme que pode passar despercebido pelo público, mas que deveria ser visto por todos que apreciam produções de qualidade, que não exageram ao passar uma mensagem.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]

The following two tabs change content below.
Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *