Bode na Sala
Críticas Netflix Séries

Godless – 1ª temporada | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre a nova minissérie da Netflix!

Godless – 1ª temporada | Crítica

Godless – 1ª temporada

Ano: 2017

Criadores: Scott Frank, Steven Soderbergh

Elenco: Jack O’Connell, Michelle Dockery, Scoot McNairy, Merritt Wever, Thomas Brodie-Sangster, Tantoo Cardinal, Kim Coates, Sam Waterston, Jeff Daniels

O roteiro de Godless foi escrito em 2002 por Scott Frank (Logan) e recusado por nomes como Sam Mendes e David Fincher. Demorou 15 anos até o script cair nas mãos de Steven Soderbergh – que também o havia recusado no passado – e a Netflix ficou responsável por produzir a minissérie, que é a primeira inteiramente original do serviço de streaming.

La Belle, cidade habitada quase que exclusivamente por mulheres, tem sua pacata existência abalada com a chegada do fora-da-lei Roy Goode (Jack O’Connell), ex-membro e fugitivo do bando do temido Frank Griffin (Jeff Daniels), inadvertidamente colocando um alvo mortal na cidade. Roy consegue ajuda da também renegada Alice Fletcher (Michelle Dockery), que dizem trazer má sorte; ambos têm um passado conturbado e ajudam um ao outro a superar as dificuldades que enfrentam, cedendo a um sutil romance, que não toma muito a atenção da trama.

Seguindo o curso que começou em The Newsroom, Jeff Daniels se prova mais uma vez um excelente ator e cria um vilão complexo. A sua relação de pai e filho com Roy, além de ser o seu mentor, cria uma situação curiosa quando o rapaz trai o seu bando e foge. Apesar dos horrores indescritíveis que comete, Griffin é uma figura de calma inquebrável. Ele sabe quando vai morrer e não existe nada capaz de abalá-lo, possuindo uma inesperada humanidade, vista quando se depara com uma jovem que sozinha se sacrifica para cuidar de enfermos. Outro veterano do elenco, Sam Waterston (também de The Newsroom) é desperdiçado ao ficar sua participação inteira separado dos outros protagonistas da trama e seu arco chega a um final decepcionante.

O faroeste é um gênero dominado por homens, são pouquíssimas as produções que trazem mulheres como protagonistas, a maioria da presença feminina serve apenas como donzela em perigo. Godless acerta ao não só dar maior espaço e desenvolvimento para as suas personagens femininas, mas ao mostrar as dificuldades e o preconceito vividos por elas na época. Quando todos os homens de La Belle morreram em um acidente na mina, elas demoraram para conseguirem se reestabelecer, pois o ano era 1886 e existiam poucas profissões que as mulheres exerciam. A normalidade só voltou com a liderança de Mary-Agnes McNue (Meritt Wever), prefeita forte e impetuosa que colocou a cidade de volta nos trilhos. Também existe a desconstrução da figura do xerife Bill McNue (Scoot McNairy), heroico em um passado distante e que agora tenta lidar com a sua progressiva perda de visão, embarcando numa busca para reconquistar o seu valor e trazer um fim a Frank Griffin.

Na maior parte do tempo, principalmente nos arrastados primeiros episódios, a minissérie roda como outros exemplos do gênero; temos o fora-da-lei de bom coração, os indígenas como presença mística, a solteira durona. O desenvolvimento demora para convencer e prender na trama, mas quando acontece em razão das eficientes composições de ação ou pelos momentos de surpreendente sensibilidade, como Roy domando um cavalo e ensinando Truckee (Samuel Marty), que a série mostra o seu diferencial.

A fotografia é contemplativa e conta com longas tomadas, como um spaghetti exemplar, existe até uma homenagem ao plano final de Rastros de Ódio, vista tão frequentemente em faroestes que é uma referência quase obrigatória a este ponto. O diferencial se encontra no recurso utilizado nos flashbacks, retirando a cor do ambiente e deixando colorido só os personagens e elementos importantes à cena. Esse artifício, em contrapartida, se mostra problemático ao ter personagens parcialmente coloridos sem razão aparente, o que distrai da narrativa.

O confronto final entre as mulheres de La Belle e os fora-da-lei liderados por Frank Griffin chega em um series finale épico e violento, que não poupa mortes e sangue. Com sete episódios redondos e finalizando de forma satisfatória o arco de todos os personagens, Godless se mostra um faroeste que, mesmo não se distanciando dos clichês e vícios do gênero o suficiente para se tornar único, é um ótimo entretenimento e uma dos melhores originais da Netflix.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 11    Média: 3.5/5]

 

The following two tabs change content below.
Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

Latest posts by Diego Francisco (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *