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O Justiceiro – 1ª temporada | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre a nova parceria entre a Marvel e a Netflix!

O Justiceiro – 1ª temporada | Crítica

O Justiceiro –  1ª temporada

Ano: 2017

Criador: Steve Lightfoot

Elenco: Jon Bernthal, Ebon Moss-Bachrach, Ben Barnes, Amber Rose Revah, Paul Schulze, Jason R. Moore, Michael Nathanson, Daniel Webber, Jaime Ray Newman, Deborah Ann Woll

Depois de uma aparição bem sucedida na segunda temporada de Demolidor, não era surpresa que o Justiceiro ganharia uma série para chamar de sua. Aqueles que saíram decepcionados com Luke Cage, Punho de Ferro e até mesmo Os Defensores podem ficar tranquilos, o que recebemos aqui é algo quase no nível da primeira temporada de Demolidor.

Não é errado começar a assistir a série esperando ver um grande número de massacres impiedosos contra a máfia, organizações criminosas e bandidos – não que essas cenas não existam, voltarei nelas em um instante –, mas o foco não é esse. Frank Castle (Jon Bernthal) vive a sua vida fora dos radares, após acreditar que matou todos os envolvidos no assassinato da sua família e abandonar a identidade de Justiceiro. No entanto, ele é retirado da aposentadoria por David Lieberman/Micro (Ebon Moss-Bachrach), que revela a existência de uma conspiração bem maior, envolvendo o mais alto nível da CIA.

Existem diversas subtramas que, à princípio, parecem meros artifícios para completar a duração de 13 episódios (o que acontece com maioria das produções Marvel/Netflix), mas conforme vemos seu desenvolvimento, entendemos a sua importância. Há o grupo de apoio para veteranos de guerra de Curtis (Jason R. Moore), amigo de Frank dos tempos do Afeganistão, onde acompanhamos Lewis Wilson (Daniel Webber), jovem atormentado que não conseguiu se adaptar a vida fora do Exército e vive em constante estado de estresse pós-traumático, o que rende os momentos mais tocantes da temporada.

Há, também, a família de Lieberman, que sofre com a sua suposta morte e recebe a inesperada ajuda de Frank, experiência que é catártica para o assassino, que se vê novamente inserido num ambiente familiar e conflituosa para Lieberman, que vigia tudo o que acontece com eles, mas é incapaz de ajudá-los. Por mais vital que seja à narrativa principal, o núcleo dos agentes da Segurança Nacional é o mais fraco e demora a prender a atenção, mesmo sendo protagonizado pela obstinada agente Dinah Madani (Amber Rose Revah).

Apesar de não sair muito do clichê do soldado que não superou os horrores que viu e cometeu na guerra e a perda da sua família, a trama não deixa de ser eficiente. Vemos o lado humano de Frank Castle inúmeras vezes. Jon Bernthal dá um show de atuação, tanto nos momentos de fúria do Justiceiro até quando ele se encontra vulnerável, passando do ódio para angústia e dor e indo para o ódio novamente. Os flashbacks ajudam a construir Castle como um bom e preocupado pai e sua a incapacidade de superar a morte dos seus entes queridos por sua causa.

A construção narrativa da série é eficiente ao conseguir desenvolver as tramas menores e juntá-las a narrativa principal, sem deixar nenhuma soar desnecessária. O auge de O Justiceiro se encontra no décimo episódio, em uma espécie de homenagem a Rashomon, clássico de Akira Kurosawa, que começa na conclusão de uma situação caótica e, a partir dos depoimentos dos envolvidos, o espectador lentamente junta as peças do que realmente aconteceu. Apesar de todas as revelações de vilões serem óbvias (o rosto deles não enganam ninguém), todos são ótimos e um em especial tem espaço para uma participação bem mais interessante nas próximas temporadas.

Seria no mínimo curioso uma série do Justiceiro que acerta na história e no drama, mas erra feio na violência, o que não é o caso. Armado ou desarmado, não há número que possa derrotar Frank Castle. A série acerta em não tratá-lo como uma máquina de matar implacável, a ação dele não conta apenas com as suas habilidades com as armas, mas surpreende ao ser bastante tático e, em cenas em que ele aparenta ter a desvantagem, ele sempre está um passo a frente de seus inimigos. Assim como foi em Demolidor, o protagonista não sai ileso: Frank é espancado, baleado, esfaqueado, cai de grandes alturas, perde o fôlego e quebra algumas partes do corpo, mas sempre continua lutando, até que não haja ninguém vivo para contar a história, o que torna as cenas de ação mais realistas.

A glorificação da violência acontece. É impossível não vibrar quando o Justiceiro sai em suas matanças e consegue a sua vingança, contudo, limites são ultrapassados. Castle nunca foi o herói e suas ações são, por vezes, questionáveis e repreensíveis. Alguns momentos são difíceis de assistir, devido ao nível de gratuidade das cenas.

Para todos os efeitos, O Justiceiro se consagra como uma das melhores realizações a sair da parceira Marvel/Netflix e remete a glória da primeira temporada do Demônio de Hell’s Kitchen. Mantendo-se atual ao retratar corrupção, controle de armas e terrorismo nacional. Deixando bastante espaço para temporadas futuras, a série mostra que chegou para ficar.

Nota do crítico: 

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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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