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Pai em Dose Dupla 2 | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre a comédia estrelada por Will Ferrell e Mark Wahlberg!

Pai em Dose Dupla 2 | Crítica

Pai em Dose Dupla 2 (Daddy’s Home 2)

Ano: 2017

Direção: Sean Anders

Roteiro: Sean Anders, John Morris

Elenco: Will Ferrell, Mark Wahlberg, Mel Gibson, John Lithgow, Linda Cardellini, John Cena

Todo final de ano é a mesma coisa. Passando a metade de novembro, os shoppings montam sua decoração e os estúdios começam a lançar os filmes com a temática natalina. Abrindo a temporada de filmes de Natal para a família está Pai em Dose Dupla 2. E posso dizer que começou muito bem. Não que o filme dirigido por Sean Anders seja algo surpreendente ou excepcional. Mas foi eficiente em diversos aspectos, principalmente por entender exatamente a qual público ele deveria ser destinado.

Continuação de Pai em Dose Dupla (óbvio), de 2015, dessa vez os “co-pais” Brad (Will Ferrell) e Dusty (Mark Wahlberg) já iniciam a história como amigos. Uma amizade que, apesar de verdadeira, mostra alguns momentos forçados que servem para reprimir os sentimentos de contrariedade ou competição que um nutre pelo outro na sua relação com os filhos. As crianças, por sua vez, começam a demonstrar sua insatisfação com algumas situações, em especial com o Natal ser comemorado duas vezes, em duas casas diferentes. E no momento em que parece ter surgido uma solução, os pais de Brad e Dusty decidem vir passar o Natal com a família, e as diferenças gritantes entre ambos torna tudo ainda mais complicado.

O roteiro de Anders e John Morris é pragmático. Se mantém em uma zona segura, lidando com personagens conhecidos e situações clichês, e talvez este seja um grande mérito do filme. Sem pretensões de chocar nem de ser algo memorável, vemos diversas temáticas atuais de núcleos familiares sendo discutidas de maneira divertida e capazes até de gerar discussões saudáveis. De novo, não é que seja algo exatamente profundo, mas na simplicidade com que são apresentados e pelo caráter unidimensional dos personagens, as características de cada um ficam muito definidas, o que facilita a compreensão rápida da mensagem que está sendo passada.

Entre tantos assuntos que surgem, o principal é, sem dúvida, as diferentes relações entre pais e filhos e como isso os afeta. Partem do óbvio, de comportamentos permissivos ou repressivos, de tratamentos mais frios ou mais amorosos, mas possui méritos em destacar aspectos positivos e negativos de cada um, não demonizando ou glorificando nenhum tipo de relacionamento.  Além disso, apresenta crianças que representam muito bem a atual geração, que certamente todos nós conhecemos algumas que se encaixam exatamente naquelas personalidades e situações. A pré-adolescente rebelde viciada em celular, a outra mais nova que quer imitar tudo que a primeira faz, o menino que fica confuso ao descobrir-se apaixonado pela primeira vez, todos facilmente hipnotizados pela televisão.

Mas tudo bem, sei que a maior parte das pessoas que vai assistir ao filme quer saber apenas uma coisa: ele é engraçado? Sim, é. Sem piadas que te façam cair da cadeira de tanto rir, mas cheio daquelas situações que te mantém bem-humorado o tempo inteiro e faz o filme passar voando. Will Ferrel e Mark Wahlberg se entendem muito bem na tela e, apesar do personagem de Mel Gibson parecer totalmente deslocado no tom do humor do filme, ainda assim consegue acertar algumas piadas muito boas e tem um papel fundamental na história.

Com diversos momentos que lembram a franquia Férias Frustradas da década de 1980, o humor leve é um alívio para quem está cansado daquelas comédias com piadas escatológicas ou sexuais. É um filme que define o termo “family friendly”. É para pegar a família toda, comprar um monte de pipoca e ir se divertir no cinema. E, possivelmente, ainda vá render uma conversa divertida durante a ceia de Natal.

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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