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A Vilã | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre o longa de ação sul-coreano!

A Vilã | Crítica

A Vilã (Ak-Nyeo)

Ano: 2017

Direção: Byung-gil Jung

Roteiro: Byeong-sik Jung, Byung-gil Jung

Elenco: Ok-bin Kim, Ha-kyun Shin, Jun Sung, Seo-hyeong Kim

Ah, a vingança. Talvez seja, junto com o amor, um dos temas que mais gera histórias para o cinema. Talvez nós já tenhamos visto todos os motivos possíveis e imagináveis para o herói ou heroína do filme serem movidos por este sentimento, mas, mesmo assim, sempre se pode acrescentar alguns novos elementos e contar a história de forma atrativa. E, nesse quesito, parece que A Vilã se saiu muito bem.

Dirigido por Byung-gil Jung, que também assina o roteiro ao lado de Byeong-sik Jung, o filme nos traz a história de Sook-hee (Ok-bin Kim), uma assassina profissional que, após realizar uma verdadeira carnificina contra uma organização criminosa, é capturada pela polícia e é recrutada para ser uma espécie de “agente secreta”. Ela recebe a promessa de que, após 10 anos de serviços prestados, erá libertada, mas desde o início percebemos de que não será assim tão simples.

O filme começa de forma empolgante e esta sensação se mantém durante quase todo o tempo de projeção. Exceto pelo meio do segundo ato, quando a história esfria um pouco e a longa duração do filme (129 min) começa a ser sentida, mas isso logo é amenizado, justamente pelas excelentes sequências de ação. A abertura do filme, por exemplo, surpreende muito.

Não sei se aquela é uma prática comum nos filmes de ação sul-coreanos, dos quais conheço apenas a Trilogia da Vingança, mas um plano-sequência enorme de lutas com a câmera em primeira pessoa, é algo que eu ainda não tinha visto. Ou seja, nós somos apresentados à protagonista através dos olhos dela mesma, enquanto enfrenta dezenas de inimigos, munida de pistolas, depois facas, martelos e até pesos de academia.Nos diversos cenários onde ela encontra os inimigos, a luta vai se adaptando. E isso tudo sem cortes (na verdade, com cortes “escondidos”, que não atrapalham), e sem vermos o rosto da personagem, até praticamente o desfecho da sequência.

No entanto, esta sequência eletrizante não é a única que merece destaque. Em vários outros momentos, Byung-gil Jung dirige de forma criativa algumas lutas em locais menos usuais, como um combate de espadas sobre motos em alta velocidade, ou a luta em um ônibus. Não são perfeitas, pois em alguns momentos são feitos movimentos rápidos demais que mais confundem a compreensão do que auxiliam, mas mesmo assim o ritmo dos enfrentamentos consegue empolgar.

E nessa de altos e baixos, a montagem não-linear acaba sendo eficiente em alguns momentos, mas em outros nem tanto. Na maior parte das vezes, os flashbacks são colocados de maneira tão orgânica que só percebemos que houve este salto para o passado quando notamos que estamos vendo a versão mais jovem de algum personagem. Nestes casos, o filme fica muito fluído e, em alguns momentos, até poético. Entretanto, outras vezes, os saltos temporais são mais secos, apenas para explicar algo, e acabam quebrando o ritmo do filme e atrapalhando a narrativa.

O que ajuda muito A Vilã a funcionar são as atuações convincentes de seus personagens principais. Ok-bin Kim constrói sua Sook-hee de maneira complexa, pois conseguimos enxergar nela a frieza da assassina profissional, mas também a dor e o sofrimento causados pelos traumas que lhe motivam na busca por vingança. É uma pena que a boa atuação de Jun Sung como Hyun-soo tenha sido prejudicada por um arco dramático um pouco confuso.

A Vilã não é exatamente um filme inovador. Mistura elementos que já vimos em Kill Bill, Old Boy, e outras produções mais recentes como Atômica e Kingsman. No entanto, funciona bem ao trazer uma história interessante e uma direção criativa, que não tem medo de arriscar ao dar ao absurdo um ar realista.

Nota do crítico:

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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