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Liga da Justiça | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o aguardado longa da DC Comics!

Liga da Justiça | Crítica

Liga da Justiça (Justice League)

Ano: 2017

Direção: Zack Snyder

Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon

Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy AdamsGal GadotJason Momoa, Ezra MillerRay Fisher, Amy AdamsDiane LaneJeremy IronsJ.K. Simmons

Um filme da Liga da Justiça era o sonho de quase toda a criança que cresceu lendo HQs e/ou assistindo programas infantis pela manhã. Por mais que ótimas produções de super-heróis tenham surgido ao longo dos anos, havia uma lacuna: faltava a super-equipe da DC Comics reunida no cinema. E, bem, a Warner decidiu que iria preencher esse vazio. No entanto, para fazer isso, foi traçado um caminho complicado, com longas que dividiram os fãs e que não conseguiram solidificar o seu universo cinematográfico.

Com muitos problemas em sua produção, desde a saída de Zack Snyder da direção e a entrada de Joss Whedon, passando por exibições-teste negativas, refilmagens milionárias e partes do roteiro sendo reescritas, até o bigode do Henry Cavill, Liga da Justiça tinha tudo para ser um monstro de Frankenstein. E, felizmente, não chegou nesse ponto.

O filme começa com Bruce Wayne/Batman (Ben Affleck) descobrindo que há seres malignos de outro planeta tomando as ruas de Gotham. Assim, ele encaixa umas peças e percebe que algo de ruim está para acontecer. Então, o morcegão resolve reunir um pessoal com, digamos, habilidade especiais, que se juntarão a ele na luta para salvar a humanidade.

Logo, temos cinco membros da Liga da Justiça reunidos: Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Flash e Ciborgue. Todos ali por motivações distintas, sendo que algumas não são muito convincentes, mas ok, eles têm o objetivo de salvar o mundo do Lobo da Estepe (sério, quem escolheu esse vilão?) e é isso o que importa.

Com apenas duas horas de duração e uma série de situações para resolver, Liga da Justiça não tem tempo a perder. E isso traz um problema de ritmo, já que é perceptível que o longa, antes do drástico corte para o cinema, não teria que ser tão condensado. Então, há uma mistura de partes mais desenvolvidas com momentos de pressa. E ter pouca minutagem para contar a história das Caixas Maternas, que é razoavelmente longa, apresentar personagens novos e ainda criar momentos de ação e profundidade – além de muitas piadinhas –, acaba prejudicando o resultado final.

As refilmagens e as mudanças de tom, além de inserções de partes mais divertidas, por assim dizer, também são visíveis. Alguns pontos funcionam, outros não. Um exemplo é o Flash/Barry Allen de Ezra Miller, uma das grandes apostas da DC. O herói não engrena. Suas piadas e caras não convencem e, muitas vezes, são vergonhosas. Uma pena, já que a funcionalidade dele dentro da equipe é um ponto importantíssimo e, provavelmente, Flashpoint será um divisor de águas (para o bem ou para o mal) no universo cinematográfico da DC.

Já Aquaman (Jason Momoa) é uma das boas surpresas do longa. O personagem dá certo, apesar de seu arco não ser convincente e a sequência de Atlantis não fluir bem. Momoa, sem muito esforço, conseguiu fazer do herói, que era piada na internet, ser respeitado e temido. A terceira novidade, Ciborgue (Ray Fisher), mesmo sendo importante para a trama, não conseguiu se destacar – mas não prejudicou o longa, como o Flash, o que já é um mérito.

Mulher-Maravilha (Gal Gadot), que está se tornando o principal nome desse universo cinematográfico, claramente ganhou mais destaque por conta do seu sucesso. E é merecido, apesar das visíveis limitações como atriz de Gadot. Ela protagoniza ótimas sequências de ação, mas acaba sendo vítima de incessantes close-ups com seus sorrisinhos e esses momentos são incômodos e bobos.

O outro já conhecido do público é o Batman de Affleck. E, aqui, só se confirma o que já havia sido mostrado em Batman vs Superman: A Origem da Justiça: Snyder é o responsável por criar a melhor representação do Homem-Morcego nos cinemas. O herói está ótimo, entregando sequências incríveis. Em contrapartida, Affleck como Bruce Wayne não está inspirado e parece ficar entediado quando não está vestindo o uniforme. Mesmo assim, seria um grande erro a troca do intérprete do Batman nessa altura do campeonato.

E se você não viu absolutamente nada sobre Liga da Justiça, pule esse parágrafo, pois chegou a hora de falar sobre Superman (Henry Cavill). Como a maioria já sabe, ele retorna dos mortos nesse longa. E é até interessante como isso acontece, apesar de subverter totalmente o gancho no final de Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Felizmente, o herói tem mais tempo de cena do que era imaginado, o que é ótimo, pois ele é a alma da Liga. Há uma grande mudança de tom no personagem, deixando aquele clima pesado para trás e abraçando uma leveza digna do maior dos super-heróis. É lindo ver o Azulão, finalmente, sendo um verdadeiro símbolo de esperança.

Fechando o leque dos personagens principais, há o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), o grande vilão da trama. E, aqui, temos um dos pontos mais fracos de Liga da Justiça. A motivação do malvadão não tem muito aprofundamento (parece, apenas, que ele é uma criança mimada). Além disso, ele não representa, em momento algum, um perigo real. É como um vilão de um jogo de videogame fácil, que bate nos mocinhos com um machado, mas só machuca, e dá tempo para os seus inimigos recuperarem suas energias e bolarem planos, além de ir embora das batalhas antes de finalizá-las, se guardando para o gran finale. Acredite, o vilão é tão genérico que abre espaço para sentirmos falta do Lex Luthor de Jesse Einseberg.

Assim, com tanto para contar, o longa acaba tropeçando nas explicações. Há uma série de diálogos ruins, em que os personagens detalham excessivamente a história para os outros – que, dentro do contexto do filme, já deveriam conhecê-las. Há uma quebra de verossimilhança. E isso se repete diversas vezes ao longo da história, infelizmente. Um narrador, talvez, tivesse causado menos estranheza.

Bem, já foram destacados muitos problemas de Liga da Justiça. E as coisas boas? Bem, há um misto de sensações enquanto se assiste ao filme. Os problemas atrapalham, obviamente, mas existe algo maior ali. Algo que transcende as falhas e nos abraça. Afinal, estamos presenciando a maior equipe de super-heróis reunida, finalmente, em carne e osso. Quando vemos todos agindo juntos, colaborando e triunfando, é impossível não se emocionar. Sabemos, ali, que há esperança para o universo cinematográfico da DC, sim!

Para todos que cresceram admirando aqueles heróis, independente da mídia, Liga da Justiça é um sonho tomando forma, apesar de ser meio confuso e atrapalhado (como a maioria dos sonhos é). É o melhor filme de super-herói do ano? Não. Está à altura da Liga da Justiça? Também não. No entanto, esse momento é indescritível. Só me resta agradecer por essa experiência.

Obrigado, Zack Snyder e Joss Whedon!

Nota da crítica:

Nota dos usuários:

[Total: 11    Média: 4/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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