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Assassinato no Expresso do Oriente | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre a adaptação da obra de Agatha Christie!

Assassinato no Expresso do Oriente | Crítica

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)

Ano: 2017

Direção: Kenneth Branagh 

Roteiro: Michael Green

Elenco: Kenneth Branagh, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Leslie Odom Jr., Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley

Quem não curte uma boa história de assassinato, em que um detetive tem que juntar todas as peças para encontrar o culpado? Agora, misture a isso humor, um elenco estelar, a elegância dos anos 1930, um diretor competente e um trem (tudo fica mais interessante em um, admita). E, se já fosse interessante o bastante, a produção é uma adaptação da obra de Agatha Christie. Não tem como dar errado, certo? Pois então, não é bem assim…

Kenneth Branagh, conhecido por adaptar diversas vezes as obras de Shakespeare, além de levar às telonas blockbusters como Thor e Cinderela, é o responsável por essa nova versão cinematográfica de Assassinato no Expresso do Oriente. O cineasta também é o protagonista do longa, o detetive Hercule Poirot – dono de um dos bigodes mais chamativos que já passaram pelo cinema.

Logo no início da projeção, vemos Poirot em meio à uma investigação em Jerusalém, buscando resolver o mistério de quem, entre três representantes de distintas religiões, roubou um importante artefato. Nessa introdução, somos apresentados às excentricidades do detetive, seu perfeccionismo e sua obsessão pelo equilíbrio. Ao revelar o culpado pelo crime para a população, em frente ao Muro das Lamentações, conhecemos toda a astúcia e premeditação de Poirot. Ali, somos fisgados pelo personagem e compramos os seus métodos. É interessante e divertido.

No entanto, essa empolgação começa a se esvair quando os demais personagens principais da trama vão surgindo na telona. Com um time de primeira linha, que vai de Judi Dench, Penélope Cruz e Michelle Pfeiffer até Willem Dafoe e Johnny Depp, o longa não aprofunda nenhum dos personagens suficientemente bem, com exceção de Poirot. O detetive acaba tendo um arco dramático de seu passado trazido à tona, mas a sua mudança de comportamento ao longo da história nunca é justificada.

Voltando à história, Poirot embarca no Expresso do Oriente com a esperança de tirar alguns momentos de folga e, assim, poder curtir três dias de descanso a bordo do trem, até chegar ao seu destino. Ali, conhecemos, juntamente com o detetive, as demais figuras que farão a mesma viagem – e que, obviamente, serão suspeitas do assassinato do título. E isso não é feito com naturalidade, infelizmente. Há pressa desnecessária em partes importantes e um ritmo arrastado quando se pede por mais energia.

Há, também, uma montagem não equilibrada no longa, com cenas descartáveis em alguns momentos, com um falho objetivo de desenvolver os personagens que orbitam Poirot. E isso fica ainda mais gritante ao final do longa, quando percebemos que aquilo não serviu para muita coisa. Não somos enganados com eficiência, por não conseguirmos comprar as personalidades dos suspeitos do assassinato. O mistério, que deveria ser o fio-condutor da trama, não tem força. Quando Poirot começa os interrogatórios, em que deveríamos sentir toda a astúcia do detetive, o ritmo cai drasticamente. Não funciona.

Apesar de todos os problemas de desenvolvimento, ritmo, montagem e grandes atores subaproveitados, o principal erro do longa é o seu desfecho. Ainda que não deturpe a obra original, o final, além de não ter qualquer impacto, não se justifica. Temos o velho “fazer justiça com as próprias mãos”, que, sim, acontece em muitos longas, mas aqui se torna mais grave, por uma série de fatores, como premeditação e crueldade. Como se não bastasse, há uma mensagem problemática sobre impunidade e uma completa quebra da personalidade do protagonista, que não é explicada – não suficientemente, pelo menos.

Ok, Assassinato no Expresso do Oriente não é horrível. O filme é elegante e até tem bons momentos, mas não convence. O Hercule Poirot de Branagh é um personagem interessantíssimo e, dentro de uma história que fizesse jus a sua profundidade, seria memorável. No entanto, não foi dessa vez que isso aconteceu. Essa viagem de trem, infelizmente, foi bem menos agradável e divertida do que deveria.

Nota do crítico:

Nora dos usuários:

[Total: 6    Média: 3.5/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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