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Um Perfil para Dois | Crítica

Um Perfil para Dois | Crítica

Um Perfil para Dois (Un profil pour deux)Resultado de imagem para poster um perfil para dois

Ano: 2017

Direção: Stéphane Robelin

Roteiro: Stéphane Robelin

Elenco: Pierre RichardYaniss Lespert, Fanny Valette, Stéphane Bissot, Stéphanie Crayencour, Gustave Kervern, Macha Méril

A vida de pessoas idosas normalmente é romanceada em Hollywood. Alguns filmes conseguem passar a verdade da velhice, como A Juventude. Em Um Perfil para Dois, há a desmistificação da vida amorosa de uma pessoa da terceira idade, alinhando com as tecnologias atuais. O “fardo” para os familiares, que acham que estão protegendo e se sacrificando pela pessoa, o preconceito, a falta de aceitação quando um trauma é superado. Diversos temas delicados são tratados de uma forma leve e verossímil.

A trama gira em torno da vida de Pierre (Pierre Richard), um idoso viúvo que teve uma vida normal, emprego comum e nos dias atuais não consegue sair de casa, por conta da lembrança de sua falecida esposa. O homem parece sempre lembrar de sua amada enquanto jovem, com gravações amadoras. Isso reflete em todo o filme, mostrando a idealização do personagem por uma parceira jovem e bonita.

Em momento algum esse fato faz parecer que Pierre é machista ou depravado, a sutilidade do longa transpassa a nostalgia e o sofrimento do personagem, por estar velho. Pierre decide conhecer mais sobre as tecnologias, contratando Alex (Yaniss Lespert) como seu professor de informática, por indicação de sua filha. O que ele não sabe é que o jovem namora sua neta.

O protagonista decide procurar por um par na internet e, quando conversa com alguém intimamente e marca um encontro, pede para Alex ir em seu lugar. Pierre se apaixona virtualmente por uma jovem de trinta e poucos anos. Parece que o homem apenas quer passar uma visão sobre si para a moça, não necessariamente ter uma relação carnal com ela. Tudo é platônico, sempre valorizando mais as trocas de experiências.

Alex, que não tem um relacionamento saudável com Juliette (Stéphanie Crayencour), neta de Pierre, também se apaixona por Flora (Fanny Valette), a mulher da internet. O desenvolvimento dessa relação é apressado, ao contrário do que é feito com os diálogos pela web. Mesmo assim, é possível comprar o sentimento passado pelo jovem, pois os dois possuem muita química em cena. A desconstrução de uma relação e desenvolvimento de outra é feita com muita pressa, faltou colocar mais uns minutinhos para mostrar a vida de Alex.

A direção, realizada por Stéphane Robelin, que também é a roteirista, utiliza de planos abertos valorizando as belas paisagens de Paris. Os planos fechados dão densidade a diálogos mais pesados. A trilha sonora é linda! Quando saímos do cinema, é inevitável não nos pegarmos cantando as músicas, que são instrumentais em sua maioria.

Os principais problemas do longa ficam por conta do desenvolvimento de algumas relações, por serem apressados demais. Além disso, não há a sensação de que atitudes condenáveis tomadas pelos personagens principais terão algum tipo de punição ou peso na narrativa. O filme todo é leve demais, e alguns personagens são muito compreensíveis, o que tira um pouco o senso de realidade.

Em geral, Um Perfil para Dois pega um assunto relativamente banal: um senhor de idade tentando se encontrar com alguém pela internet e transforma em uma história criativa e divertida. Se trata de uma boa experiência. O longa possui um ótimo ritmo, fazendo com que esqueçamos do mundo e aproveitemos um entretenimento honesto.

Nota do crítico:

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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