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Especial | 11 atores que morreram antes de concluir o seu último filme

Heath Ledger, Paul Walker, Marilyn Monroe, Bruce Lee, Philip Seymour Hoffman, River Phoenix...

Especial | 11 atores que morreram antes de concluir o seu último filme

Acidentes, drogas, ironias do destino. Nesse especial, o Bode na Sala relembra aqueles atores que, infelizmente, partiram cedo demais e deixaram a sua última obra incompleta, mas que ficarão para sempre marcados na memória dos fãs!

Confira a lista:


  • Heath Ledger (04/04/1979 – 22/01/2008), por Rafael Bernardes

O ator, reconhecido por seus trabalhos brilhantes em O Segredo de Brokeback Mountain e em Batman: O Cavaleiro das Trevas, estava gravando O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus quando faleceu em sua casa, vítima de uma overdose. Ainda faltava muito chão para que o longa fosse concluído e, assim, Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell revezaram-se para suprir a ausência de Ledger, interpretando transformações de seu personagem. O resultado final foi ótimo, sendo este o último filme em que o grande ator participou. Ledger, infelizmente, além de não poder terminar o longa de Terry Gilliam, não viu o seu desempenho como Coringa nas telonas, que lhe rendeu um Oscar póstumo.


  • Paul Walker (12/09/1973 – 30/11/2013), por Carlos Redel

Em novembro 2013, Paul Walker, conhecido mundialmente por protagonizar a franquia Velozes e Furiosos, por pura ironia do destino, morreu em acidente de carro, que pegou fogo após uma colisão. Na época, o ator estava filmando o sétimo capítulo da saga de Brian O’Connor e Dominic Toretto. A produção do filme foi interrompida por cinco meses e chegou aos cinemas norte-americanos em 2015, um ano após o previsto. O diretor James Wan e os roteiristas do longa refizeram parte da história e chamaram Caleb e Cody Walker, irmãos do ator, que participaram do restante das filmagens como dublês de corpo. Paul foi recriado digitalmente em algumas sequências e uma emocionante sequência de despedida para o ator/personagem foi inserida no final do longa, levando os fãs da franquia às lágrimas.


  • John Candy (31/10/1950 – 04/03/1994), por André Bozzetti

O ator era famoso pelos seus papéis em filmes de comédia, como Antes Só Do Que Mal Acompanhado (1987)  e Jamaica Abaixo De Zero (1993). Morreu durante as gravações de Dois Contra o Oeste, vítima de um ataque cardíaco fulminante, decorrente de aterosclerose nas coronárias. As cenas faltantes, que eram poucas, foram finalizadas de maneiras diferentes. Algumas delas foram gravadas com o auxílio de um stand-in (espécie de “dublê” para marcar a iluminação, fotografia da cena, etc), outras foram reescritas sem a participação do ator. Em uma cena no bar, por exemplo, usaram tomadas descartadas de uma cena anterior no mesmo cenário.


  •  Bruce Lee (27/11/1940 – 20/07/1973), por André Bozzetti

O mais influente artista de artes-marciais da história, gravou cerca de 30 minutos de cenas de luta para Jogo da Morte, em 1973, mas se afastou para filmar Operação Dragão. Lee morreu em razão de um edema cerebral, possivelmente provocado por uma reação ao uso de analgésicos, antes de retornar às filmagens de Jogo da Morte. Em 1978, o diretor Robert Clouse reuniu um novo elenco, utilizou aquelas filmagens feitas em 1973 e contou com dublês, que escondiam os rostos com óculos escuros ou sombras. Utilizou também closes e até mesmo stills de Bruce na montagem. As cenas do funeral presentes no filme são do enterro real do ator.  


  • Brandon Lee (01/02/1965 – 31/03/1993), por André Bozzetti

O filho de Bruce Lee, estava construindo uma promissora carreira nos filmes de ação, após Massacre no Bairro Japonês (1991) e Rajada de Fogo (1992). No entanto, durante as gravações de O Corvo (1994), uma sucessão bizarra de fatos provocou o acidente que lhe tirou a vida. Uma cápsula das balas falsas de uma cena gravada anteriormente ficou dentro da arma que seria utilizada por Fun Boy (Michael Massee) em seguida. O diretor Alex Proyas alterou a cena de última hora, decidindo que o personagem de Massee atiraria em Eric (Lee). Ao utilizarem balas diferentes, estas com grande quantidade de pólvora, a cápsula que estava alojada na arma foi disparada contra Lee, o matando. Para as cenas que ainda não tinham sido gravadas, foi utilizado um dublê e o rosto de Lee inserido digitalmente quando necessário. Também foram utilizadas tomadas de outras cenas com pequenas correções digitais para se adaptarem e não parecerem fora de lugar.


  • Bela Lugosi (20/10/1882 – 16/08/1956), por André Bozzetti

Um dos ícones do cinema de terror entre as décadas de 1920 e 1940, principalmente por sua marcante interpretação em Drácula (1931). No entanto, com o declínio do gênero no final dos anos 1940, e por ter sua imagem fortemente ligada a este tipo de personagem, acabou esquecido por Hollywood. Foi redescoberto por Edward D. Wood Jr., ou simplesmente Ed Wood, considerado como o pior diretor de todos os tempos. Eles gravaram alguns filmes juntos, mas durante as filmagens de Plano 9 do Espaço Sideral, Lugosi faleceu. Para continuar as filmagens, foi chamado o quiropraxista da esposa de Wood, que aparecia o tempo inteiro com a capa cobrindo o rosto. Bela Lugosi foi enterrado vestido de Drácula, o personagem que o consagrou.


Philip Seymour Hoffman (23/07/1967 – 02/02/2014), por João Vitor Hudson

Philip Seymour Hoffman um premiado ator, tendo sido conhecido por ser um grande parceiro do diretor Paul Thomas Anderson, participando de quatro filmes com ele. Hoffman morreu devido ao consumo excessivo de heroína, cocaína, anfetaminas e tranquilizantes injetados em seu braço. Na época, ele trabalhava nas filmagens de Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1, e deveria ainda aparecer na Parte 2. Uma solução cogitada para a finalização de suas cenas foi a criação de imagens digitais em um processo semelhante ao utilizado em Velozes e Furiosos 7 para o ator Paul Walker. Porém, o diretor Francis Lawrence não gostaria de uma atuação falsa, então as cenas que Plutarch Heavensbee (personagem de Hoffman) deveria participar foram reescritas e passadas a outros personagens. Lawrence disse que não houve manipulação digital nas cenas, mas foi por uma boa razão, não acham?


  • Oliver Reed (13/02/1938 – 02/05/1999), por João Vitor Hudson

Oliver Reed foi um popular ator britânico, que trabalhou em dezenas de filmes nos anos 1950 e 1960, mas que acabou caindo no esquecimento. Porém, foi convidado a participar de Gladiador, famoso longa do diretor Ridley Scott, e acreditava-se que seu papel no filme épico reavivaria sua carreira. Acontece que, faltando apenas três dias para o fim das gravações de suas cenas, Reed morreu em um pub da Ilha de Malta após uma tarde regada a bebida alcoólica e brigas com marinheiros locais. A morte do ator criou um clima desconfortável no set, e Scott optou por gastar US$ 3 milhões na recriação digital de Reed, ao invés de contratar outro ator para finalizar suas cenas, já que a maior parte delas já estava pronta. O resultado foi um Oscar de Melhores Efeitos Visuais para o filme (além de ser premiado em outras quatro categorias).


  • River Phoenix (23/08/1970 – 31/10/1993), por Cristiano Contreiras

River Phoenix vinha de sucessos como Conta Comigo, Garotos de Programa (que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza, o National Society of Film Critics e o Independent Spirit Awards) e a maturidade alcançada em O Peso de Um Passado, no qual obteve indicações ao Oscar e Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. River morreu vítima de overdose de cocaína e heroína do lado externo da boate Viper Room, em Hollywood, em 1993, aos 23 anos. Deixou inacabado o projeto Dark Blood, com cerca de 90% de sua participação filmada. O longa, dirigido por George Sluizer, foi engavetado e só foi lançado em 2012, em um Festival na Holanda, o Nederlands Film Festival, em homenagem ao trabalho deste ator que tinha tudo para prosperar em muitos mais filmes. Uma curiosidade: Phoenix iria fazer o papel do entrevistador em Entrevista com o Vampiro, mas com a sua morte abrupta, Christian Slater entrou em seu lugar. Nos créditos do filme, dedicam a realização da produção a ele.

  • Marilyn Monroe (01/06/1936 – 05/08/1962), por Carlos Redel

A morte de Marilyn sempre foi cercada de muitos mistérios. Versões da história dão conta de que a atriz teve uma overdose acidental, mas as possibilidades de suicídio ou homicídio nunca foram descartadas. Poucas semanas antes de seu falecimento, a atriz havia sido demitida de Something’s Got to Give, produção da Fox que teve um grande atraso de cronograma, devido aos problemas emocionais da atriz. O estúdio, que passava por sérios problemas financeiros devido à complicada produção de Cleópatra,  decidiu manda-la embora. A Fox ainda quis seguir com as filmagens do longa, utilizando a atriz Lee Remick no lugar de Marilyn, porém, Dean Martin, coprotagonista do longa, se recusou a seguir sem a atriz e o projeto foi engavetado. Os 37 minutos das filmagens feitas na época estão disponíveis no documentário Marilyn Monroe: The Final Days.


  • Vic Morrow (14/02/1929 – 23/07/1982), por Carlos Redel

De todas as mortes citadas aqui, essa é, de longe, a mais chocante. Em No Limite da Realidade, versão para o cinema da série Twilight Zone, Vic Morrow interpretava um militar que, em uma cena de guerra, resgatava duas crianças e as levava para um helicóptero. Eis que, durante a gravação da cena, aconteceu o terrível acidente: ele e uma das crianças foram decapitados pela hélice do helicóptero que, após perder o controle, caiu em cima deles, esmagando o outro ator mirim. O diretor John Landis e os produtores, incluindo Steven Spielberg, responderam a um processo judicial, por homicídio involuntário, mas foram inocentados. O filme estreou comercialmente um ano depois da morte de Vic, com cenas do ator no primeiro ato, mas sem a sequência do helicóptero. Morrow é pai da atriz Jennifer Jason Leigh.


Um caso que vale relembrar:

  • James Dean (08/02/1931 – 30/09/1955), por Cristiano Contreiras

James Dean se tornou um ícone da representação juvenil. Um ator que era o símbolo do desejo feminino e da admiração dos garotos da década de 1950. A personificação do rebelde, do contestador. Não é à toa que seus três filmes estabelecem essa figura em cena: o jovem desajustado, carente, em busca de compreensão familiar. Vidas Amargas foi seu primeiro sucesso, dirigido por Elia Kazan, em 1954. Logo depois, surge o seu papel mais conhecido na história do cinema clássico: Juventude Transviada, de Nicholas Ray, tornando-se arquétipo e símbolo de uma juventude sexual e fora dos eixos. O terceiro filme viria, ainda mais maduro, Assim Caminha a Humanidade, de George Stevens, no qual manteve uma atuação no mesmo patamar que seus colegas em cena – Elizabeth Taylor e Rock Hudson. Apaixonado por carros desde menino, ironicamente veio ao seu destino final por conta de sua paixão por velocidade: James Dean tinha apenas 24 anos quando morreu de forma trágica, em um acidente automobilístico. Não viu seu segundo e terceiro filmes serem lançados. Os fãs permaneciam histéricos e sem compreender o destino fatal daquele astro em ascensão. Apesar de ter finalizado os seus filmes, o ator entrou como destaque na lista por obter duas nomeações póstumas ao Oscar de Melhor Ator, pela primeira vez na história da Academia.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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