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Jogos Mortais: Jigsaw | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o oitavo capítulo da franquia!

Jogos Mortais: Jigsaw | Crítica

Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw)

Ano: 2017

Direção: Michael SpierigPeter Spierig

Roteiro: Pete Goldfinger, Josh Stolberg

Elenco: Matt Passmore, Tobin Bell, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson, Clé Bennett, Laura Vandervoort, Paul Braunstein, Mandela Van Peebles  

Quando James Wan nos trouxe o primeiro Jogos Mortais, lá no já distante ano de 2004, fomos surpreendidos com uma história incrivelmente angustiante, tensa e que fazia o espectador ficar grudado na poltrona. Tínhamos, ali, um respiro muito bem-vindo no gênero de terror. O filme, de baixo orçamento, fez um enorme sucesso e, obviamente, as sequências não tardaram – mas, aí, sem Wan. Assim, tivemos um bom segundo filme e um interessante desfecho da franquia em Jogos Mortais III, com a morte de Jigsaw (Tobin Bell), um dos mais icônicos assassinos da ficção do século XXI.

No entanto, crianças, nunca devemos subestimar a vontade de ganhar dinheiro dos produtores de Hollywood. Logo, Jogos Mortais ganhou não só uma, nem duas, muito menos três, mas sim quatro continuações. Se você se perdeu nas contagens, tivemos sete filmes da franquia, entre 2004 e 2010. Obviamente, a fórmula cansou e as histórias já não estavam mais fazendo sentido. Então, os produtores decidiram encerrar a saga de Jigsaw (que já tinha acabado lá no terceiro filme, mas ok) no sétimo capítulo, que prometia ser o último, tanto que no Brasil recebeu o título de Jogos Mortais: O Final.

Nesse “final”, vimos que a franquia já não tinha para onde ir. O longa, além de ser muito ruim, deturpa toda a história criada nos três primeiros capítulos. Vergonha alheia total. Tá, beleza, pelo menos acabou, certo? É, não. Vocês lembram lá do conselho de não subestimar os produtores de Hollywood, né? Pois bem. Eis que esse pessoal resolve desenterrar Jigsaw e, assim, fazer um novo filme, para comemorar(?) o aniversário de 10 anos da morte do assassino que gostava de criar armadilhas mirabolantes para punir pessoas de má conduta.

Mas de que maneira isso poderia dar certo? Bem, já nos trailers, vemos que Tobin Bell, o intérprete de John Kramer/Jigsaw está de volta. E, assim, as conhecidas – e extremamente engenhosas – armadilhas do assassino também retornam, juntamente com novas mortes punitivas. E eis que surge a principal questão do filme: “John Kramer está vivo?”. E é complicado falar sobre o longa sem dar spoilers, visto que tudo converge para o “grande plot twist”.

O que é surpreendente em Jogos Mortais: Jigsaw é que ele seria interessante… Se fosse uma continuação direta do terceiro longa, algo que ele até tenta ser, desconsiderando boa parte da franquia. Se não tivéssemos quatro – ruins – capítulos no meio do caminho, provavelmente, a nova produção poderia ter se saído melhor. Mas já vimos aquela trama. Tudo acaba virando mais do mesmo, apesar do suspense sobre John Kramer estar vivo ou não – o que é meio bobo, para quem conhece a história.

Para essa oitava empreitada de Jigsaw, os irmãos Spierig, que vinham do elogiado 2019: O Ano da Extinção e do ótimo O Predestinado, assumem o comando do longa. E, tecnicamente, não há muito do que reclamar. É nítido que a direção é realizada por bons profissionais, diferentemente de Jogos Mortais: O Final, por exemplo, que dava vontade de chorar – de tanta vergonha – assistindo. Nesse novo longa, há uma atmosfera interessante no ar, tudo bem filmado e feito com cuidado. Mas, isso, são acertos técnicos. E um filme não se sustenta só com isso.

A história, dessa vez, não foca tanto nos assassinatos mirabolantes (como assim?), mas sim na investigação deles. O longa começa com uma interessante armadilha, em que os participantes têm baldes presos às suas cabeças e, para que escapem de um destino cruel, precisam fazer um pagamento de sangue. E, assim, se iniciam as mortes – que não são tantas. Há boas armadilhas na película, mas se perdeu aquilo que fez a franquia se tornar tão sólida (nos primeiros capítulos, pelo menos): a empatia por quem está preso e prestes a ser despedaçado. Dessa vez, somos apenas observadores, sem qualquer conexão com o sofrimento daqueles personagens.

Quando os corpos começam a aparecer, o médico legista Logan Nelson (Matt Passmore), que afirma ter sido torturado na guerra e que já havia trabalhado no caso, e sua assistente Eleanor Bonneville (Hannah Emily Anderson), obcecada por Jigsaw, iniciam uma investigação ao lado dos detetives Halloran (Callum Keith Rennie) e Keith Hunt (Clé Bennet) para descobrir quem está por trás daqueles assassinatos – que apontam diretamente para Jigsaw. E, entre os quatro, há sempre o clima de “esse vai ser o próximo” e “opa, acho que esse é cúmplice”. E quando temos a tão aguardada resposta, ficamos meio que “ah, sério que é isso?”.

Jogos Mortais: Jigsaw não é de todo ruim, comparando com os seus infelizes antecessores, mas está longe de ser um bom filme e mais longe ainda de ser tão significativo quanto o longa original. Apesar disso, ele é assistível – e isso já é uma grande vitória. No entanto, cada vez fica mais claro de que Jigsaw, vivo ou morto, está cansado de criar armadilhas e deveria ser deixado em paz. Assim como nós.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 15    Média: 3.6/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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