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Stranger Things – 2ª temporada | Crítica

Confira a opinião de Diego Francisco sobre o segundo ano da série da Netflix!

Stranger Things – 2ª temporada | Crítica

Stranger Things – 2ª temporada

Ano: 2017

Criadores: Matt Duffer, Ross Duffer

Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Cara Buono, Noah Schnapp, Joe Keery, Sadie Sink, Dacre Montgomery, Sean Astin, Paul Reiser

Ninguém esperava que Stranger Things fosse o sucesso que foi. Antes da estreia da primeira temporada, não havia antecipação ou hype acerca da série, mas isso não a impediu de instantaneamente conseguir a atenção das massas e se tornar um fenômeno absoluto. Ninguém parava de falar na atração, que ressuscitou o espírito dos anos 1980. A Netflix se animou para o segundo ano e o aumento no orçamento é visível: os efeitos especiais melhoraram muito, existem mais cenas no Mundo Invertido, toca mais músicas da época e o elenco está maior. Sequências costumam se empolgar em fazer tudo mais grandioso e melhor do que seus antecessores e acabam esquecendo na narrativa, o que, felizmente, está longe de ser o caso.

Quase um ano após o retorno de Will (Noah Schnapp), as coisas não melhoraram para nenhum dos envolvidos no incidente com o Demogorgon. Mike (Finn Wolfhard) sofre com a falta que Eleven faz na sua vida e, apesar da volta do melhor amigo, ele consegue identificar que o Will não está bem e se preocupa com ele. Nancy (Natalia Dyer) se sente culpada pela morte da Barb (Shannon Purser) e tem de lidar com os pais da amiga, que ainda não sabem o que aconteceu com a filha. Will sofre com as limitações impostas pela mãe, Joyce (Winona Ryder), e pelo irmão, Jonathan (Charlie Heaton), que temem que ele se perca novamente.

Todos os personagens evoluem com o passar da temporada e a surpresa fica por conta do Steve (Joe Keery), que deixa de ser o babaca popular do ano passado e se tornou um cara legal que coopera muito com o resto do grupo, virando amigo das crianças. A relação de Hopper (David Harbour) com a Eleven (Millie Bobby Brown) é um dos pontos fortes da temporada, enquanto a menina vê o xerife como a figura paterna que ela nunca teve e o mesmo a vê como a filha que perdeu cedo demais. Os dois dividem os momentos mais tocantes do enredo.

A paz não perdura na, até então, pacata cidade e o Laboratório de Hawkings é o epicentro de todos os eventos sinistros que ocorrem. No entanto, os cientistas não assumem mais o papel de vilões da trama. Os novos funcionários do laboratório substituem os antigos depois de todos morrerem no ano anterior e, por incrível que possa parecer, eles genuinamente querem ajudar Will a superar os problemas que desenvolveu enquanto desaparecido na outra dimensão e fechar o perigoso portal do Mundo Invertido, esforços que parecem vão.

Paul Reiser surge como o Dr. Sam Owens, figura sempre com um sorriso amigável no rosto, o que esconde suas verdadeiras intenções. As outras adições ao elenco são excelentes, Max (Sadie Sink), garota nova na cidade, rapidamente se torna amiga do grupo e ajuda a suprir a falta da Eleven, o que faz Mike detestá-la gratuitamente, sua marra e personalidade forte fazem dela uma personagem adorável; e Bob Newby (Sean Astin, de Os Goonies) é bastante amigável e vira uma figura paterna para um Will em tempos de necessidade.

Diversos mistérios estão permeando Hawkings e, seguindo a mesma fórmula da temporada anterior, as investigações individuais de cada grupo os levam para o mesmo problema principal. Desta vez, os garotos se separam, criando interessantes dinâmicas: Dustin (Gaten Matarazzo, hilário) tem de lidar com as consequências de uma escolha ruim que fez, Lucas (Caleb McLaughlin) tenta se conectar com a Max e Mike fará de tudo para ter o Will de volta. Eleven tem o melhor arco da temporada, tentando encontrar um lugar para chamar de lar, que não o identificava nem na residência dos Wheelers ou na casa do Hopper, ainda incerta de qual o seu lugar no mundo.

Se o Demogorgon já era de dar medo, o Monstro das Sombras é pior. O desafio de derrotar a primeira criatura parece fácil quando comparada ao novo oponente, que é infinitamente mais poderoso e representa uma ameaça capaz de destruir o mundo. A estranha conexão que ele estabelece com o Will o torna um inimigo quase impossível de ser derrotado. E existem diversos outros conflitos saídos diretamente do Mundo Invertido que acrescentam tensão a todas as cenas.

O primeiro ano de Stranger Things trazia referências demais aos filmes da década de 1980, algumas cenas chegavam a ser diretamente retiradas dos clássicos. Agora, a série amadurece e não depende mais de outros sucessos, encontrando a sua própria voz. Mas nem tudo é positivo. O sétimo episódio, The Lost Sister, por exemplo, é um grande filler, que não impacta a narrativa em nada e interrompe todas as tramas do episódio anterior, que acaba num ponto muito alto. Para uma espécie de fan service que deu errado, o episódio é tão fora de lugar que ele nem se encaixa com o clima da série.

A segunda temporada prova que a série está longe de perder a criatividade e mostra que tem potencial para se segurar nos próximos dois anos até então confirmados. Com outro final que consegue ao mesmo tempo fechar todos os eventos da temporada e deixar espaço aberto para mais, Stranger Things prova mais uma vez que é digna do sucesso que conseguiu e, como série de mistério, precisa saber exatamente quando acabar.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 8    Média: 3.8/5]

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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