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Thor: Ragnarok | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o novo filme do Deus do Trovão!

Thor: Ragnarok | Crítica

Thor: Ragnarok

Ano: 2017

Direção: Taika Waititi

Roteiro: Eric Pearson, Craig Kyle, Christopher Yost

Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Mark Ruffalo, Cate Blanchett, Tessa ThompsonIdris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Anthony HopkinsTaika Waititi

A missão do diretor Taika Waititi em Thor: Ragnarok não era muito difícil, mas importante: entregar um bom filme solo do Deus do Trovão, uma vez que as duas aventuras anteriores do herói não caíram nas graças dos fãs. Bem, o cineasta, que já havia mostrado que pode fazer coisas malucas e interessantes atrás das câmeras, como no excelente O Que Fazemos nas Sombras, aqui prova que consegue fugir da já desgastada fórmula da Marvel. Ou quase isso.

Baseado, praticamente, no humor e no absurdo, Thor: Ragnarok se desprende das amarras, digamos, mais sérias dos filmes anteriores do personagem, e consegue ser despretensioso e engraçado. Além disso, é uma diversão independente, ou seja, é assistir, rir bastante e ir embora fascinado com aquele show de cores e piadas, sem se preocupar com mensagens filosóficas ou alarmantes problemas no futuro dos personagens.

Trazendo para as telas muitos elementos vibrantes de Jack Kirby, a nova aventura do Deus do Trovão é uma explosão cósmica fascinante, com muito colorido, lasers, naves e espaço sideral. Tudo isso embalado com a sensacional composição musical que remete aos anos 1980 de Mark Mothersbaugh – e isso é um marco, visto que, pela primeira vez no MCU, temos um trabalho que realmente chama atenção nessa área.

A sequência de abertura, com Thor fazendo muitas piadas, detonando tudo e com “Immigrant Song”, de Led Zeppelin, brilhantemente ditando o ritmo, empolga e mostra o que será o filme dali em diante. E essa promessa não é quebrada. Somos transportados por uma viagem alucinante de duas horas, recheadas de momentos assim.

Tá, mas e a história? Em sua terceira aventura solo, o Deus do Trovão precisa evitar o Ragnarok. Ou seja, a destruição total de Asgard pelas mãos de Hela, a Deusa da Morte, vivida pela sempre ótima Cate Blanchett (que parece estar bem à vontade nesse universo de super-heróis). Ao ter o seu Mjölnir destruído pela vilã, Thor acaba caindo em Sakaar, um planeta que abriga a escória da humanidade.

Ali, o herói é obrigado a virar um gladiador. E, para ganhar a sua liberdade, precisa vencer o campeão todo-poderoso do lugar: o Hulk! Depois de boas piadas e uma interessante luta entre os personagens, o Deus do Trovão se prepara para fugir, voltar ao seu planeta-natal e evitar o apocalipse. Para isso, ele reúne Valquíria (que o vendeu para lutar naquele lugar), Bruce Banner e seu irmão Loki. Junto, o quarteto forma uma improvável, mas não forçada, equipe para salvar Asgard.

Visivelmente, Thor: Ragnarok tem mais liberdade que muitos dos filmes da Marvel, seguindo os passos do ótimo Guardiões da Galáxia, de James Gunn. E isso se reflete nos atores, que estão muito mais à vontade em cena e, consequentemente, entregam momentos inspirados. Sob a batuta de Waititi, tudo no novo longa do Deus do Trovão vira piada. E essa é uma das principais qualidades do filme: saber rir de si mesmo.

Thor, aqui, não é mais aquele personagem sério, como conhecíamos. Ele virou um bonachão. E isso é ótimo. No entanto, abre uma dúvida: afinal, quem é Thor? Como ocorreu essa mudança tão grande em sua personalidade? Bom, não sabemos. E também não importa. O Bruce Banner de Mark Ruffalo também sofre com essas mesmas alterações internas, mas é justificável, visto que o cientista ficou preso dentro do Hulk por dois anos. O Loki de Tom Hiddleston já seguiu o caminho inverso, ficando mais contido e, talvez, sentindo o peso de suas ações travessas, mas graves.

Obviamente, não poderíamos fazer uma crítica de Thor: Ragnarok sem falar de Jeff Goldblum, o Grão-Mestre de Sakaar. O ator está ótimo, como sempre, sendo Goldblum como nunca. Todas as suas falas são extremamente bem colocadas e seus trejeitos maravilhosos. Sempre que ele aparece na tela, é um deleite. Tessa Thompson, a Valquíria, também merece aplausos. Uma das melhores inserções recentes do MCU. Além disso, Waititi, que está no elenco como o querido monstrengo Korg, rouba as cenas em que aparece para si.

Outro grande destaque do filme é o Hulk, obviamente. Trazendo elementos do Planeta Hulk, o Gigante Esmeralda, finalmente, ganha voz e uma interessante personalidade, que ora é furiosa e descontrolada, ora é birrenta e se chateia facilmente. As cenas entre o verdão e Thor são impagáveis. Ruffalo está ainda mais integrado ao personagem, fazendo um ótimo trabalho como Banner e como Hulk.

“Poxa, mas que maravilha de filme, hein?” Bem, também não vamos exagerar. Nem tudo funciona bem em Thor: Ragnarok. Na verdade, longe disso. O longa tem problemas de desenvolvimento, ficando, em alguns momentos, com a fluidez comprometida. E mais grave ainda: falta foco no problema principal. Existe um certo desapego por parte dos personagens por Asgard, mesmo ela sendo o objetivo principal da trama. Os heróis se concentram muito mais em Sakaar, com o propósito de desenvolver um arco sólido para Hulk, do que em evitar o Ragnarok.

Outro ponto fraco da produção são os efeitos especiais. E isso parece meio absurdo, visto que é um longa que, provavelmente, tem computação gráfica em quase todas as suas cenas. Há momentos que não chegam a quebrar a experiência cinematográfica, mas dão um tropeço chato na nossa imersão. Já vimos trabalhos melhores na telona – e nos próprios filmes da Marvel – há anos.

Mas, assim, com essa pegada despreocupada com o passado e com o futuro, Thor: Ragnarok consegue fugir – bastante, mas não totalmente – da fórmula estabelecida pela Marvel. Dando mais liberdade para Waititi, assim como fez com Gunn, a Casa das Ideias conseguiu entregar uma diversão passageira, mas cheia de personalidade e momentos que realmente diferem daquilo que já estávamos acostumados, para o bem e para o mal. E isso é extremamente positivo.

Com boas surpresas, o novo filme do Deus do Trovão consegue ser o melhor do personagem e uma das mais divertidas produções do ano, aproveitando todas as brechas que lhe foram abertas. É uma pena que tivemos que esperar tanto tempo para ver Thor brilhando – literalmente – desse jeito. O personagem estava merecendo um bom filme. E nós, os fãs, mais ainda. Finalmente, a espera acabou!

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 2.5/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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