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Especial | Continuações que conseguem ser ainda melhores que os filmes originais

De vez em quando, somos surpreendidos com sequências que conseguem ser ainda melhores que os seus antecessores!

Especial | Continuações que conseguem ser ainda melhores que os filmes originais

Quem nunca viu um determinado filme que consegue um sucesso absurdo, tanto em bilheteria como crítica? Muitas vezes, isso leva o estúdio a ser, digamos, ganancioso, e tentar uma continuação que, geralmente, não supera o original. Isso aconteceu inúmeras vezes: Matrix, Se Beber, Não Case, Duro de Matar, Rocky… E por aí vai. É quase uma regra que uma sequência não consiga obter a mesma qualidade do primeiro. Porém, como toda regra, há exceções, e é justamente delas que vamos falar no especial de hoje.

Confira continuações que são melhores que os filmes originais:


  • O Poderoso Chefão: Parte II (1974), por Elaine Timm

Não foi à toa O Poderoso Chefão: Parte II ser a primeira continuação a receber o Oscar de Melhor Filme. Francis Ford Coppola entrega um longa tão empolgante quanto o primeiro e estabelece ao espectador uma maior intimidade com a família Corleone. Para esse feito, o diretor desenha duas histórias paralelas que se complementam. A primeira apresenta Michael Corleone (Al Pacino) já exercendo a função que cabia ao Padrinho na parte I e, paralelo a isso, temos o fator que coloca essa sequência em um patamar mais elevado, tornando o roteiro ainda mais interessante. Coppola nos apresenta o passado de Vito Corleone (Robert De Niro), mostrando os caminhos que levaram o jovem a se tornar o grande mafioso que conhecemos no primeiro filme. Se ainda há dúvidas de que essa sequência seja ainda melhor que o original, saiba que esse longa entrega umas das falas mais icônicas da história do cinema: “Você partiu meu coração, Fredo”. O Poderoso Chefão: Parte II é uma obra-prima ambiciosa de Francis Ford Coppola e fica marcado como uma das mais bem sucedidas sequências do cinema.


  • O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), por André Bozzetti

Em 1984, fomos apresentados àquele que é o mais icônico personagem de Arnold Schwarzenegger: O Exterminador T-800. Um ciborgue enviado de um futuro em que as máquinas aniquilaram praticamente toda a espécie humana, restando poucos sobreviventes que ainda resistem à extinção completa. A missão do T-800 é matar Sarah Connor (Linda Hamilton) que, no futuro, se tornará mãe do líder da resistência contra as máquinas: John Connor. Uma história sensacional, com um fechamento fantástico, e que não necessitava uma continuação. Mais do que isso, ao realizar uma sequência de uma trama tão coesa, corria-se o risco de estragar a memória daquele filme tão cultuado. Alguma coisa podia ser acrescentada à obra original? James Cameron provou que sim. Sete anos depois do lançamento do primeiro filme, Schwarz retorna como um ciborgue do mesmo modelo do anterior, mas dessa vez para proteger o jovem John Connor de um exterminador mais moderno, mais poderoso e muito mais perigoso do que ele: o fantástico T-1000. Ao som de Guns N’ Roses, muita ação, humor na medida certa e efeitos especiais inovadores, O Exterminador do Futuro 2: o Julgamento Final conseguiu superar o seu antecessor, tornando-se um dos principais filmes de ação da década de 1990. Novos paradoxos relacionados às viagens no tempo, o fantástico arco dramático de Sarah Connor, a real sensação de ameaça provocada pelo vilão T-1000, sequências épicas de tiroteios e frases memoráveis como “Hasta la vista, baby”, são alguns dos ingredientes que o tornam tão formidável. Para completar, ainda consegue deixar uma linda mensagem na sua conclusão: “Se uma máquina, um Exterminador, pode aprender o valor da vida humana, talvez nós possamos também”.


  • Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), por André Bozzetti

Em 2005, Cristopher Nolan ressuscitou o Batman nos cinemas, após os atentados que Joel Schumacher cometeu contra o personagem em Batman Eternamente (1995) e Batman e Robin (1997).  Com uma abordagem mais realista e um ambiente mais sombrio, Batman Begins agradou público e crítica, que voltaram a respeitar o Homem-Morcego, agora interpretado por Christian Bale, e garantiu um voto de confiança para a produção de suas continuações. Três anos depois, a confiança foi recompensada. Batman: O Cavaleiro das Trevas seguiu fiel à estética e ao realismo de seu antecessor e, por não precisar de uma nova introdução aos eventos, pode partir direto ao que interessa, que era lidar com os aliados e inimigos do Batman. A trama com Harvey Dent (Aaron Eckhart) e o Comandante Jim Gordon (Gary Oldman) foi muito bem elaborada, e o surgimento do emblemático Coringa vivido por Heath Ledger alçou o longa ao Olimpo das adaptações de quadrinhos, sendo considerado por muitos como o melhor filme de super-heróis já feito.


  • Invocação do Mal 2 (2016), por João Vitor Hudson

O terror de possessão do diretor James Wan lançado em 2013 foi um tremendo sucesso. Tão sucesso que até rendeu dois spin-offs focados na boneca Annabelle, e uma continuação lançada em 2016. Se o primeiro Invocação do Mal já era bom, Wan fez algo incrível com o segundo: uma sequência de um filme de terror que supera o original. Em Invocação 2, Ed e Lorraine Warren (interpretados por Patrick Wilson e Vera Farmiga, ambos ótimos) são levados à Londres dos anos 1970 (com direito à The Clash) para ajudar a solucionar o caso de uma família atormentada por espíritos malignos. O filme é notável por apresentar dois novos monstros para a coleção de Wan (o Homem Torto e a Freira), mas muito além disso, ele eleva a maiores proporções os casos de possessão, envolvendo a imprensa, outros investigadores paranormais e até mesmo farsas sobrenaturais. Uma das cenas mais memoráveis do filme é justamente aquela que serve como um momento de paz na vida da família Hogdson, com Ed Warren fazendo um cover no violão de “Can’t Help Falling in Love”. Wan novamente conseguiu mais um sucesso e já tem um terceiro filme previsto, que pode ser ambientado nos anos 1980 e envolver um caso de lobisomem.


  • Homem-Aranha 2 (2004), por Carlos Redel

Homem-Aranha 2 não só pode ser considerado superior ao seu antecessor como, para muitos (me incluo fortemente), é o melhor filme de super-herói de todos os tempos. A trama gira em torno de um Peter Parker (Tobey Maguire, saudades) que está em dúvida se deve ou não continuar sendo o Amigão da Vizinhança, uma vez que sua vida pessoal está um desastre por conta de suas “tarefas extracurriculares”. Sam Raimi, em um trabalho impecável, consegue fazer um longa de tirar o fôlego, dando um salto técnico impressionante e entregando momentos que ficaram marcados para sempre na memória dos fãs, como a sensacional sequência do trem. Com um vilão de respeito, o classudo Doutor Octopus (Alfred Molina), e todo o confronto interno de Peter, Homem-Aranha 2 não só é um grande filme sobre um personagem de HQ como, também, é um lindo exemplo de heroísmo, daquele puro mesmo, do tipo em que o herói sempre está disposto a se sacrificar pelos inocentes. E o discurso da Tia May (Rosemary Harris), em que ela diz que todo mundo ama um herói, é um dos momentos mais emocionantes dos longas desse subgênero. Que filme!


  • Mad Max 2: A Caçada Continua (1981), por João Vitor Hudson

Em 1979, George Miller apresentou ao mundo Max Rockatansky (Mel Gibson), um policial australiano num futuro não muito distante que perde sua família e seu parceiro de trabalho, ficando assim “louco” (como diz o título). O sucesso foi tanto ao redor do mundo que uma continuação era inevitável, e ela aconteceu dois anos depois. Mad Max 2 não é uma sequência imediata do primeiro, tanto que não sabemos quanto tempo se passou desde que o protagonista derrotou Toecutter. Mas uma coisa é certa: o filme é superior em muitos níveis. Aqui, o planeta se tornou deserto e sem lei, após uma guerra de proporções cataclísmicas devido à uma disputa por petróleo. O foco é em uma pequena comunidade que está cercada por uma gangue que quer tomar para si todo o estoque de combustível que pertence aos moradores do local. Os destinos dessa comunidade e de Max acabam se cruzando, e o mesmo se alia à ela. Com foco em seus próprios interesses, Max, relutantemente, assume o papel de herói e ajuda aquele povo inocente. Com um visual estupendo, Mad Max 2 é o filme que realmente definiu o que é aquele mundo da franquia, cheio de punks e veículos criativamente surtados. Por tudo isso, acabou sendo considerado um dos melhores longas lançados em 1981.


  • X-Men 2 (2004), por Carlos Redel

Só a sequência de abertura, em que Noturno (Alan Cumming) invade a Casa Branca, já coloca esse filme em um patamar superior. X-Men: O Filme, lançado lá em 2000, deu um grande impulso aos filmes de super-heróis, sendo bem recebido pela crítica e fazendo um bom dinheiro em bilheteria – e os estúdios viram isso com água na boca. Com esse sucesso, não demorou para que a Fox aprovasse uma continuação. Ainda bem! Pois, não sabíamos o quanto queríamos isso… Em 2003, X-Men 2 chegou metendo o pé na porta, com uma história ainda mais interessante que a do primeiro filme, mais segurança naquela ambiente ainda meio estranho das adaptações cinematográficas de HQs e o mais importante: não ficou datado como o seu antecessor. Bryan Singer estava no controle da situação e sabia exatamente o que queria fazer – e fez! Nos aprofundamos mais nos conflitos que permeiam o mundo dos mutantes e passamos a nos importar ainda mais com eles. Uma pena que, três anos depois, tivemos X-Men: O Confronto Final, que foi, digamos, meio decepcionante, visto que tínhamos vindo de um incrível X:2


  • Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010), por Rafael Bernardes

O filme Tropa de Elite chegou e virou febre no Brasil, com uma enxurrada de frases de efeito e inúmeras músicas memoráveis. A continuação teria que ser ainda mais impactante e icônica, mostrando mais daquele universo do BOPE, que parecia estar fechado, com uma história concluída. Porém, José Padilha conseguiu ir mais a fundo em questões sociais e realizar um filme maduro, estabelecendo a franquia. Tropa de Elite 2 é superior ao primeiro, podendo ser considerado como um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos. A imersão da trama na corrupção política e policial com uma veracidade impressionante consolidou o longa. Com certeza, se trata de uma obra-prima do cinema!


  • Capitão América: O Soldado Invernal (2014), por Carlos Redel

Como se Capitão América: O Primeiro Vingador já não fosse bom o bastante, a Marvel veio e nos deu de presente uma continuação ainda melhor: Capitão América: O Soldado Invernal, dirigido com precisão pelos Irmãos Russo – que, após o ótimo resultado, caíram nas graças do estúdio e estão, agora, comandando o “desfecho” da primeira geração do Universo Cinematográfico da Marvel. A trama de O Soldado Invernal nos coloca no meio de um interessante jogo político e de espionagem, em que Steve Rogers (Chris Evans) tem que confrontar o seu passado e, também, estar no centro do futuro da S.H.I.E.L.D. Com ótimas sequências de ação, um tom mais sóbrio e um ritmo bem empolgante – quem não curte uma boa conspiração? -, esse belo longa foi um divisor de águas no MCU e, certamente, deixou os fãs do bandeiroso bem felizes com o resultado final. Não só é melhor que o seu antecessor, como é um dos melhores do Marvel Studios.


  • Aliens: O Resgate (1986), por Diego Francisco

Olha James Cameron na lista de novo! Ridley Scott pode ter sido a mente por trás da criação do clássico da ficção científica e do terror, mas foi sem ele que a franquia atingiu o seu ponto máximo. Com a soberba direção de Cameron (acima da média, como sempre), os conceitos apresentados pelo primeiro filme foram elevados à enésima potência, o que originalmente era um survivor horror com apenas um xenomorfo se transformou em um filme de ação com dezenas, centenas deles. Não só a Ripley (Sigourney Weaver) está badass como sempre, mas também somos apresentados a novos e empolgantes personagens como Hicks (Michael Biehn), Hudson (Bill Paxton), Vasquez (Jennete Goldstein) e a fofíssima Newt (Carrie Henn). Custando inacreditáveis US$ 20 milhões de dólares, Aliens facilmente tem os melhores momentos da franquia: a relação da Ripley com a pequena Newt é tocante, todas as cenas de ação do filme são intensas e muito bem executadas e não dá para deixar de fora a icônica luta final contra a Rainha, né? “Get away from her, you bitch”.


  • Blade Runner 2049 (2017), por Diego Francisco

Opa, outra franquia iniciada por Ridley Scott em que a continuação foi melhor que o original dirigido por ele? Que coisa, não? Sem querer faltar com respeito ao clássico de 1982, que influenciou dezenas de ficções científicas ao longo das décadas, mas aqui o trabalho feito pelo canadense Denis Villeneuve superou o longa original em quase todos os aspectos e essa conquista não se encontra só na parte técnica, que seria injusto comparar com mais de 30 anos de melhorias; mesmo mantendo o ritmo lento de conduzir a trama, tem uma condução melhor ritmada, o trabalho de detetive feito por K (Ryan Gosling) é mais empolgante e o problemático romance entre Deckard (Harrison Ford) e Rachael (Sean Young) é facilmente superado pela mais convincente e envolvente relação de K com a amável Joi (Ana de Armas). Respeitando as suas origens e expandindo o universo de maneira satisfatória, Blade Runner 2049 encontra seu sucesso por trazer novos ares a franquia. Todos nós vimos o que Scott está fazendo com a franquia Alien, não vimos?


Shrek 2 (2004), por Diego Francisco

Shrek foi o filme que levou os estúdios DreamWorks Animation a alcançar o sucesso, então nada mais justo ele ganhar mais continuações do que precisava. Shrek 2 não foi só a única sequência que vale a pena assistir como conseguiu ser melhor que o primeiro. Shrek (voz de Mike Myers) deve arcar com as consequências da vida de casado ao ter que ir ao reino de Tão Tão Distante conhecer os pais da Fiona (voz de Cameron Diaz) e se tornar oficialmente um membro da família real. Divertido tanto para crianças quanto para adultos (algumas piadas são levemente inapropriadas para as crianças, que não devem entendê-las de qualquer jeito), com ainda mais referências a cultura pop e transmitindo a mensagem de se aceitar como você é, Shrek 2 foi o último filme bom de uma franquia que perdeu a mão – mas só nos filmes principais, o spin-off do Gato de Botas (voz de Antonio Banderas) é excelente.


E aí, acha que faltou algum continuação memorável na lista? Conte pra gente nos comentários!

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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