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A Babá | Crítica

Confira a opinião de João Vitor Hudson sobre o filme

A Babá | Crítica

A Babá (The Babysitter)

Ano: 2017

Direção: McG

Roteiro: Brian Duffield

Elenco: Samira WeavingJudah LewisBella ThorneHana Mae LeeRobbie AmellEmily Alyn LindAndrew BachelorLeslie BibbKen Marino

Um dos subgêneros mais legais do terror é o trash. Lá na década de 80, Sam Raimi entregou ao mundo sua visão do que era o trash e conquistou o mundo. A premissa de Evil Dead (ou A Morte do Demônio para os mais íntimos) não podia ser mais básica: um bando de adolescentes/jovens adultos encontra um livro “aparentemente” satânico que liberta um monte de demônios em uma cabana no meio da floresta; a partir disso, muita gente começa a morrer e muito sangue jorra na tela. O filme era (e ainda é) muito legal, agradou a crítica e até mesmo Stephen King. Não teve uma bilheteria estrondosa, mas é um clássico que se tornou um objeto de culto dos mais aficionados fãs de terror e de trash. Mas o foco aqui não é Evil Dead, e sim A Babá.

A Babá pega parte dessa premissa, tira os demônios e acrescenta uma versão pré-adolescente de Macaulay Culkin em Esqueceram de Mim presente na figura do protagonista Cole (Judah Lewis). O personagem é inseguro, não possui uma grande autoestima e tem uma babá até hoje, mas ele não se importa muito com esse último fato. Bee (Samara Weaving) é mais do que uma babá para Cole: ela o protege dos valentões da rua, levanta a moral dele, participa de brincadeiras muito legais que inventam, veem clássicos do cinema juntos… Em outras palavras, seria a babá “perfeita” na concepção do filme. Um dia, seus pais decidem fazer uma viagem, e por influência de sua vizinha (e crush) Melanie (Emily Alyn Lind), Cole decide observar o que Bee faz depois que ele vai dormir. Com os hormônios à flor da pele, a teoria é de que ela chama alguém para transar em segredo, e para a surpresa de Cole, ele acaba encontrando mais gente do que o esperado.

Quando entra o segundo ato, a história adquire todos aqueles clichês de filmes adolescentes e de terror. Os personagens aqui são um negro, um nerd, uma líder de torcida loira e burra, uma japonesa e um bonitão sem camisa. A brincadeira é Verdade ou Consequência, e uma dessas consequências resulta em um sacrifício. O diretor McG (de As Panteras) foi extremamente competente neste momento, pois ele conseguiu abraçar o gore e acrescentar toques de Todo Mundo em Pânico, mostrando qual é a real missão deste filme: simplesmente divertir. Depois de Cole ficar assustado com o que viu, ele toma decisões muito precipitadas e se torna o principal alvo dos jovens, e daqui para frente já dá para imaginar o que acontece.

A Babá tira sarro o tempo todo dos exageros, e a violência extremamente gráfica do gore é muito bem aplicada, a ponto dos próprios personagens perceberem isso. Uma barra de ferro é atirada com muita precisão e ultrapassa o cérebro de um quase figurante; uma moça toma um tiro nos peitos e a principal preocupação é se um dia vai ser bonita novamente; um outro personagem cai da escada bem em cima de algo de vidro, que ultrapassa sua jugular. McG entende que o filme não é para ser levado a sério, e esfrega essas mortes na nossa cara da melhor maneira possível.

Obviamente que nem tudo são flores. Apesar dos divertidos clichês, o longa não deixa de lado estereótipos raciais e de gênero. Os personagens negros são tratados como algo ruim o tempo todo, e a maior parte das mulheres do filme são demasiadamente sexualizadas e, além disso, acaba caindo naquela velha história em que um perdedor recebe um chá de coragem da mocinha que vai ficar com ele no final. O problema não é o cara conquistar a mocinha, mas sim o roteiro tratar isso como única opção viável.

Falando em roteiro, este é um dos pontos mais falhos do filme. Cheio de buracos, há momentos onde percebemos coisas impossíveis e inverossímeis, mesmo para este universo exagerado do trash onde a história se passa. A direção de McG é tão certeira aqui que o salva de um desastre.

Tecnicamente, o filme está impecável. Muito tem se falado de paletas de cores, e para os fãs deste recurso fílmico, A Babá é um prato cheio. Com cores quentes e evocativas, o longa pode vir a ser um deleite visual quando combinado com os seus efeitos práticos, com a fotografia clara e escolhas musicais bem pontuais e divertidas – “We Are The Champions” é atemporal. Além, é claro, da montagem, que sabe muito bem como contar a história e utilizar de flashbacks.

A Babá é um filme extremamente divertido, e se você é daqueles que adora a tradição de ver alguma obra de terror na Sexta-Feira 13 (data estrategicamente escolhida pela Netflix para o lançamento), provavelmente irá curtir. Imagino que não irá se tornar um daqueles grandes clássicos, e nem que seja a primeira opção de alguém, mas quem acabar escolhendo ver A Babá, pode se surpreender com o que assistir (como foi o meu caso). Se Sam Raimi assistiu, acho que ele deve estar orgulhoso

Nota do crítico

Nota do público

[Total: 9    Média: 3.4/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

Comments

  1. Esse filme é uma porcaria!

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