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Jogo Perigoso | Crítica

Jogo Perigoso | Crítica

Jogo Perigoso (Gerald’s Game)

Ano: 2017

Roteiro: Jeff Howard, Mike Flanagan

Direção: Mike Flanagan

Elenco: Bruce Greenwood, Carel Struycken, Carla Gugino, Chiara Aurelia, Henry Thomas, Kate Siegel, John Ceallach, Kimberly Battista

Um casal indo passar um final de semana em uma casa afastada da cidade para tentar salvar a relação. Uma trama simples que poderia envolver diversos clichês de filmes de terror e suspense. O roteiro altamente inventivo e profundo faz com que as coisas não sejam o que parecem. Tensão, medo, incerteza, nojo, pena. Sentimentos possíveis ao assistir um longa que diz mais do que aparenta.

Jessie (Carla Gugino) e Gerald (Bruce Greenwood) são casados e estão passando por uma fase difícil. Para melhorar a situação e apimentar a relação, resolvem passar alguns dias isolados, havendo total dedicação em salvar a relação. Porém, Gerald resolve algemar sua companheira na cama e realizar um jogo de dominação. O homem acaba tendo um ataque cardíaco e falece. O resto da trama se passa na casa com a mulher presa à cama.

O que poderia ser apenas um suspense sobre invasão, sobrevivência perante a animais ou algo sobrenatural, vira um terror psicológico de alta qualidade, com diálogos incríveis. O roteiro é fechado e bem elaborado, mas peca ao ser muito explicativo, tendo que utilizar da narrativa externa para contar o porquê de determinado fato ter acontecido. Deixar o espectador obter suas próprias conclusões daria mais impacto à história contada.

A trama passa por assuntos como machismo, dominação do homem, abuso sexual, insegurança e diversos outros problemas presentes na nossa sociedade. Carla Gugino apresenta uma atuação sólida, transpassando a veracidade necessária em sua personagem, que vai da sanidade à loucura em poucos minutos. Por muitas vezes fica difícil de perceber o que é realidade e o que não é, muito por conta da performance da atriz. Bruce Greenwood está ainda melhor, interpretando um homem inseguro que tenta manipular a esposa por causa de seus problemas internos. A química dos dois é intensa e envolvente.

A direção de Mike Flanagan é simples, mas eficiente. Quando um personagem está em uma situação ruim em comparação a outro, a câmera filma a sua perspectiva de baixo e isso também ocorre quando o momento mostra o contrário. A fotografia não chama a atenção na maior parte do tempo, mas quando os flashbacks são mostrados, a colocação muda para tons avermelhados, fazendo sentido quando percebemos a situação do personagem que está em foco.

O longa é muito bem produzido, com uma história envolvente e que sai da narrativa comum de suspense. Porém, além da auto explicação excessiva, a obra peca nos efeitos especiais realizados em um personagem específico. Maquiagem seria eficaz no caso. O CGI atrapalha o recebimento de uma mensagem, pois fica difícil de acreditar que aquela pessoa não é feita de computação gráfica.

Jogo Perigoso é uma adaptação da obra de Stephen King de mesmo nome. Acredito que o autor esteja feliz com a produção, pois se trata de um suspense de alto nível, que vai além dos clichês do gênero e apresenta uma história diferente e surpreendente.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 3.7/5]

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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