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LEGO Ninjago: O Filme | Crítica

Confira a opinião de André Bozzetti sobre o novo filme da franquia LEGO!

LEGO Ninjago: O Filme | Crítica

LEGO Ninjago: O Filme (The LEGO Ninjago Movie)

Ano: 2017

Direção: Charlie Bean, Paul Fisher, Bob Logan

Roteiro: Paul Fisher, Bob Logan, William Wheeler, Tom Wheeler, Jared Stern e John Whittington

Elenco (vozes originais): Jackie Chan, Dave Franco, Justin Theroux, Olivia Munn, Michael Peña

Existem alguns conceitos que não só podem como devem evoluir. Já outros, devem seguir fiéis à sua tradição porque, ao evoluírem, perdem sua identidade e até a justificativa de sua existência. Parece exagero, mas foi o que senti assistindo LEGO Ninjago: O Filme.

Baseado em uma série animada de TV (que, por sua vez, é baseada em uma coleção brinquedos), o terceiro longa-metragem da LEGO lançado nos cinemas nos apresenta a cidade de Ninjago. Ela vive sob a constante ameaça do vilão Garmadon, que tenta insistentemente conquistá-la. Todas suas tentativas são frustradas por um grupo de ninjas adolescentes, liderados pelo Ninja Verde, alter ego de Lloyd, filho de Garmadon, abandonado quando ainda era um bebê. Quando o vilão elabora um novo plano com o qual poderá finalmente triunfar, o Ninja Verde terá que enfrentar, além da ameaça à cidade, os sentimentos que ainda nutre pelo pai.

Esta nova história no universo dos brinquedos de montar mais famosos do mundo já começa com algo arriscado: três diretores e meia dúzia de roteiristas. Isso raramente dá certo. Não sei se este foi o problema dessa vez, mas o fato é que Ninjago é disparado o pior filme da franquia LEGO até aqui. Incrivelmente, até a dublagem brasileira conseguiu ser pior do que nas animações anteriores. Em Uma Aventura LEGO (2014) e em LEGO Batman (2017), elas funcionaram muito bem, ainda que sofrendo a mutilação da alteração das vozes originais. Agora, até isso incomodou.

O roteiro não chega a ser ruim, na verdade. Mas as piadas fracas e a falta de carisma dos personagens pesou demais. Além disso, sendo um grupo de seis ninjas, que são apresentados com grande destaque no início do filme, espera-se que haja um desenvolvimento daqueles personagens durante a trama. E isso nunca acontece. Eles servem apenas como muleta para a evolução (quase nula) de Lloyd em alguns momentos, e em outros nem para isso. Trata-se de um desperdício inexplicável de tempo e de trabalho para colocar tantos personagens na tela que serão quase inúteis. E Lloyd também nunca chega a agradar como protagonista. Dá para contar nos dedos as vezes que o herói empolgou.

O relacionamento entre Garmadon e Lloyd remete a Darth Vader e Luke Skywalker, inclusive em seus figurinos. Entre os ninjas, existe uma pitada de Capitão Planeta, com seus poderes elementais, até um pouquinho de Transformers, mas o que menos vemos são características de ninjas comuns. Tudo bem, eles ainda estão “em treinamento”. Mesmo assim, é estranho ver “ninjas” que sabem pilotar naves, robôs e tanques, mas não sabem ser simplesmente ninjas. E a evolução que demonstram até o final é bem superficial.

No entanto, o que realmente me incomodou mais do que tudo foi o abandono de algumas características legais dos filmes anteriores e que, sem elas, não faz muito sentido utilizar o LEGO para as animações. Primeiramente, no que se refere ao desenho de som do filme. Algo que me encantou anteriormente nas animações da LEGO foi a quantidade de sons que eram feitos com a boca, como tiros, explosões, motores, etc. Isso sempre dava a impressão de que os filmes eram representações da imaginação de uma criança que brincava com aquelas peças. Dessa vez, sons comuns, genéricos, foram utilizados. Isso tirou muito da identidade e da graça da animação com LEGO. Um ponto positivo do som foi a brincadeira com a sequência de Whilhelm Scream’s, que foi bem aplicada e ficou engraçada.

A outra característica que senti muita falta foi sobre as brincadeiras com o fato deles todos serem blocos de montar. Nos filmes anteriores, isso era muito explorado. Construíam coisas o tempo todo e falavam sobre aquilo, quase como uma metalinguagem. Em Ninjago, há pouquíssimas referências a isso, o que é um desperdício incompreensível.

Ao abandonar estas características dos seus antecessores, LEGO Ninjago: O Filme, acaba afundando sem trazer atrativos que justifiquem sua produção. Afinal de contas, o grande encanto daqueles movimentos limitados e personagens praticamente iguais uns aos outros, era justamente enxergar eles como bonecos e aquilo como parte da imaginação de alguém. Sem isso, eles tornam-se apenas personagens com uma movimentação sem graça e confusa na tela, com muita poluição visual, e cujas personalidades sequer foram bem apresentadas para que possamos criar alguma empatia com eles. Espero que, no próximo filme da franquia, a LEGO reencontre seu caminho, porque, dessa vez, ela passou bem longe.

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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