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Amores Canibais | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa original da Netflix!

Amores Canibais | Crítica

Amores Canibais (The Bad Batch)

Ano: 2016

Direção: Ana Lily Amirpour

Roteiro: Ana Lily Amirpour

Elenco: Suki Waterhouse, Jason Momoa, Jayda FinkGiovanni Ribisi, Keanu Reeves, Jim Carrey

Como tornar a América grande novamente? Para muitos, a exclusão é uma das melhores opções. Por que não eliminar aqueles que estão “atrapalhando” o desenvolvimento da nação? Afinal, pessoas são descartáveis, né? Esse é o plot de Amores Canibais (The Bad Batch), longa de Ana Lily Amirpour que chegou ao Brasil como produção original da Netflix.

Logo no início do filme, vemos uma dupla de policiais colocando uma jovem do outro lado da cerca. Naquele momento, percebemos que a parte de fora daquela divisória é, na verdade, a prisão. Não estar no “país perfeito” é a penitência daqueles que fogem do padrão. Sejam eles traficantes, drogados, imigrantes, assassinos ou, simplesmente, aqueles que não se encaixam esteticamente naquela sociedade.

Assim, todos que são do Lote Estragado (o Bad Batch do título original) são jogados fora. No deserto. Sem nada. Ali, a primeira mensagem que o condenado encontra é um aviso, em inglês e em espanhol, afirmando que, quem estiver do lado de fora, não está mais na jurisdição dos Estados Unidos da América. E, ainda, deseja uma boa sorte. Sim, os que ali estão vão precisar.

A jovem que é colocada para fora dos EUA, citada mais acima, se chama Arlen (Suki Waterhouse), nossa protagonista. Nos minutos iniciais da produção, acompanhamos ela andando pelo deserto, em busca de Conforto, uma cidade no meio do nada, que abriga aqueles que se negaram a virar canibais. “Mas que canibais?” Ah, sim, esse é o outro grupo que vive ali do lado de fora.

E adivinha quem que Arlen encontra primeiro? Sim, eles mesmos, os comedores de carne humana. No meio dos escombros em que eles vivem, os monstros de músculos vivem de comer pessoas mais frágeis. Não demora muito até que a nossa heroína perca um braço e uma perna, que serviram de banquete ao pessoal.

Mas a jovem não desiste e, mesmo sem dois de seus membros, consegue fugir dali. Logo, ela é encontrada por um andarilho (Jim Carrey, irreconhecível e maravilhoso – como sempre), que a leva até Conforto. Lá, Arlen vive alguns meses, enquanto planeja se vingar daqueles que lhe traumatizaram. Ao se deparar com uma mulher e uma criança, que são do grupo dos canibais, ela acaba matando a mais velha e leva a menina para Conforto.

No entanto, essa criança é filha de Miami Man (Jason Momoa), um dos membros do grupo dos canibais. E, após perder a criança, Arlen acaba se encontrando com o homem, que lhe dá a missão de trazer a menina de volta para ele, ou a jovem virará almoço de alguém, novamente. A criança, no entanto, acaba indo parar nas mãos de O Sonho (Keanu Reeves), traficante e líder de Conforto, que possui um harém em sua mansão, situada no meio da pobreza da cidade de que governa.

Provavelmente, você se interessou pela trama, né? Sim, ela é legal. E fica ainda mais interessante quando a diretora, que estreou com o elogiado Garota Sombria Caminha pela Noite, apresenta ótimos 20 minutos iniciais, sem inserir quase nenhuma fala nesse período e investindo em um ritmo empolgante. Arlen, naquele deserto sem fim, sofre metafóricos abusos de seus sequestradores, que tomam o seu corpo. E, mais do que isso, sua capacidade de levar uma vida normal novamente.

No entanto, Amirpour, que também roteiriza o longa, acaba se perdendo em sua jornada, apesar da interessante mistura de gêneros, que vai do western, com elementos de cyberpunk, para chegar ao romance. Tudo isso, com um estilo que lembra os filmes de Tarantino. Mas só lembra, mesmo. Falta consistência na conclusão do projeto. Com uma mensagem forte e relevante para os dias de hoje, Amores Canibais (nossa, sinto vergonha toda vez que tenho que escrever esse título) se perde no meio de tudo que quer ser e, assim, acaba não conseguindo muita coisa.

É uma pena que um longa que tem uma estética tão bonita, um bom elenco e uma interessante mensagem sobre não se encaixar nos padrões não consiga entregar nada consistente o bastante. Mesmo assim, vale a pena dar uma conferida e ter uma noção de como seria uma não-tão-fictícia sociedade americana do futuro. E temer. Afinal, quem não faz parte de um Lote Estragado?

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 38    Média: 3.3/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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