Bode na Sala
Críticas Filmes

Borg vs McEnroe | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o longa estrelado por Sverrir Gudnason e Shia LaBeouf!

Borg vs McEnroe | Crítica

Borg vs McEnroe

Ano: 2017

Direção: Janus Metz

Roteiro: Ronnie Sandahl

Elenco: Sverrir GudnasonShia LaBeouf, Stellan SkarsgårdTuva NovotnyDavid BamberBjörn Granath

Em um determinado momento de Borg vs McEnroe, o diretor da instituição onde o jovem sueco Björn Borg treina afirma que o tênis não é um esporte para qualquer um, mas sim destinado a cavalheiros. Assim, desmerecendo a origem humilde do garoto e, ao mesmo tempo, criticando o seu temperamento difícil. Era como se dissesse “aqui não é o seu lugar”.

Anos mais tarde, mais precisamente em 1980, Borg (Sverrir Gudnason) é o número um do mundo, vencedor de quatro prêmios de Wimbledon e se encaminhando para levantar o seu quinto troféu da competição. E como ele chegou ao topo? Tornando-se o tal cavalheiro que o elitista esporte requisitava. Ele, agora, é um ídolo mundial, bem-sucedido e amado por todos.

Já nos Estados Unidos, um novo talento está em ascensão. John McEnroe (Shia LaBeouf) é o nome que ameaça Borg a não entrar para a história. No entanto, o jovem é completamente o oposto do sueco, sendo odiado por seus rivais e compatriotas. Considerado como “o pior representante da cultura norte-americana, desde Al Capone”. McEnroe é um rebelde nato.

Como se pode imaginar, é na rivalidade dessa dupla tão distinta que o longa, acertadamente, foca. Logo no começo da projeção, somos apresentados àquela história e sua importância para o universo do tênis. Quando os dizeres “este jogo mudou a história do tênis e destes dois homens” surgem na tela, um misto de expectativa e medo de um exagero se misturam. No entanto, a desconfiança não dura muito.

Como em uma partida de tênis, os nossos olhos são guiados de um lado para o outro da história. Em um determinado momento, nos aprofundamos na vida de Borg, oprimido pelo seu sucesso e aterrorizado com a possibilidade de deixar de ser o melhor do mundo. Em seguida, somos enviados para a história de McEnroe, o número dois, conhecendo a origem de sua personalidade e a sua fragilidade disfarçada com rebeldia.

No meio disso, a competição em que eles se enfrentarão avança. Os dois melhores tenistas do mundo vão, pouco a pouco, superando os seus adversários para, assim, formarem um dos maiores momentos do torneio de Wimbledon. E, a cada vitória, descobrimos novas camadas de Borg e McEnroe.

Em uma época em que tenistas são como rock stars, como é dito, inclusive, durante o longa, o americano e o sueco estão em uma busca que vai além da fama. Enquanto Borg quer ser uma máquina perfeita, perfeccionista e metódico, McEnroe quer se provar, ser mais do que acreditam que ele é. O primeiro sabe que, no momento em que perder, não haverá volta. O segundo, no fundo, quer orgulhar os seus exigentes pais. E, assim, na exposição dessas fragilidades, é criado um forte laço entre os esportistas e o espectador.

É impressionante a construção do vazio existencial dos dois homens. Borg e sua enorme cobrança consigo mesmo, com o passar dos anos, vai se afastando de sua família e de seus amigos, se fechando em uma bolha de cobranças internas. McEnroe, por sua vez, com seu temperamento explosivo, é odiado por todos e sabe que, mesmo se um dia for número um, nunca será lembrado como um dos grandes, sendo uma má influência para toda uma geração.

LaBeouf, com seu McEnroe, é a parte mais emocional desse confronto histórico. O ator, inclusive, nunca esteve melhor em cena. Toda a carga dramática que o seu personagem precisa é entregue. E com sobras. Gudnason interpretando Borg não poderia ser mais certeiro. O ator consegue demonstrar toda a sua racionalidade e, ao mesmo tempo, uma angustia latente. É fogo contra gelo. É emoção contra a razão.

Claro que toda essa história não teria o mesmo impacto sem o roteiro bem construído de Ronnie Sandahl, a montagem ágil e não-linear de Per K. Kirkegaard e Per Sandholt e a direção firme e inteligente de Janus Metz, que sabe aproveitar cada ponto da vida dos dois tenistas para construir um filme surpreendentemente impecável. Os enquadramentos feitos pelo cineasta e sua câmera precisa conseguem mostrar além do que está na tela.

Não é exagero dizer que, desde Rush: No Limite da Emoção, uma trama sobre esporte não consegue ser tão efetiva em criar tensão e torcida, mesmo que os espectadores saibam do seu desfecho – para quem desconhece a história, essa experiência será maximizada. Na derradeira batalha dessa rivalidade histórica, vemos mais que apenas dois homens entre quatro linhas. São duas vidas opostas, mas estranhamente parecidas. Como diz um trecho da frase de André Agassi que abre a película: “cada partida é uma vida em miniatura”. E é exatamente isso que Borg vs McEnroe entrega.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 3/5]

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *