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Mãe! | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o filme de Darren Aronofsky!

Mãe! | Crítica

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Ano: 2017

Direção: Darren Aronofsky

Roteiro: Darren Aronofsky

Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Brian Gleeson, Domhnall Gleeson, Kristen Wiig, Jovan Adepo

Darren Aronofsky não é um diretor comum, mas você já deve saber disso. Em Cisne Negro, a interpretação do público é tão importante quanto o próprio filme em si. Réquiem Para um Sonho faz pensar, mas a subjetividade é mais baixa. Fonte da Vida possui uma forma artística e estranha de contar a história. Até no péssimo Noé existem questionamentos e amostragens mais profundas do que é transpassado. Porém, o diretor soltou sua veia artística e não tentou segurá-la em Mãe!.

A trama gira em torno de uma personagem cujo nome não nos é revelado, interpretada brilhantemente por Jennifer Lawrence, e de seu marido, vivido por Javier Bardem, que impressiona com sua presença de cena. O casal tem uma vida relativamente tranquila, até que um homem entra em sua casa, aparentemente afastada de qualquer cidade. Não há indícios de vida urbana ou rural por perto, tendo apenas uma espécie de floresta ao redor. A história parece simples, mas a cada minuto vai se desenvolvendo e pistas são colocadas para indicar o que vai acontecer.

O roteiro não faz questão de se explicar. Na verdade, são colocados diálogos expositivos, mas que ao serem ouvidos pela primeira vez não possuem significado. Ao pensar sobre as supostas explicações, é possível compreender o que está sendo dito. Mesmo com uma complexidade grande, a narrativa entrega uma ótima forma de contar a história, passando pela superficialidade da vida do casal, indo para o suspense e para a incógnita, chegando em um possível desfecho e voltando para incógnita até entregar um terceiro ato inesquecível.

O diretor tem como uma de suas marcas, além da mise en scène fabulosa, finais incríveis e, por muitas vezes, totalmente interpretativos. Aqui, ele extrapola e coloca no nível máximo, exigindo total compreensão do espectador, mas não revela nada especificamente. Nada é o que parece ser e tudo é o que parece ser. Nada é real e tudo é real. É possível definir o longa como uma espécie de cebola, possuindo camadas que vão caindo. Ao cortá-la, o espectador chora. Porém, pode ser de desespero, incompreensão, insatisfação ou total felicidade e satisfação.

O choque é um dos principais objetivos da metade do segundo ato até o final, explicitando momentos desconfortáveis e a tensão é estabelecida de forma magistral, com uma trilha sonora impecável e com as atuações dos protagonistas. Não se pode esquecer dos coadjuvantes, Ed Harris e Michelle Pfeiffer apresentam um trabalho excelente e até Domhnall Gleeson, que aparece em poucos minutos, impressiona com sua performance.

A direção de fotografia é impecável, mesclando cores frias em momentos de tensão e quentes quando a história parece estar calma. A câmera de Aronofsky parece flutuar em torno de Jennifer Lawrence, dançando ao seu redor. O modo estático quase não existe, servindo apenas para diálogos calmos. O plano detalhe é posto para que o choque ocorra de forma eficiente, mas não é exagerado. Os elementos de direção são combinados para que, junto de um roteiro eficiente, forme um suspense inquietante com elementos de terror.

As pessoas costumam reclamar muito quando um filme é genérico, mas também têm dificuldades para digerir e aceitar projetos totalmente diferentes do que a indústria costuma apresentar. Mãe! é um grande exemplo de uma polarização que já ocorreu no Festival de Cinema de Veneza, onde o longa foi vaiado por uns e ovacionado por outros. Se trata de uma produção diferenciada, tanto na questão da qualidade, quanto na forma de contar uma história e fazer o espectador pensar.

Nota do crítico:

Nota do usuário:

[Total: 10    Média: 3.4/5]

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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