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Feito na América | Crítica 2

Confira a opinião de Ítalo Passos sobre o novo filme de Tom Cruise!

Feito na América | Crítica 2

Feito na América (American Made)

Ano: 2017

Direção: Doug Liman

Roteiro: Gary Spinelli

Elenco: Tom Cruise, Domhnall Gleeson, Sarah Wright, Jesse Plemons, Caleb Landry Jones, Alejandro Edda

Em Feito na América, longa baseado em fatos reais, Tom Cruise vive um piloto americano que passa a trabalhar para a CIA para obter informações dos cartéis de drogas da América Central e do Sul. Assim, Barry Seal (Cruise), acaba se tornando agente duplo, levando drogas da Colômbia para os EUA e informações do cartel para a América.

Fazia tempo que não via Cruise tão à vontade, como se fosse uma criança brincando em um parque. Vivendo um personagem em vários momentos engraçado, tem também um conflito familiar muito forte e, assim, conquista o público com facilidade. A ideia de abordar o lado do governo americano e do cartel colombiano como antagonistas é bastante acertada, trazendo a sensação de insegurança constante ao personagem.

A fotografia amarelada e bastante iluminada enquanto o nosso protagonista está ao lado do cartel, demonstra sucesso, dando a entender que aquele será o caminho de glória profissional que tanto busca. Mesmo que isso signifique trair seu país. E quando Seal trabalha com os EUA, a fotografia fica mais sóbria, com a iluminação mais escura.

Em meio a toda a leveza do longa, temos uma crítica afiada, sobre como o governo americano trata o combate às drogas de forma amistosa. Enquanto aquele estado lhes for favorável, deverá ser aceito e incentivado. E isso, misturado com o bom humor, acaba sendo uma mensagem bastante efetiva e, ao mesmo tempo, extremamente pesada.

Em vários momentos vemos Barry sendo acusado de traição e isso é um dos primeiros pontos de repetição do roteiro. À medida em que as situações se repetem, tanto em casa quanto no trabalho, a metragem do filme vai aumentando de modo que o final seja um alívio. Creio que se o longa tivesse 15 minutos a menos, teríamos uma produção mais dinâmica e com mais identificação. Mesmo que o protagonista seja uma pessoa fora da lei.

Sua relação familiar é bem abordada e de forma orgânica. O relacionamento com sua esposa é retratado de início como uma mentira e, de forma bem pensada, enquanto o espectador requer respostas, sua esposa passa a cobrar o mesmo. E mesmo com as repetições, isso se destaca de uma forma positiva e o público se identifica cada vez mais com um protagonista cheio de atitudes erradas.

Os efeitos práticos se destacam devido à excelente direção de Doug Liman. Temos cenas aéreas muito bem filmadas envolvidas com a fotografia natural, do horizonte caribenho até as montanhosas serras sul-americanas. A cinematografia ajuda bastante nisso tudo. Enquanto o ambiente norte-americano é aquele tradicionalmente moderado, temos um Sul quente e que faz com que os personagens transpirem. E esse suor fica à mostra em suas roupas, trazendo assim a sensação de desconforto, uma vez que, no Sul, estaria retratando diretamente o tráfico.

Já a trilha sonora acaba passando desapercebida, sem nenhum impacto e, em alguns momentos, sua ausência causa tédio. Isso, juntamente com a metragem estendida (que mencionei acima), faz com que o filme não entregue a diversão completa que poderia nos dar.

Feito na América aborda assuntos como tráfico, traição, família e política de um modo divertido e com muita simpatia. Sem enrolação, vamos direto ao que interessa e somos surpreendidos de forma positiva por um filme leve.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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