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Columbus | Crítica

Columbus | Crítica

Columbus

Ano: 2017

Direção: Kogonada

Roteiro: Kogonada

Elenco: John Cho, Haley Lu Richardson, Parker Posey, Rory Culkin, Michelle Forbes, Jim Dougherty, Erin Allegretti, Rosalyn R. Ross, Lindsey Shope, Shani Salyers Stiles

A relação com nossos pais, às vezes, pode ser tão complexa a ponto de possuirmos misturas de sentimentos e reagirmos a determinadas situações de forma surpreendente aos olhos das pessoas. Columbus leva o nome da cidade em que é ambientado, referenciando toda a arquitetura local, considerada como o grande diferencial da região. A mistura da ideia central da trama com as belas construções contendo grande importância na vida dos personagens dá um charme ao longa, muito por conta de diálogos inteligentes ligando esses pontos.

A trama é dividida em duas, contando a trajetória de Casey (Haley Lu Richardson), uma jovem que trabalha em uma biblioteca, mas sonha em ser arquiteta e fazendo o paralelo com Jin (John Cho), um homem um pouco mais velho, vivendo à sombra de seu pai, um arquiteto renomado. As relações da menina com seu colega de trabalho e do homem com sua ex-esposa são bem exploradas, mas os coadjuvantes não têm tempo de tela suficiente para que nos importemos com eles, apesar das ótimas atuações por parte de Rory Culkin e Parker Posey.

As vidas dos protagonistas são interligadas logo no primeiro ato, fazendo a história andar (lentamente). Os dois personagens são bem construídos, sempre dando a entender o que está acontecendo em suas vidas, mas nunca explicitando isso. Aliás, os significados não ficam explicitados, sendo necessária a reflexão sobre o que está sendo apresentado em cada conversa. As reações nem sempre parecem estar condizendo com as informações divulgadas, mas, ao longo do filme, é possível compreender cada passo dado pelos personagens.

Kogonada consegue não cometer nenhum erro técnico em todos os frames, mas exagera nos planos abertos. A simetria das cenas impressiona, podendo ser comparada à direção de Wes Anderson por muitas vezes. O filme, em geral, é lindo! A direção de fotografia é magnífica, impressionando já nos primeiros segundos. O cuidado para que o mais importante fique centralizado em tela e a colocação de personagens realizando determinados atos através de reflexos são pontos extremamente positivos e enchem os olhos.

Mesmo se a história não fosse tão interessante, o longa já seria bom só por causa da direção impecável e da fotografia magnífica. Mas a trama é inteligente e funciona, mesmo com um ritmo lento. Em determinados momentos, os diálogos parecem perdidos nas cenas, mas as pontas não ficam soltas. Acontecimentos completam todas as falas, mesmo que de forma implícita em alguns momentos.

A queda do ritmo acaba se tornando o maior problema do longa, junto com a quantidade de planos abertos, cansando um pouco a visão e fazendo com que esperemos um desenrolar. Porém, não há pressa em Columbus, o diretor não explicita muitas coisas e revela pouco a pouco toda a sensibilidade nas relações fraternais compostas no filme.

Columbus é sensível, bonito e inteligente, contendo ótimas atuações e belos significados para serem interpretados.

Nota do crítico:

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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