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It: A Coisa | Crítica

Confira a opinião de Elaine Timm sobre a adaptação da obra de Stephen King!

It: A Coisa | Crítica

It: A Coisa (It)

Ano: 2017

Direção: Andy Muschietti

Roteiro: Chase Palmer, Cary Fukunaga

Elenco: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Finn WolfhardJeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff

“Crianças, ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bastante simples: a magia existe.”

A frase descrita na dedicatória da obra literária de Stephen King define bem a essência de sua história. Um compêndio sobre a força da amizade e da fé cega das crianças contra os monstros que alimentamos através do medo inerente durante as fases da vida.

Em sua mais recente adaptação para o cinema, embora tenha todos os elementos comuns a um filme do gênero, It reforça o lirismo atribuído ao ponto de vista infantil sobre os acontecimentos. Aqui o roteiro opta por priorizar a ótica das crianças ao invés de focar apenas no palhaço. Talvez seja essa mesmo a proposta, já que o capítulo II deverá focar na origem da “Coisa” e no desdobramento de seus personagens já adultos. No caso dessa adaptação, percebe-se um esforço para manter o equilíbrio entre lúdico e terror, coisa que convenhamos, não é nada fácil de se fazer em uma adaptação desse nível.

Diferente de Tim Curry em It: Uma obra-prima do medo, adaptação feita para a TV em 1990, Bill Skarsgård compõe uma versão de Pennywise mais calcada numa personalidade doentia, com uma loucura quase esquizofrênica, suportada por um rosto muito expressivo e olhar psicótico. A figurinista Janie Bryant foi muito competente na caracterização da personagem, pois enquanto o Pennywise de Curry foi construído na imagem do palhaço circense, colorido e serelepe, a versão atual trás um visual sombrio e pálido, fazendo referência aos palhaços da era medieval e vitoriana.

Quando o roteiro de Cary Fukunaga mantêm o foco na apresentação de cada um dos integrantes do “O Clube dos Otários”, a empatia é inevitável. Os conflitos pessoais das crianças são tão bem conduzidos que parece haver essa teia invisível que os conecta com a crueldade de Pennywise. Os diálogos com tom natural, entregam momentos engraçados trazendo coisas comuns a um grupo de crianças em estado de transição para adolescência. Aliás, o ponto alto desse longa, sem dúvida é o elenco. Um time de crianças muito talentosas e carismáticas, afinadas na proposta de seus personagens. Tal carisma pode ser comparado a times infantis icônicos, como em Os Goonies, E.T., Conta Comigo, Super 8 e do recente Stranger Things. O elenco, juntamente com a trilha sonora imersiva de Benjamin Wallfisch, dão o tom do filme.

A decisão de dividir o enorme material em duas partes separadas foi uma ideia inteligente, pois permite que o diretor entregue uma sólida experiência cinematográfica sem ter que sacrificar muito da substância do livro de Stephen King no processo. Ou seja, mesmo sem a presença do elenco infantil, há razões justas para pensar que It: Capítulo Dois, com Muschietti de volta na direção, flutuará igualmente bem.

Nota da crítica:

Nota dos visitantes:

[Total: 5    Média: 4.6/5]

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Elaine Timm

Aspirante a gente, Elaine é gaúcha, formada em Jornalismo, atua como social media e curte freelas. Blogueira de várzea, arrisca escritas diversas. Cinéfila, musical e nerd desde criança, quer ser Jedi, mas ainda é Padawan. Save Ferris.

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