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Polícia Federal – A Lei é Para Todos | Crítica

Confira a opinião de Ítalo Passos sobre o longa da Operação Lava Jato!

Polícia Federal – A Lei é Para Todos | Crítica

Polícia Federal – A Lei é Para Todos

Ano: 2017

Direção: Marcelo Antunez

Roteiro: Thomas Stavros, Gustavo Lipztein

Elenco: Antonio Calloni, Flávia Alessandra, Marcelo Serrado, Ary Fontoura, João Baldasserini, Bruce Gomlevsky, Rainer Cadete, Roberto Birindelli, Leonardo Franco

Polícia Federal – A Lei é Para Todos conta a saga da maior e mais bem-sucedida operação de combate à corrupção da história do país – a Operação Lava Jato. Pelo ponto de vista do delegado Ivan (Antonio Calloni) e de sua equipe da Polícia Federal. Uma das primeiras coisas que percebi ao ver este filme foi a forma como ele tenta manipular o público, falando de política de uma forma pobre, tentando enaltecer pontos que não devem ter destaque algum. O título do filme já vende algo muito errado, ao falar da instituição como se eles fossem super-humanos que estão se unindo ali para combater todo o mal. Sim, o filme literalmente mostra um líder reunindo uma equipe. Acho que já vimos isso em um outro universo, não?

Dessa forma, já temos nossos protagonistas e passamos a acompanhar a visão deles da história. Atores conhecidos do nosso cinema fazem papéis genéricos e cheios de falas caricatas, como: “Nós não vamos mudar o Brasil, mas alguma coisa a gente sempre faz”. Se fossem postas pontualmente, poderiam até funcionar, mas somos expostos a esse tipo de diálogo durante todo o longa. Isso acaba cansando e fazendo com que o filme fique cada vez menos interessante. Em relação a personagem e texto, o único que se salva e dá um pouco de interesse em suas poucas cenas é o Alberto Youssef, vivido pelo Roberto Berindelli. Ele dá um toque de humor pontual e, toda vez que aparecia em cena, era um pequeno alívio.

Os idealizadores afirmaram que o filme mostraria fatos e que tudo ali era apartidário. Mas o roteiro dos mesmos contradiz isso. Tudo é formulado para que um lado da história seja o vilão e o outro, o lado bom. O juiz Sergio Moro (Marcelo Serrado) é, basicamente, um mocinho e ainda serve como uma ferramenta de roteiro para resolver situações, como um Deus ex machina. Do outro lado, temos o “temido vilão”: Lula (Ary Fontoura), que fica boa parte do filme sem aparecer e, em um certo momento, tentam criar um clima de tensão ao mencionar o personagem sem falar o nome do mesmo, decisão essa que não funciona. É como se fosse um embate de céu e terra, Deus e o Diabo. Ary tem uma atuação desastrosa, cheio de trejeitos, com arrogância na voz, só faltando ter dois chifres e uma cauda.

O filme conta com algumas cenas de ação que poderiam ser a parte que faria o público se prender, já que o texto é fraco. Mas tudo que nos é mostrado é algo novelesco e cheio de clichês. Ao mesmo tempo que o filme retrata a Polícia Federal como guerreiros que lutam com todas suas forças contra o mal, infelizmente, acaba queimando o nome da instituição, fazendo com que o tiro saia pela culatra. Vemos uma péssima mensagem política, que nos faz temer ainda mais esses tempos de ódio em que o nosso país vive. Filmes devem ser feitos com o objetivo de contar uma boa história, não importa o lado político, mas nem isso esse consegue fazer.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 1/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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