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Narcos – 3ª temporada | Crítica

Sem seu protagonista, série se mostra mais madura do que nunca

Narcos – 3ª temporada | Crítica

Narcos – 3ª temporada

Ano: 2017 

Criadores: Chris BrancatoCarlo BernardDoug Miro

Elenco: Pedro PascalDamián AlcázarAlberto AmmannFrancisco DenisPêpê RapazoteMatias VarelaJavier CámaraAndrea LondoEric LangeKerry BishéMichael Stahl-David, Matt WhelanArturo CastroMiguel Ángel SilvestreEdward James Olmos

Está se tornando cada vez mais comum os seriados que continuam sem os seus protagonistas. Game of Thrones lançou essa tendência, que foi seguida por programas dos mais variados gêneros, como The Vampire Diaries e Vikings. A bola da vez está com Narcos, a série da Netflix baseada em fatos que conta a história da famosa (e infame) Guerra às Drogas, e não a de Pablo Escobar, como muitos pensavam, embora a temporada anterior tenha focado muito na melancolia do narcotraficante interpretado por Wagner Moura.

Sai Escobar e o Cartel de Medellín, e entram os irmãos Rodríguez Orijuela e o Cartel de Cali. Agora, a série não tem um protagonista, apesar de que Javier Peña (Pedro Pascal) tem um pouco mais de tempo de tela do que os traficantes. A mudança de tom é bastante perceptível e é possível distinguir a 3ª temporada das demais, e isso é uma coisa bastante positiva. A série ganha uma melhora considerável (não que ela não fosse boa, muito pelo contrário), entregando ao público o seu melhor ano até aqui.

Narcos retornou mais inteligente e mais crítica. Personagens com forte presença e cheios de características peculiares dominam o show. Alguns deles até roubam a cena, como é o caso de Pacho Herrera (o argentino Alberto Ammann). O ator tem mais destaque do que nas temporadas anteriores, e o roteiro entrega uma informação totalmente nova para o público sobre seu personagem: Pacho é gay. Logo no 1º episódio, Ammann protagoniza uma cena de dança bem sexy e provocativa que antecede o assassinato de um inimigo. Há um jogo de poder implícito nisso, como se a dança fosse o chefão do crime dizendo que pode fazer o que quiser. É quase poético. Herrera ainda protagoniza vários outros momentos emblemáticos, como a sequência da igreja.

Mesmo que Pacho tenha bastante presença de cena, ele ainda não é o líder do Cartel de Cali. Os outros três membros-sócios são os irmãos Gilberto (Damián Alcázar) e Miguel Rodríguez (Francisco Denis), e Chepe Santacruz (Pêpê Rapazote), todos eles fortes personagens. Enquanto Gilberto é um homem que evita a guerra e ao mesmo tempo alguém que adora ser uma pessoa pública, Miguel é totalmente diferente do irmão. Ele, que é o segundo em comando, evita ao máximo qualquer aparição sua, é um homem fechado e que sente um certo rancor de Gilberto. Não há exatamente uma rivalidade entre eles, afinal, ambos se respeito, mesmo não concordando em muita coisa, mas é possível sentir uma tensão presente em Miguel. Muito disso deve-se a concisa interpretação de Francisco Denis, que parece saber o que se passa na cabeça do personagem, principalmente em momentos que ele sente que tudo está perdido. Já Chepe, que passa a maior parte do tempo em Nova York, é uma pessoa debochada e ameaçadora ao mesmo tempo. O personagem é gostoso de assistir, e ainda assim o senso de ameaça do mesmo permanece no ar.

Personagens à parte, é preciso falar sobre como o roteiro da temporada é primoroso. O tempo real da série aconteceu em algo próximo de 2 anos, mas esse perído acontece com tamanha fluidez que o público acredita que tudo se passou muito rápido, sem ficar com a impressão de que está faltando alguma coisa na história (diferente de Game of Thrones, por exemplo). Acontece que todos os planos são bem planejados, e o clima de thriller policial à la David Fincher em Zodíaco coloca o show em um nível acima.

Narcos conseguiu entregar uma temporada excelente e acima da média, algo que todo mundo duvidava que fosse acontecer. Se não fosse por poucos ganchos no último episódio, esta se passaria facilmente como a última, e seria um final grandioso. Mas enquanto a série continuar entregando ótimos episódios e personagens, pode ter certeza que terei prazer em acompanhar este que é um dos melhores programas da atualidade.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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