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Atômica | Crítica 2

Confira a opinião de Ítalo Passos sobre o longa estrelado por Charlize Theron!

Atômica | Crítica 2

Atômica (Atomic Blonde)

Direção: David Leitch

Roteiro: Kurt Johnstad

Elenco: Charlize Theron, James McAvoy, John Goodman, Sofia Boutella, Eddie Marsan, Toby Jones

Desde criança que gosto bastante de filmes sobre espionagem. Não chega a ser meu gênero favorito, mas é sempre um estilo que me desperta o interesse. Ao ir ver Atômica, achei que se tratava de um simples filme de ação, mas foi-me entregue uma trama de espionagem extremamente inteligente.

A história parte da premissa em que Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma agente disfarçada do MI6, é enviada para Berlim durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Toda ambientação do final dos anos 1980 é muito bem feita. O filme trabalha tons diferentes quando está numa Berlim oriental cruel e suja e uma ocidental evoluída e traiçoeira. Isso acaba sendo bastante importante para entendermos em qual ponto a história está.

Ainda temos uma fotografia azulada que remete bastante ao frio. Aliás, o frio é um personagem importante, pois chega a ser uma parte da nossa protagonista, se acolher no frio para fugir das consequências de suas ações. Logo na primeira cena ficamos cientes do preço que a personagem paga com hematomas em seu corpo. Mesmo sendo brutal, Lorraine impõe toda uma sensualidade e, quando ela o faz, todo o ambiente segue naquele clima. A fotografia que antes era fria, vai para cores neon, um vermelho ardente mescla com um azul poderoso.

Não é de hoje que Charlize Theron mostra ser uma verdadeira badass de Hollywood. Já em Mad Max: Estrada da Fúria vimos o quanto ela tinha uma ótima presença em cenas de ação. Aqui ela está mais confortável do que nunca, nos dando a certeza que sua personagem é totalmente crível. A direção ajuda bastante na construção dessa personagem, durante as cenas de luta, entendemos tudo que se passa em tela, mesmo quando os poucos cortes rápidos são utilizados, não perdemos nada. Principalmente no espetacular plano sequência de mais ou menos 8/10 minutos, fica tudo claro, o peso de cada soco é sentido por quem assiste. A dificuldade de uma luta corpórea longa, totalmente exaustiva, acaba sendo um mérito destoante, já que cada vez mais o cinema hollywoodiano fica mais e mais genérico e sem peso.

A trilha sonora ajuda bastante no ritmo do longa, durante as poucas cenas de ação, tudo é bem equilibrado, chega a ser uma estrutura muito orgânica, fazendo assim da música um personagem à parte. Além de ambientar bem de como a sociedade estava naquela época através desse som nostálgico, ainda temos uma linda referência ao cineasta Andrei Tarkovski. Em um primeiro momento pensei que o filme giraria em torno das cenas de ação e, para a felicidade do longa, não é isso que ocorre. Tudo gira em torno de um interrogatório, que para muitas pessoas pode ser uma quebra de ritmo, mas eu não vi assim. A trama é simples, mas a narrativa vai meio que preparando tudo para termos um pequeno impacto no final e esse interrogatório é de extrema importância para isso. Sem ele o filme acabaria seco.

Com um final com cara de 007, Atômica mostra que filmes de espião não saíram de moda e tem muito a nos entregar. Sem precisar querer ser o melhor filme do mundo e entregando aquilo que se propõe, se mostra um forte candidato a ser um dos melhores blockbusters do ano.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 4/5]

 

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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