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Na Mira do Atirador | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre o novo filme de Doug Liman!

Na Mira do Atirador | Crítica

Na Mira do Atirador (The Wall)

Direção: Doug Liman

Roteiro: Dwain Worrell

Elenco: Aaron Taylor-Johnson, John Cena, Laith Nakli

Qual é a primeira coisa que vem à cabeça quando pensamos em um filme de guerra? Possivelmente, aquele cenário caótico, barulhento, com tiros e explosões infinitas, em que milhares de soldados se estraçalham pelo seu país. Pois então, Na Mira do Atirador não é assim. O buraco é mais embaixo. O filme aposta muito mais no confronto psicológico e na tensão da morte eminente, do que na chuva de balas desenfreada – não é uma crítica, isso também pode ser muito bom!

O longa de Doug Liman nos leva ao momento micro de um confronto entre dois países, em uma situação isolada, em que somos apresentados a dois soldados norte-americanos, Isaac (Aaron Taylor-Johnson) e Matthews (John Cena). Ambos acabam ficando encurralados em meio ao deserto iraquiano e, como o título brasileiro entrega, sob a mira de um atirador. Certeiro atirador, diga-se de passagem.

O ano é 2007 e, para o presidente dos Estados Unidos, George Bush, a guerra do Iraque estava terminada, uma vez que, na visão dele, o exército norte-americano havia vencido o confronto. No entanto, a dupla de soldados é enviada para o meio do deserto com o objetivo de encontrar um sniper que pôs fim à uma equipe de trabalhadores que estava lá para reconstruir o país do Oriente Médio.

Após mais de 20 horas na espreita, Matthews resolve ir até o local dos assassinatos. Então, o paciente atirador se revela, acertando-o (isso não é spoiler, está no trailer!). Isaac corre em direção ao companheiro e também acaba sendo atingido (também está no trailer!). Este último, então, consegue se esconder atrás de uma frágil parede (referente ao título original) e é ali aonde o filme todo irá se passar.

Ao se encontrar ferido e sozinho, Isaac acaba buscando pedir ajuda sem sucesso. Surpreendentemente, o único que responde ao seu chamado no rádio é o próprio atirador que o está cercando (louco, né?). Assim, se forma uma relação inesperada entre os dois e, mesmo que um deseje a morte do outro, segredos acabam sendo revelados, em um tenso jogo de palavras em busca de sobrevivência e triunfo sobre o oponente.

O estilo de Liman, que nos presenteou recentemente com o ótimo No Limite do Amanhã (2014), é um dos grandes trunfos do filme. A sua câmera, sempre nos mantendo no chão e naquele sufocante mar de areia, consegue deixar Na Mira do Atirador ainda mais angustiante. Os seus rápidos 88 minutos de duração são bem preenchidos com a trama envolvente e bem construída. Se o longa se estendesse um pouco mais, possivelmente, teríamos momentos de tédio. Foi no limite.

John Cena, mesmo que sem muito tempo de tela, entrega um bom personagem. O gigantesco lutador de wrestling atende às exigências de seu Matthews, sendo mais do que satisfatório quando necessário. Mas é Taylor-Johnson quem carrega o filme. No melhor estilo Enterrado Vivo (2010), o seu personagem não tem nada além de comunicação com o inimigo e um forte objetivo de se manter vivo, demonstrando fragilidade e todo o terror que a guerra pode trazer. O ator, que se lançou ao estrelato com Kick-Ass (2010), vem fazendo boas escolhas na carreira, como Animais Noturnos (2016), que lhe rendeu um Globo de Ouro e, agora, Na Mira do Atirador.

É claro que o filme tem seus problemas, como algumas forçadas de barra no roteiro para que a história se justifique. Mas isso não atrapalha a experiência final. A conversa entre os dois inimigos, que vai desde momentos íntimos até a justificativa da guerra e suas absurdas consequências – principalmente psicológicas –  transforma Na Mira do Atirador, longa original da Amazon Studios, em um ótimo e intimista drama de guerra, com um lindo e simbólico clímax.  Vale a pena!

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 2/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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