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Death Note | Crítica

Confira a opinião de Ítalo Passos sobre a adaptação da Netflix!

Death Note | Crítica

Death Note

Ano: 2017

Direção: Adam Wingard

Roteiro: Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides, Jeremy Slater

Elenco: Nat WolffLakeith Stanfield, Willem Dafoe, Margaret Qualley, Shea Whigham

Death Note é uma das obras mais significativas da cultura pop deste século. O mangá e o anime nos fazem debater sobre vários temas e, o mais importante deles, é sobre onde está a linha que divide pessoas boas de pessoas ruins. Antes de tudo temos que entender que o longa é uma adaptação e, como toda adaptação, temos mudanças. O filme se passa em Seattle e mostra como Light (Nat Wolff) encontra um caderno misterioso chamado de Death Note. Assim que se apossa do objeto, ele conhece Ryuk (Willem Dafoe), o deus da morte que passa a acompanhar todos portadores do caderno.

Em momento nenhum me senti incomodado pelo filme se passar nos EUA ou por atores ocidentais interpretarem os protagonistas. Como disse, é uma adaptação, mudanças podem ser feitas se os idealizadores entenderem bem como fazer isso respeitando o material original.

Infelizmente, toda mensagem, debate e estudo social que é passado pelo mangá não é abordado de forma eficiente aqui. Eles até trabalham superficialmente sobre o questionamento de “quem decide quem vive e quem morre”. Mas nada além disso, basicamente reduziram o longa a formação de um casal totalmente sem sentido e ambos querem erradicar todas as pessoas malvadas do planeta. A união de Light e Mia (Margaret Qualley) é uma das coisas mais forçadas que já vi. A partir do momento que a moça fica sabendo do poder do caderno, magicamente se apaixona pelo protagonista.

Mas, ainda assim, esse não é o problema do qual faz o filme afundar de vez. O roteiro cheio de furos e a descaracterização dos personagens são totalmente inexplicáveis, já que tinham um material original tão bom em mãos. Vejo que Nat Wolff foi o único equívoco na escolha do elenco, por mais que o maior problema seja no texto do personagem, ele beira à galhofa em sua atuação. Na cena do primeiro encontro de Ryuk e Light, este último grita de uma forma tão ridícula que, por um momento, achei que estava assistindo a uma comédia, não dá para entender mesmo como isso foi para o corte final.

Enquanto o L, que foi vivido pelo bom Lakeith Stanfield, faz de tudo para entregar o personagem mais fiel possível, infelizmente o roteiro ignora toda a essência e faz com que L flerte até em utilizar o Death Note, sim, isso mesmo, utilizar o caderno para matar! Em contraponto disso tudo, temos o excelente Willem Dafoe. O Ryuk que ele entrega é misterioso, um ar de que só quer ver o circo pegar fogo. Infelizmente, ele tem pouco tempo em tela.

A cinematografia é bem bonita. Com uma ambientação fria e chuvosa, nos passa a real sensação de que temos a morte naquela cidade. Os enquadramentos lembram muito ao do anime, isso passa uma sensação ótima de nostalgia. Percebemos que o diretor tinha ótimas intenções e fez o que pode. Pena que teve que trabalhar com um texto tão pobre.

Death Note é mais uma pisada de bola da Netflix, que deixa passar mais uma ótima oportunidade. Assuntos que são de extrema relevância são deixados de lado para ser focado em cenas de gore, românticas e ação. Nada do que realmente fez o mangá ficar conhecido e ser amado por todos é aproveitado aqui.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 12    Média: 1.8/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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Comments

  1. Simplesmente horroroso…tenho tantos motivos para detestar esse filme que fica quase impossível verbalizar…lamentável adoraria colocar no Death Note o nome de cada um que fez esse desastre.

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