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Especial de Ano Todo com Clarice Falcão | Crítica

Especial de Ano Todo com Clarice Falcão | Crítica

Há anos os especiais são um formato que fazem parte da cultura e da identidade norte-americana, no Brasil, por conta do sucesso dos stand-up de humor, e a Netflix tem apostado nos shows de comédia na sua estratégia. No mês de agosto, a plataforma de streaming disponibilizou ao público um especial humorístico escrito e protagonizado pela Clarice Falcão – artista que canta, escreve e representa.

Se você acompanha a trajetória da pernambucana, já deve estar habituado com o seu repertório de trabalho nonsense. Ela se destacou no canal Porta dos Fundos, em que fez parte até 2015. A jovem, de apenas 27 anos, tem uma longa carreira como atriz (que inclui até novela das 8), mas nos últimos tempos está sob os holofotes principalmente por causa da sua performance na música com os álbuns Monomania (2013) e Problema Meu (2016) – que lhe renderam vídeoclipes “polêmicos” compartilhados no YouTube. Com talento para roteirizar, atuar e tocar nos seus próprios projetos, o programa surgiu a convite da Netflix, que encomendou um stand-up para o serviço. A artista alegou que não costuma se apresentar nesse tipo de formato e que gosta de contar histórias. Então, teve a ideia de um especial de Natal, para gozar com os especiais de fim de ano.

Clarice abre o show dizendo (de forma irônica) que sempre sonhou com um musical para a TV. A ligação mais rápida que um brasileiro pode fazer é com o cantor Roberto Carlos, que, como diz a brincadeira, se não surgir na televisão em dezembro, o réveillon não acontece. O problema é que a forma de consumo da plataforma não permite que o conteúdo oferecido fique datado. Como é dito por ela: seria difícil adaptar um especial de final de ano em um veículo onde as pessoas podem assistir ao programa a qualquer momento, portanto, a apresentação é realizada em um formato que lembra em 12 números todos os meses do calendário. Passando pelas principais datas comemorativas, misturando músicas, piadas, interação com a plateia e sátiras.

No palco para acompanhar a cantora temos participações excelentes, como as da banda o Exército de Bebês, bailarinos e as interferências da produtora Jô, que surge sempre para trazer a artista para a realidade da humildade do porte da produção. É importante frisar que você não deve esperar coreografias incríveis, figurinos luxuosos e efeitos excepcionais – é tudo muito simples e que se encaixa dentro da proposta de ser um musical teatral. O especial conta com roteiro original e canções novas escritas particularmente para o show. Com exatamente 61 minutos de duração, o humor utilizado tanto nos monólogos quanto nas conversas é rápido e assertivo, é um espetáculo sem barriga, até porque não existe tempo suficiente para isso.

Alguns números se sobressaem mais do que outros. Em janeiro a comédia gira em torno do otimismo que temos em relação às mudanças – e que ao final nem sempre tudo sai como planejado. Fevereiro serve como uma ótima sátira sobre o fim dos namoros próximo ao período do carnaval. Março é um mês sem nenhuma data festiva significativa e que tinha o risco de ser um número chato, porém é a melhor parte do espetáculo com um dueto parodiando a clássica Águas de Março. Em julho, Clarice desempenha uma canção metafórica para as opções disponíveis no serviço. Em novembro, ela presta uma rápida homenagem aos famigerados memes da internet.

Por fim, a sacada do espetáculo é trazer um humor no tom ácido, pessimista, debochado, tolo e até mesmo com uma pitada de ativismo que nunca se instala corretamente. O show é uma declaração sobre saber rir de si mesmo e das adversidades da vida. Se você está procurando um programa besteirol e espontâneo para assistir, essa é uma grande opção do catálogo da Netflix.

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