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Game of Thrones – 7×06: Beyond the Wall | Crítica

Confira a opinião de Rafael Bernardes sobre o penúltimo episódio da temporada!

Game of Thrones – 7×06: Beyond the Wall | Crítica

Game of Thrones – 7ª Temporada

Ano: 2017

Criadores: David BenioffD. B. Weiss

Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia ClarkeLena HeadeyNikolaj Coster-WaldauSophie TurnerMaisie WilliamsLiam CunninghamAidan Gillen

[Essa crítica possui spoilers]

Game of Thrones está chegando ao final, faltando poucos episódios para que um desfecho seja realizado. O ritmo acelerado da sexta temporada vem sendo justificado por conta da diminuição de episódios, mas esse fato vem agradando muitas pessoas. Realmente, a temporada está mais objetiva e isso é bom. Porém, no capítulo anterior ficou claro que o roteiro está sendo deixado de lado em alguns momentos, caindo a qualidade da série como um todo.

Na sexta parte da sétima temporada, levando o título Beyond the Wall, nos limitamos a enxergar apenas três núcleos: norte da Muralha, Winterfell e Pedra do Dragão, o que aumenta a imersão em poucos personagens e não desvia o foco para a trama principal. Os melhores momentos foram, sem sombra de dúvidas, os diálogos. Desde falas engraçadas e provocativas de Tormound com o Cão, até referências a Ned Stark e desenvolvimento do conflito entre Arya e Sansa.

Em Winterfell, a tensão entre as irmãs é nítida, proporcionando uma preocupação real de que algo trágico poderia acontecer (como a morte de Sansa nas mãos de sua irmãzinha). O desenvolvimento dessa realização foi muito bem feito, mas o desfecho disso ainda é uma incógnita. O próximo episódio definirá se o que ocorreu foi realmente importante para a trama. Ao norte da Muralha, o “esquadrão suicida” caminha de encontro aos caminhantes brancos. Muitos diálogos inéditos e divertidos proporcionam uma quebra de tensão. Esse artifício é posto em diversas obras, como Pulp Fiction, por exemplo. Se trata de uma das marcas de Quentin Tarantino. As referências ficam claras, mas a direção peca em alguns momentos, como em sequências sequências de luta, que deveriam ser impecáveis para suprimir os problemas de roteiro que serão citados.

O surgimento do urso morto de olhos azuis (nome de carta do Yu-Gi-Oh) serviu apenas para realizar uma metáfora, pois Jorah é da casa Mormont, cujo símbolo é uma ursa e ele possui um par de olhos azuis. Foi muito interessante essa relação e a escolha do personagem para ser o responsável por matar o animal. Quando os andarilhos chegam ao encontro dos caminhantes, os problemas graves de roteiros começam a aparecer. Eles caminharam muito e quando Gendry volta correndo, chegando rapidamente à Muralha, inconsciente, conseguindo mandar um corvo para Pedra do Dragão, é desenvolvido o artifício que chamamos de Deus ex machina, um “recurso” utilizado para resolver determinado problema criado na narrativa e que acaba não fazendo muito sentido.

O “corvo a jato” chegou nas mãos de Daenerys, que leu e montou em seu dragão, chegando em poucas horas até o local onde os personagens estavam, salvando o dia. A distância percorrida pela ave e pelo dragão seria gigantesca, segundo os livros, sendo difícil crer na veracidade do ocorrido. Além disso, o subterfúgio criado para manter os caminhantes ocupados durante esse tempo foi o risco de cair na água ao tentar chegar no grupo de homens. Não faz nenhum sentido o Rei da Noite ficar ali esperando, olhando para os seus alvos. Também foi muito conveniente o Cão ter jogado a pedra, fazendo com que os mortos se dessem conta de que podem chegar até eles. Isso foi feito apenas para que um embate seja realizado, vários figurantes sejam mortos e momentos tensos, como a quase morte de Tormound seja inserido. E quando tudo está perdido, surge a Mãe dos Dragões, juntamente com seus filhos para salvar o dia.

Todos esses problemas de roteiro foram prejudiciais ao episódio, mas o fechamento foi a aparição do Tio Benjen para salvar Jon Snow. O personagem não aparecia há muito tempo, nem era mencionado, mas foi utilizado como deus ex machina para que Jon não morresse. O bastardo raramente consegue se salvar, necessitando sempre de algum fator “extracampo” para mantê-lo vivo ou para vencer suas batalhas. Isso já aconteceu na Batalha da Muralha, na Batalha dos Bastardos e até no momento de sua morte, sendo que Melisandre aparentemente nunca tinha ressuscitado ninguém e não tinha nenhuma certeza de que aquilo poderia realmente acontecer.

Os efeitos especiais são ótimos, a cena da morte do dragão foi espetacular, mas o roteiro foi sacrificado para que isso pudesse acontecer. Todo o desenvolvimento de uma ameaça ainda maior foi feito de forma porca, esquecendo a verossimilhança, que é quando uma regra é estabelecida em um universo fantástico. Essa regra não pode ser quebrada, mesmo que o mundo místico seja extenso. Ao acabar com isso, o roteirista ignora a coerência narrativa e faz com que o episódio se resuma a bons diálogos, efeitos especiais e cenas de luta bem realizadas. Game of Thrones é muito mais do que isso. Muitos fatos que aconteceram podem ser melhor desenvolvidos no capítulo final e esperamos que isso realmente aconteça. Com um começo de temporada lembrando a origem da série, os dois últimos episódios caem bruscamente, deixando de lado parte da identidade desenvolvida durante sete anos.

Nota do crítico

Nota dos usuários

[Total: 5    Média: 2.2/5]

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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