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Os Defensores – 1ª temporada | Crítica

Nova parceria entre Marvel e Netflix acerta na dinâmica dos protagonistas, mas erra com coadjuvantes

Os Defensores – 1ª temporada | Crítica

Os Defensores (Marvel’s The Defenders) – 1ª temporada

Ano: 2017 

Criadores: Douglas PetrieMarco Ramirez

Elenco: Charlie Cox, Krysten RitterMike ColtonFinn JonesÉlodie YungJessica Henwick, Scott GlennSigournet WeaverRamon Rodriguez, Rosario Dawson, Wai Ching HoElden HensonSimone MissickDeborah Ann WollRachael TaylorYutaka Takeuchi

Após o primeiro fruto da parceria entre Marvel e Netflix, a série Demolidor, acreditava-se que esta renderia outros ótimos resultados para os fãs. Jessica Jones veio e manteve uma certa qualidade, mas com um ritmo diferente. A partir daí, a qualidade só foi diminuindo. Luke Cage não tinha um bom vilão (o que era bom saiu de cena muito rápido) e era inconsistente, e Punho de Ferro foi considerada um desastre. Agora havia uma incerteza no ar: Os Defensores poderia aumentar o gráfico de qualidade das séries das duas empresas ou só desceria mais ainda esta linha?

Os Defensores começa com os quatro heróis (?) vivendo suas vidas após as consequências de suas séries solo. Matt Murdock (Charlie Cox) deixou a vida dupla como Demolidor de lado e agora trabalha em um caso sem o envolvimento de seu ex-sócio, Foggy Nelson (Elden Henson). Jessica Jones (Krysten Ritter) continua bebendo muito e sendo uma pessoa não muito agradável; ela é convocada a investigar o sumiço de um arquiteto, mas recusa, imaginando que é só a traição de um marido. Luke Cage (Mike Colton) finalmente consegue sair da prisão, e volta para o Harlem, onde Claire Temple (Rosario Dawson) o espera, mas logo ele volta a agir como o herói do bairro. E Danny Rand (Finn Jones) mantém sua busca pelo Tentáculo junto com Colleen Wing (Jessica Henwick). Não demora para que os quatro protagonistas se encontrem, o que é bom, já que o ritmo arrastado era um dos principais problemas de todas as séries anteriores (nem mesmo a 2ª temporada de Demolidor se salvou nesse quesito), e o número reduzido de episódios ajudou muito nisso.

A dinâmica entre eles era um ponto que muita gente tinha curiosidade sobre como seria executado. Ela é sensacional. A maneira como os personagens interagem entre si é cheia de conflitos, de receios. Eles não se conhecem e se tornam BFF’s, como acontece em diversas séries do subgênero (também conhecidas como todas da CW), muito pelo contrário. Eles não querem se envolver em uma ação contra uma organização global que pratica maldades, só querem voltar para suas vidas não muito alegres, mas entendem que, sem a união entre eles, o destino de Nova York pode ser o fim em poucos dias. Os diálogos entre os protagonistas são muito bem escritos, com altas doses de sarcasmo, e os atores, o que é melhor ainda, conseguem entregar exatamente o que o roteiro pede dos personagens. É um ótimo trabalho de direção de elenco.

Os personagens secundários (às vezes nem tão secundários assim), por outro lado, oscilam entre o bom e o caricato. Stick (Scott Glenn), Colleen, Claire, Misty Knight (Simone Missick) e a líder do Tentáculo, Alexandra (Sigourney Weaver, ótima no papel), são extremamente eficientes no que é proposto, mas o mesmo não se pode dizer do restante. Foggy e Karen Page (Deborah Ann Woll) não tem exatamente o que fazer na série; estão apenas para situar Matt e “completar” o universo; o mesmo acontece com Trish (Rachael Taylor). Madame Gao (Wai Ching Ho) e Bakuto (Ramon Rodriguez) são reduzidos a sidekicks de Alexandra, o que é triste, visto que ambos já foram muito importantes no cânone, principalmente Madame Gao. Mas a pior parte está concentrada em Elektra Natchios (Élodie Yung).

O que dizer de Elektra Natchios? Desde que a personagem foi inserida em Demolidor já haviam problemas. Sua participação na série do nosso herói cego favorito, apesar de importante, deixou um gosto amargo do espectador, já que a ninja grega era irritante e seu enredo atrapalhava a ótima história envolvendo o Justiceiro (Jon Bernthal). Seu retorno não soa forçado, mas a personagem, agora chamada de Céu Negro, está mais inexpressiva do que antes. Élodie Yung não consegue transmitir toda a dor que Elektra necessita, ainda mais quando uma decisão de roteiro não muito inteligente a coloca em maior destaque. Além disso, as falas que ela tem são pobres e o espectador só deseja que a cena com ela termine. Isso é triste. Lembro na hora de Emilia Clarke em Game of Thrones, mas isso já é outra história.

Apesar dos pesares, a série tem mais pontos positivos do que negativos. O modo como as cores são utilizadas é um desses. Mesmo que o crossover mantenha a linha “escura e sombria” advinda das anteriores, é possível distinguir as tonalidades dos nossos heróis. Você entende que a cor do Demolidor é o vermelho, que quando Jessica Jones entra em cena os tons de roxo dominam a tela, que o amarelo é a cor de Luke Cage e o verde-amarelo é a do Punho de Ferro. Isso traz identidade aos personagens e até mesmo à série como um todo, fazendo com que a experiência seja bem satisfatória. A equipe de fotografia e direção de arte merece palmas por isso.

Depois de tanta análise, acredito que já é possível responder à pergunta presente no primeiro parágrafo deste texto: Os Defensores fez a linha deste gráfico de qualidade voltar a subir. A nova empreitada da Marvel com a Netflix não é a melhor produção desta parceria (a 1ª temporada de Demolidor continua no topo), mas percebe-se que os produtores aprenderam alguma coisa com os erros do passado. O final deixa no ar o que aguarda os heróis em suas séries solo, com muitas perguntas a serem respondidas, mas o desejo de que a linha deste gráfico continue subindo permanece o mesmo.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 4    Média: 4/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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