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Onde Está Segunda? | Crítica

Confira a opinião de Carlos Redel sobre a nova produção da Netflix!

Onde Está Segunda? | Crítica

Onde Está Segunda? (Seven Sisters)

Ano: 2017

Direção: Tommy Wirkola

Roteiro: Max Botkin, Kerry Williamson

Elenco: Noomi Rapace, Glenn Close, Willem Dafoe, Marwan KenzariChristian RubeckPål Sverre HagenTomiwa Edun

2073. Os recursos naturais da Terra estão escassos graças ao grande aumento populacional. Para garantir uma sobrevida à humanidade, entra em vigor a lei do filho único. Sendo assim, irmãos são mandados para a criogenia e, supostamente, voltarão à vida quando o planeta estiver “salvo”. O problema é que, antes da lei entrar em vigor, os cientistas modificaram geneticamente os alimentos para tentar combater a fome. O resultado: as pessoas também sofreram modificações e começaram a ter filhos múltiplos.

Nesse cenário, nascem sete irmãs. A mãe delas não sobrevive e cabe ao avô (Willem Dafoe) mantê-las à salvo do governo. Para isso, as meninas, batizadas com os nomes dos dias da semana, entram em um sistema rotatório, saindo para fora de casa apenas no dia referente ao seu nome. Todas (Noomi Rapace) vivem a mesma identidade. Tudo vai (razoavelmente) bem por 30 anos, até que a Segunda sai para trabalhar e não retorna. Assim, as seis irmãs restantes precisam saber o que aconteceu ela.

A vilã do longa é Nicolette Cayman (Glenn Close), impiedosa líder política que implantou a lei do filho único com o “nobre objetivo” de salvar a humanidade. Cabe às irmãs combatê-la (e a seus inúmeros capangas) e mudar os seus próprios destinos e o da humanidade. O propósito da malvada da história, apesar de ser absurdo, é explicável quando a câmera anda pelas ruas, mostrando a superlotação, sujeira e pessoas passando por necessidades. A ambientação nesse futuro distópico está ótima e convincente, diga-se de passagem.

A partir daí, começa um vertiginoso jogo de perseguição, carregado de suspense e momentos de tirar o fôlego. Certamente, o principal fator para o filme funcionar é Rapace. Ela está em seu auge físico e artístico, conseguindo dar vida às sete irmãs, cada uma com uma personalidade e com características físicas distintas. Obviamente, com apenas duas horas de duração, não há tempo para a atriz se aprofundar em todas as identidades.

Durante a projeção, fica evidente o quanto as sete irmãs são diferentes entre si. Em um primeiro momento, fica a impressão de estereotipização, mas pense só: são sete pessoas que nasceram juntas, vivem juntas e dividem a mesma identidade na rua. É óbvio que elas vão fazer o máximo para se distinguir uma das outras quando podem. Ou seja, é completamente compreensível a forçada de barra no visual e características.

A trama, mesmo prendendo o espectador do início ao fim, deixa algumas perguntas sem respostas e furos no roteiro que são essenciais para que a história continue – um dos piores problemas que um filme pode ter: errar propositalmente para que a trama possa seguir em frente. Um dos exemplos é a invasão ao apartamento das irmãs que é feita, pela primeira vez, com uma equipe de capangas reduzida – e que, depois de uma bela sequência de ação – é superada pelas moças, obviamente. Há uma demora inexplicável para uma segunda tentativa de capturar todas juntas e, quando acontece, mais uma vez, os vilões mandam poucas pessoas – com a equipe de reforço esperando fora do prédio. Por quê? Para que o filme não termine com apenas uma hora.

Apesar desse problema, Onde Está Segunda? é uma bela ficção-científica, que bebe em boas fontes como Filhos da Esperança e, até mesmo, Black Mirror. Os efeitos especiais estão surpreendentemente bons. Não há um momento durante o longa em que sejam necessárias jogadas de câmera para fazer mais de uma Noomi Rapace estar em cena. Além disso, numa ótima sequência de perseguição, uma das irmãs precisa fugir de um apartamento e, as outras que estavam dando cobertura remotamente sugerem que ela pule em uma caçamba de lixo. O resultado da proeza não poderia ser melhor, dando uma bela alfinetada nas tradicionais coincidências dos filmes de ação.

Entrando no modo primeira pessoa: no final das contas, o longa de Tommy Wirkola me surpreendeu muito positivamente. Talvez por não saber nada sobre a trama (sem ler sinopse e nem ter visto trailers), o impacto foi maior. A trama é, sim, bem construída, as motivações dos personagens são excelentes e, mesmo dando para sacar qual é o grande mistério do longa antes da metade, o final acaba sendo uma grata surpresa. Um grande acerto para a conta da Netflix, que não vinha de bons resultados.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 35    Média: 3.7/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Gostei do filme. Apesar de nao terem explicado o que aconteceu com o avo.. Eh bom.

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