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O Estranho que Nós Amamos | Crítica

Confira a opinião de Ítalo Passos sobre o novo filme de Sofia Coppola!

O Estranho que Nós Amamos | Crítica

O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled)

Ano: 2017

Direção: Sofia Coppola

Roteiro: Sofia Coppola

Elenco: Colin FarrellNicole KidmanKirsten DunstElle FanningOona LaurenceAngourie Rice

Refilmagem do filme de mesmo nome de 1971, O Estranho que Nós Amamos mostra a história de um soldado (Colin Farrell) que foge do campo de batalha durante a guerra civil americana. Ferido, ele é encontrado por Amy (Oona Laurence) e é levado até um internato para mulheres. Sofia Coppola nos traz uma visão diferente do original, o ponto de vista feminino aqui é empregado de uma maneira franca, envolvente até um certo ponto, fazendo com que o longa seja contido, mas ao mesmo tempo com um clima bem sensual. Essa sensualidade é aplicada de uma forma não exagerada, não existe algo explicito aqui, nada que seja apelativo.

A fotografia conta com uma câmera estática. Existem poucos movimentos bruscos aqui. Tudo é pensado em criar uma certa tensão entre os protagonistas, a cada cena que envolve John e uma das moças é um tipo de sentimento de desejo diferente, que vai de uma amizade até um desejo sexual. A paleta de cores com tons pastéis esconde a inocência por baixo de desejo, às vezes mostra o contrário, a inocência cobrindo o desejo. É bem bacana observar esse trabalho da produção de arte, pois acaba ajudando o roteiro a desenvolver seus personagens. Isso sem ser manipulativo e pretensioso. Facilmente, nas mãos de um diretor menos competente, o filme iria por esse caminho. Aliás, a direção é a maior qualidade do longa. Coppola consegue tirar atuações extremamente complexas de seu elenco, tratando o olhar como algo que conecta os personagens de uma forma envolvente. A diretora sabe o que quer passar ao público, ela entende o que tem que ser dito e o melhor modo de mostrar isso em tela. Não vi todos os filmes que estavam na disputa deste ano em Cannes, mas acho difícil ver outra direção tão complexa quanto essa.

Os instintos sexuais são fortes aqui e, como disse acima, não são explícitos, a eterna disputa instintiva entre homem e mulher para impor o que ambos querem é uma das camadas trabalhadas pelo roteiro. Isso tudo ainda conta com a maioria de suas cenas sem a presença de música. Somos envolvidos em diálogos ou olhares distantes apenas ao som ambiente, isso dá um ar mais real às situações e torna todo sentimento envolvido mais crível já que se trata de uma localidade isolada. O vento, os pássaros, os passos, são os elementos que completam as cenas. Aliás, em vários momentos, ouvimos o som dos tiros disparados em batalhas naquela região.

O único ponto fraco do filme é a ausência de desenvolvimento de alguns personagens que parecem estar em cena só para completar elenco. Falas rasas, pouco sentido em tê-las no longa. Creio que elas poderiam ser melhor desenvolvidas em cenas complementando algumas situações das protagonistas, ainda assim, não estraga de modo algum a obra.

O Estranho que Nós Amamos nos mostra inocência, compaixão e pecado, sem ser apelativo e com uma naturalidade impressionante. Podemos muito bem controlar nossos instintos, temos desejos que fazemos questão de deixar explícitos aos olhos de quem quer ver. Tudo o que não podemos fazer é trancafiar essa fera, pois um ser humano pode muito bem ser bom ou mau, mas ao primeiro sinal de que aquilo pode ser tirado dele, com certeza a fera será liberada em autodefesa, afinal, estamos falando de instintos.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4.5/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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