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Especial | Quebrando a maldição: terceiros filmes que são ótimos!

Separamos 13 longas que provam que a "maldição do terceiro filme" está errada!

Especial | Quebrando a maldição: terceiros filmes que são ótimos!

Provavelmente, você já ouviu falar da “maldição do terceiro filme” – ou simplesmente que os terceiros filmes sempre são ruins -, certo? E o pior é que não faltam exemplos para validar essa teoria. Nos últimos anos, por exemplo, tivemos desastres como Homem de Ferro 3, Homem-Aranha 3, X-Men: O Confronto Final… Mas estamos aqui para dar boas notícias e dizer que nem todos os terceiros filmes são ruins (na verdade, muitos são ótimos)!

Confira a nossa lista:


  • Star Trek: Sem Fronteiras (2016)

Desde que o reboot de Star Trek foi anunciado, com J.J. Abrams no comando, tivemos um ótimo primeiro filme e um bom segundo episódio. No entanto, quando Justin Lin assumiu o controle do terceiro capítulo da nova saga para Abrams comandar Star Wars: O Despertar da Força, a franquia conquistou um novo fôlego e, talvez, o seu melhor filme. A equipe da Enterprise ganhou uma nova dinâmica, misturando membros improváveis em situações que dosam muito bem a ação e boas sacadas de humor. A história até não é uma grande inovação, mas o ritmo do longa e o seu bom elenco, além dos excelentes efeitos especiais e maquiagem (sério que deram o Oscar para Esquadrão Suicida?), fizeram de Star Trek: Sem Fronteiras uma das melhores aventuras de 2016!


  • Toy Story 3 (2010)

Como não amar a franquia Toy Story? Provavelmente, é uma das trilogias mais inspiradas da história do cinema (alguém me explica o motivo da Pixar fazer um quarto filme?). Em 1995, a Pixar inovou fazendo a primeira animação inteiramente computadorizada. E, além desse avanço tecnológico, trouxe uma história linda e cativante sobre amizade e lealdade. Quatro anos mais tarde, a sequência foi lançada e, apesar de não ser tão boa quanto o filme original, manteve o nível altíssimo da franquia. Foi em 2010 que o terceiro capítulo foi lançado e, olha, que coisa mais linda. Toy Story 3, além de ser um sucesso absurdo de bilheteria e de crítica, apresentou uma história incrível e tocante sobre amadurecimento e escolhas que fazemos na vida. Uma animação sensacional para crianças e um filme maravilhoso para adultos. Sem dúvidas, Toy Story 3 é o melhor da franquia e uma das melhores animações de todos os tempos. É impossível não se emocionar com Woody, Buzz, Rex, Sr. e Sra. Cabeça de Batata, Jessie, Bala no Alvo, Slinky e Andy nessa aventura maravilhosa! Se ainda não viu, prepare o lencinho…


  • O Poderoso Chefão – Parte III (1990)

Com certeza esta não é uma unanimidade como um grande terceiro filme, mas talvez isso seja muito menos devido à qualidade como obra cinematográfica e muito mais a uma comparação desleal e desnecessária entre o carisma e a personalidade de Don Vito Corleone (Marlon Brando / Robert De Niro) com as características de seu filho Michael (Al Pacino). A trilogia d’O Poderoso Chefão pode tranquilamente ser entendida como um único filme. Uma única história que tem sim um desfecho coerente e irrepreensível. Ao apresentar o final da trajetória de Michael Corleone, a beleza da trama surge  justamente no contraponto entre as formas pelas quais ele e seu pai conduziram os negócios da Família, e principalmente nas consequências decorrentes de suas atitudes. O Poderoso Chefão – Parte III remete aos seus antecessores inúmeras vezes com belíssimas e delicadas referências – sejam elas através de rimas visuais quanto em atitudes, principalmente no que se refere a Vincent (Andy Garcia). É um filme que merece ser visto com mais carinho e principalmente com atenção a estes detalhes, que é exatamente onde reside grande parte da genialidade da trilogia.


  • O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)

A jornada para a destruição do Um Anel chega ao fim em um filme que fala muito mais do que esperamos. Não só a destruição do Mal e a luta pela Terra Média nos é mostrada aqui,mas também temos a tão esperada ascensão do Rei de Gondor. Como não se arrepiar com o discurso do Rei Théoden antes de marchar em direção à morte? Ou se emocionar quando Sam leva Frodo nas costas até o topo do vulcão? Vemos também uma mulher tomar a frente e ir à luta pelo que acredita, sem deixar nenhum homem dizer o que ela tem que fazer, destruindo seres que nenhum homem poderia matar. A lição sobre sempre existir luz mesmo quando a escuridão tiver tomado tudo é inspiradora. Tudo isso com uma trilha sonora marcante faz com que O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei seja um filme indispensável nessa lista.


  • Máquina Mortífera 3 (1992)

Esta é uma daquelas franquias que, apesar dos defeitos que possam ser encontrados aqui ou ali, conseguiu manter-se coerente e relevante até o último episódio. Sempre acrescentando personagens novos e interessantes, se encerrou no quarto filme com a qualidade um pouco inferior aos seus antecessores, mas ainda eficiente ao entregar a conclusão com uma mensagem positiva e adequada àquilo que foi desenvolvido de cada personagem até então. No entanto, o assunto aqui é especificamente os terceiros filmes, e este cumpre muito bem o seu papel. Ele inicia em alto nível com a excelente cena na qual Martin Riggs (Mel Gibson) e Roger Murtaugh (Danny Glover) cometem um “pequeno” erro ao tentar desarmar uma bomba. Até hoje utilizo eventualmente o trocadilho “Gatástrofe” proferido por Riggs, de um daqueles raros momentos nos quais a tradução é tanto boa quanto a piada original.  Mesmo que peque um pouco por contar com um vilão menos interessante que nos outros filmes, a volta de Leo Getz (Joe Pesci), com maior destaque e perfeitamente integrado ao “time” principal, proporciona momentos fantásticos e divertidos. Ainda há o acréscimo da personagem Lorna Cole (Rene Russo) que se torna o par romântico perfeito para Martin Riggs em um papel que, apesar de secundário, já mostrava uma mulher forte e independente em filmes de ação lá no início da década de 90. Isso não é pouca coisa.


  • Indiana Jones e a Última Cruzada (1989)

A Última Cruzada, além de ser um terceiro filme maravilhoso, trazia um título com um duplo sentido fantástico: a trama nos remete à história dos cavaleiros das cruzadas na idade média mas, além disso, poderia ser entendido como a última cruzada do nosso herói-arqueólogo – o que, infelizmente, não se confirmou. A missão de Indiana Jones (Harrison Ford), desta vez, é seguir os passos de seu pai Henry Jones (Sean Connery, fantástico), que desapareceu enquanto buscava o Santo Graal. Para isso, terá que enfrentar os nazistas novamente, tanto para salvar seu pai quanto para impedi-los de colocar as mãos no Cálice Sagrado e utilizar todo o poder contido neste objeto místico. Praticamente tudo neste filme funciona bem. A introdução do pai de Indiana, a própria origem do seu nome, o surgimento do chapéu, do medo de cobras e todo o desenvolvimento do relacionamento entre pai e filho. Além disso, os personagens secundários são ótimos: Marcus (Denholm Elliot), Sallah (John Rhys-Davies), Elsa (Alison Doody) e o ameaçador vilão Vogel (Michael Byrne). O filme conta com sequências memoráveis, dignas dos melhores momentos da franquia, como as fugas do castelo e do zepelim, e as provações para se alcançar o esconderijo do Graal.  É uma pena que perderam a chance de terminar a franquia por ali. Agora cogita-se realizar o quinto filme. O maior problema disso é que nos faz lembrar que existe o quarto…


  • Millennium: A Rainha do Castelo de Ar (2009)

Os três filmes suecos foram feitos praticamente ao mesmo tempo, todos em 2009, pela mesma equipe e com os mesmos atores. O dois últimos foram dirigidos por Daniel Alfredson, com roteiro de Jonas Frygberg. A Rainha do Castelo de Ar é o ato decisivo de Lisbeth Salander (Noomi Rapace) tentando provar que é inocente. Particularmente o terceiro longa é o único que não funciona sozinho – é essencial ter assistido pelo menos a segunda parte. A trama começa com a nossa hacker favorita no hospital após quase ser morta em um acontecimento catastrófico. Sob a custódia da polícia e acusada de diversos crimes, ela e o parceiro Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), terão que resolver todas as descobertas levantadas por ambos. A história envolve suspense, crime, investigação e drama; são tantos personagens e subtramas que ficaria impossível contar tudo em um único filme. A direção e o roteiro são impecáveis! A conclusão da trilogia além de apresentar uma das personagens femininas mais complexas do cinema, oferece uma das melhores sequências rodada em um tribunal.


  • Antes da Meia-Noite (2013)

Foram necessários três filmes da impressionante série composta por Antes de Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes da Meia-Noite para consagrar, mais uma vez, o diretor Richard Linklater. No terceiro ato, quase duas décadas se passaram desde o primeiro encontro da nossa dupla de protagonistas em um trem com destino a Viena. Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), estão mais velhos e vivem juntos em Paris com as filhas gêmeas que tiveram. Ele está buscando se aproximar de Hank (Seamus Davey-Fitzpatrick), o filho adolescente que teve com a ex-esposa e que mora em Chicago com a mãe. Nesta nova jornada, Jesse segue perseguindo o sonho de se tornar um romancista famoso, enquanto que Celine está pensando na possibilidade de aceitar um cargo no governo francês. Embora juntos como resultado do vínculo amoroso genuíno, o fechamento da trilogia questiona essa conexão entre eles, o drama é um relato sobre a mudança da definição do amor à medida que envelhecemos. O longa entrega mais que um romance, é um belíssimo manifesto sobre a importância da ternura nas relações humanas.


  • Capitão América: Guerra Civil (2016)

Depois de um começo promissor com O Primeiro Vingador e uma ótima sequência com Soldado Invernal, Guerra Civil consolidou a trilogia de filmes do Capitão América como a mais consistente entre os filmes de super-herói. Sem nunca deixar a presença dos demais Vingadores apagar seu protagonista e herdando tanto o clima sério como as excelentes cenas de luta do seu antecessor, o filme traz uma excelente balança entre seus oito heróis, tomando o devido tempo para desenvolver a motivação de todos, e equilibrando os temas mais sérios com pontuais alívios cômicos. Dentre as diversas conquistas de Guerra Civil, vale destacar que Robert Downey Jr. finalmente saiu do automático interpretando Tony Stark, fazendo seu personagem soar mais humano e desgastado. Onde muitas trilogias falharam, o último capítulo da franquia Capitão América conseguiu manter a qualidade de seus antecessores e preparou bem o terreno para os filmes que estão por vir.


  • Batman: O Cavaleiros das Trevas Ressurge (2012)

Em 2008, Batman: O Cavaleiro das Trevas chegou aos cinemas. Junto com o filme, a aclamação como um dos melhores longas de super-heróis já feitos – muita gente o coloca no topo da lista. Um terceiro capítulo era o que o público pedia, mas muitos fãs tinham o receio de que ele caísse na temida “maldição do terceiro filme”, que já tinha atingido as franquias X-Men, Homem-Aranha e até mesmo na animação, com Shrek. Christopher Nolan tinha essa pressão, mas conseguiu finalizar a trilogia de maneira mais que satisfatória. Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge começa oito anos depois do filme anterior, com um Batman lendário e inativo desde a morte de Harvey Dent, e um Bruce Wayne (Christian Bale) totalmente recluso. Tudo muda quando surge a ameaça de Bane – um Tom Hardy bastante parrudo -, um terrorista que recruta jovens de Gotham para sua causa. Com a ajuda de Selina Kyle/Mulher-Gato (Anne Hathaway) e do policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt), ele descobre que o objetivo de Bane é o mesmo que Ra’s Al Ghul (Liam Neeson) tinha lá em Batman Begins, que é destruir a cidade de Gotham. TDKR (como é conhecido pelos fãs) não possui tanto esmero quanto o seu antecessor, mas ainda é um ótimo filme e sempre é lembrado pelo público com muito carinho como o fim de uma das trilogias mais bem elaboradas do cinema.


  • Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004)

Os dois primeiros filmes da franquia Harry Potter são muito bons e servem para estabelecer um universo fantástico com diversos elementos fictícios. Porém, é inegável que, no começo, o tom dos longas é bastante infantil, pois o público alvo era realmente as crianças. O tempo passa e os fãs vão crescendo, os interesses vão mudando e as produções inteligentemente seguiram evoluindo junto com o público. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é o primeiro longa da franquia com um tom mais sombrio e adulto, diminuindo a quantidade de piadas e aumentando o suspense e a tensão. Pode-se considerar a direção de Alfonso Cuarón um dos motivos para essas mudanças. O diretor adota o seu estilo, mas sem esquecer do clima dos filmes passados. O filme é o melhor de toda a franquia, por conta da cinematografia, roteiro e inclusão brilhante de personagens carismáticos e essenciais para o resto de toda a história. A adaptação do livro também foi excelente e incrivelmente fiel. Com certeza se trata de um dos melhores terceiros filmes de franquias já feitos.


  • Planeta dos Macacos: A Guerra (2017)

A trilogia iniciada em 2011, com A Origem e seguido por O Confronto, de 2014, nos prepara para o terceiro filme, Planeta dos Macacos: A Guerra, com direção de Matt Reeves. A história agora foca nos acontecimentos autodestrutivos entre humanos e macacos. Em vez de negociar uma coexistência pacífica, os homens decidem declarar guerra total a César (encarnado por Andy Serkis e projetado pelos magos do estúdio de animação)  e seus companheiros, que são forçados a lutar contra um exército implacável. O nosso protagonista vive um drama profundo e parte em busca de vingança pelos colegas que perdeu na batalha. Um chimpanzé que emite frases com certa dificuldade encontra uma menina que não tem mais essa capacidade por consequência do vírus que deu inteligência aos macacos, é a partir desses personagens que a trama levanta temáticas existencialistas sobre o que significa, de fato, ser humano. O longa é uma conquista formidável: não é apenas uma terceira parcela que mantém a qualidade dos dois primeiros, mas um filme de ação que se atreve a fazer perguntas difíceis sobre a luta entre o bem e o mal em uma escala social maior e dentro de cada indivíduo.


  • De Volta Para o Futuro – Parte III (1990)

A trilogia De Volta Para o Futuro é um grande exemplo daquelas franquias que sabem quando parar. O terceiro filme pode não ser tão bom quanto os anteriores (que são maravilhosos), mas respeita a história e dá um encerramento muito adequado à trama. É claro que o planejamento nestes casos faz toda a diferença. Como o segundo filme termina como uma espécie de prólogo da sua continuação, já se percebe que não teremos um roteiro improvisado e caça-níqueis, e sim um final honesto para as aventuras de Marty McFly (Michael J. Fox) e “Doc” Emmett Brown (Christopher Lloyd). Após o incidente com o raio que enviou o Dr. Brown e a máquina do tempo para 1885, Marty volta a procurar o Doc de 1955  para ajuda-lo a consertar o DeLorean e ir resgatar seu amigo. Com a trama se passando no velho oeste, é gratificante ver o cuidado em colocar as origens da cidade de Hill Valley, com locais que fizeram parte da história dos outros filmes. Além disso, ficaram ótimas as adaptações das situações que se repetiram em todos os períodos de tempo como Marty sendo acordado por sua mãe, o bullying de Biff e muito outros casos, mas dessa vez feito por seus antepassados. Um filme divertido, empolgante e, sem dúvida, uma bela despedida.


Este especial foi realizado por André Bozzetti, Camila LopesCarlos Redel, Diego Francisco, Ítalo Passos, João Victor Hudson e Rafael Bernardes


E aí, faltou algum terceiro filme que seja ótimo na lista? Deixe nos comentários!

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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