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Bingo: O Rei das Manhãs | Crítica

Bingo: O Rei das Manhãs | Crítica

Bingo: O Rei das Manhãs Resultado de imagem para bingo o rei das manhãs

Ano: 2017

Direção: Daniel Rezende

Roteiro: Luiz Bolognesi

Elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Augusto Madeira, Ana Lucia Torre, Tainá Müller, Emanuelle Araújo, Cauã Martins, Soren Hellerup

Poderia se esperar de Bingo: O Rei das Manhãs, longa baseado na história do primeiro intérprete do Palhaço Bozo, um filme engraçado, divertido, leve. Porém, a vida de Arlindo Barreto não era tão divertida fora do programa matinal que apresentava. A produção realmente tentou transpassar veracidade na hora de retratar o personagem, não pouparam cenas fortes de sexo e drogas. O início da trama já deixa claro o clima, quando após uma cena engraçada e bonita, é revelada a primeira profissão do ator.

A trama gira em torno de Augusto Mendes, interpretado por Vladimir Brichta, que seria a representação de Arlindo Barreto. Muitos nomes foram trocados, principalmente das emissoras de televisão. A vida de Augusto é mostrada desde sua carreira na pornochanchada, passando pelos momentos e testes para a televisão aberta, até ele se tornar o Palhaço Bingo. Os relacionamentos do protagonista são bem representados na maior parte do tempo, desde sua amizade nada saudável com Vasconcelos, cinegrafista do programa, até os laços com seu filho e sua mãe. O menino precisa viver com pais separados, mas Augusto sempre foi muito presente e carinhoso.

O primeiro ato do longa é divertido e engraçado, contando os percalços e desafios de um ótimo comediante que não recebia muitas oportunidades. O relacionamento entre pai e filho é bem desenvolvido no início, mas vai decaindo, precisando de repetições de cenas para explicitar um sentimento do garoto. A relação entre o protagonista e sua mãe é bem explorada, mas o desenvolvimento da personagem deixa a desejar.

A relação mais problemática do filme é o laço entre Augusto e Lucia, interpretada por Leandra Leal. A retratação da personagem não é convincente, sendo discrepante ao compararmos os dizeres de outros personagens em relação a ela. Não somos convencidos de que ela é uma mulher religiosa, conservadora, mandona. Além disso, fica óbvio o desenrolar da relação. A interpretação da atriz também não é das melhores, um tanto genérica. Já o trabalho realizado por Vladimir Brichta é ótimo. O ator está muito bem no papel, mesmo que pareça um tanto “canastrão” por muitas vezes.

A fotografia é irregular, mudando da normalidade para uma coloração borrada no plano de fundo, quando a cena mostra o filho de Augusto, principalmente em momentos tristes. O clima do longa muda drasticamente da metade para o final, colocando um tom melancólico e pesado na trama. O grande problema é que a tensão poderia ser estabelecida aos poucos e não jogada de qualquer forma fazendo o personagem despencar em sua história. A linha do tempo não deixa claro quando os fatos acontecem e não é possível perceber quanto tempo passou de um fato para outro.

O roteiro possui problemas, a obviedade é o principal. Não é difícil de adivinhar o desfecho do personagem, mesmo sem conhecer a figura em que ele é inspirado. Alguns clichês de redenção são atribuídos, tornando o terceiro ato o mais problemático. Brichta consegue manter a qualidade da atuação até o fim, sendo o principal ponto positivo. A história em si é boa, a trama é envolvente e a maioria dos personagens são carismáticos. As relações do mundo fictício com o real são bem empregadas e cômicas nos momentos certos.

Bingo: O Rei das Manhãs é uma bela e real homenagem ao ator que viveu a primeira versão de um dos personagens mais icônicos da televisão brasileira, sem medo de expor os pontos positivos e negativos da pessoa em si.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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