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Especial | Os piores pais do cinema

Eles não merecem presente no Dia dos Pais!

Especial | Os piores pais do cinema

O que se espera de um pai? No mínimo, que ele esteja presente para proteger, educar, ser companheiro e fazer de seu filho alguém melhor, certo? Pois é, mas nem sempre é assim que funciona. Por isso, separamos alguns dos piores pais do cinema, que não devem servir de exemplo pra ninguém que tem ou pretende ter filhos.

Confira:


Coronel Frank Fitts – Beleza Americana (1999)

Lester Burnham (Kevin Spacey) pode até não ser o pai do ano, mas se torna muito exemplar se comparado com o pai do namorado da sua filha, o coronel Frank Fitts (Chris Cooper). Assumidamente homofóbico, o coronel tem uma postura rígida e inflexível, chegando até a mandar o filho Ricky (Wes Bentley) para o colégio militar após descobrir que ele vendia maconha – o que não deu muito certo, uma vez que Ricky voltou a vender assim que retornou do colégio. No entanto, coronel Fitts é um caso de homossexual enrustido: após acreditar que seu filho tem um caso com Lester, Frank o beija e depois foge com os olhos cheios de lágrimas. O conflito interno que ele vive é tamanho que acabou assassinando Lester no final do filme. Ricky Fitts pode até não ser um bom filho, mas Frank Fitts é definitivamente um péssimo pai.


Homer Simpson – Os Simpsons: O Filme (2007)

Se tem alguém que merece estar nessa lista é o nosso querido Homer Simpson. Ele já era um pai um tanto quanto questionável na série de televisão criada por Matt Groening, mas o comilão amarelo conseguiu elevar as suas qualidades paternas a outro nível e em outra mídia. Em 2007, os Simpsons ganharam o seu próprio longa-metragem, que fez um grande sucesso. No filme, começamos vendo Homer derrubar Bart de um telhado e, depois, desafiando o garoto a andar de skate completamente pelado por Springfield. Como se não bastasse, o patriarca da família dá toda a sua atenção e carinho para um porco e, por conta disso, acaba desencadeando uma grande crise na cidade, fazendo com que sua família seja perseguida com tochas e tridentes pela população. Homer até se redime um pouco ao longo do filme, mas nada que faça dele um exemplo de pai – longe disso, inclusive.


Tomas – Força Maior (2014)

Esse filme sueco traz um dos melhores exemplos de como um pai não deve ser. Durante uma viagem com a sua família para os Alpes Suíços, Tomas acaba presenciando uma avalanche. E o que o pai do ano fez? Pegou o seu celular e saiu correndo. Sozinho. Deixando sua esposa e seus filhos para trás. Sim, isso mesmo, ele saiu correndo, sozinho, quando viu uma avalanche se aproximando. No final das contas, era um deslizamento de neve corriqueiro da região e ele teve que voltar para a mesa onde estava, na maior cara de pau, como se nada de grave tivesse acontecido. Obviamente, ficou um climão e, com isso, a família começou a ruir. E não é pra menos, né?


Fletcher Reede – O Mentiroso (1997)

Um dos maiores sucessos da carreira de Jim Carrey, O Mentiroso tem uma das melhores representações de pai ausente do cinema. O personagem Fletcher só pensa em trabalho e, por conta disso, acaba deixando seu filho de lado, sempre mentindo – obviamente – para a criança (vale lembrar que o seu casamento já tinha ido por água abaixo pelo mesmo motivo). Um típico pai negligente que só vê o filho quando dá tempo. Entre tantas desculpas e histórias furadas, com a ausência de seu pai no dia do seu aniversário o moleque acaba desejando que Fletcher fique sem mentir por um dia. E aí a vida do homem se desestrutura, uma vez que contar inverdades era a sua principal habilidade. Claro que, com essa grande mudança, o personagem principal acaba encontrando redenção e tudo mais, mas isso não apaga o quanto ele foi negligente. Mesmo com esse exemplo ruim, a comédia é ótima, temos que admitir.


Oliver – Peles (2017)

Em um mundo surreal, onde existem pessoas com as mais variadas e estranhas deformidades, nós somos forçados a perceber que a verdadeira aberração  a que devemos temer é a própria moral humana (ou a falta dela). Em Peles não faltam exemplos de péssimos pais, mas um se destaca por sua crueldade disfarçada de afeto: Oliver, o pai de Samantha – a menina que, para não ser muito explícito, possui o aparelho digestivo invertido, tendo a sua porção final no lugar da boca. Oliver faz de tudo para escondê-la do mundo, incentivando-a a ficar trancada dentro de casa e, se precisar sair, que o faça com o rosto coberto. A cereja do bolo é quando, durante o jantar de aniversário de Samantha, Oliver a presenteia com uma máscara de Unicórnio para que use quando estiver fora de casa. Sem ao menos perceber o choro da filha por baixo da máscara, ele ainda decide fazer um foto para, satisfeito com sua fantástica ideia, registrar o momento. Que presente um cara desses merece no Dia dos Pais?


Wayne Szalinski – Querida, Encolhi as Crianças (1989)

O jocoso cientista Wayne Szalinski (Rick Moranis) transforma sua residência em um verdadeiro laboratório de experiências científicas e acaba fazendo a sua família de cobaia. Sua última criação é um laser que diminui o tamanho dos objetos; e, por diversos fatores, seus filhos e dois vizinhos sofrem acidentalmente um encolhimento com o equipamento e acabam sendo reduzidos a poucos milímetros, o suficiente para caber em uma colher de chá. Sem conseguir visualizar as crianças, o patriarca varre os quatro e os deposita na calçada para a coleta de lixo. Os jovens conseguem abrir o saco com um pedaço de vidro e percebem-se encurralados na grama do quintal, que, por conta da proporção, se parece com uma floresta. A volta para casa se torna uma perigosa aventura, com escorpião, abelha e cortador de grama. Tudo é tão grande que até mesmo formigas passam a ser um risco. Enquanto isso, Szalinski se dá conta do erro que cometeu e inicia uma busca no gramado, o que é muito divertido, porém, relapso – pois a mensagem do filme reside na metáfora do pai que não enxerga o filho.


Royal Tenenbaum – Os Excêntricos Tenenbaums (2001)

Existem muitas respostas para a pergunta “o que é ser um bom pai?”, mas podemos afirmar sem medo de errar que Royal Tenenbaum não preenche nenhum dos requisitos. Falha miseravelmente como pai biológico e consegue ser pior ainda como pai adotivo. Ele, que criou três filhos antes de ser convidado a se retirar de casa pela esposa Etheline. Se Richie, o filho com o qual ele possuía maior afinidade, era levado para apostar em rinhas de cães como programa de final de semana, o que poderíamos esperar da sua relação com os outros? Quando apresentava Margot a novas pessoas, sempre enfatizava o fato dela ser adotada. Também não perdia a oportunidade de menosprezar o talento da filha, inclusive criticando negativamente a qualidade de uma peça de teatro apresentada pelas crianças no aniversário da menina. Para encerrar, Chas, o filho mais velho, desde a infância possui uma bala de chumbinho alojada na mão decorrente de uma brincadeira não muito sadia que Royal fez com ele. Não bastassem todas as atrocidades cometidas por ele na infância dos filhos, retorna para casa anos depois simulando uma doença terminal apenas para ser acolhido de volta pela família. Só mesmo Gene Hackman, dirigido pelo excelente Wes Anderson, para nos fazer gostar de um cara como esse, apesar de tudo!


Darth Vader – Star Wars (Vários filmes)

É com pesar que precisamos incluir Darth Vader na lista de piores pais… Isto porque vamos descobrindo que ele não era um cara ruim, mas se corrompeu por necessidade. Independente do afeto que podemos passar a nutrir por ele (e nutrimos <3), não podemos esquecer que ele cortou a mão do próprio filho, né? E isso enquanto fazia todo um discurso querendo trazer o bondoso Luke para o lado sombrio da força. Sim, ele se redime depois e se sacrifica, mas isso não apaga os níveis de atrocidade que ele exerce em relação aos filhos, porque também tem uma filha, Leia, irmã gêmea de Luke e que logo no início da saga já toma uma prensa do pai, confrontando-o mesmo sem conhecimento do laço que os unia. Ela também é testemunha da crueldade de Vader ao liquidar todo um planeta e, em outro momento, ser feita de refém como isca para tentar persuadir Luke – sem falar da interação que antecede a luta final contra Luke e o imperador, que leva o filho a confrontar intensamente o pai. Assim, o papel de bom pai fica mais do que desajustado para esse baita vilão que, mesmo quando tenta e se reconcilia, não consegue seduzir nem construir uma verdadeira relação fraterna de amor.


Ego – Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)

Ego, pai de Peter Quill, com certeza é o pior pai do universo cinematográfico da Marvel. Após abandonar o filho na Terra com sua mãe, o pai retorna mais de 30 anos depois tentando reconquistar sua confiança. Ele conta várias histórias de amor vividas com a mãe do Senhor das Estrelas. Não achando pouco, faz nosso herói ter momentos que sempre sonhou quando criança. Assim, com toda a confiança do filho já conquistada, ele revela a Quill poderes que estavam adormecidos em seu interior. O que Peter não desconfiava era que seu pai havia matado milhares de seus irmãos em busca de poder, poder esse que daria a ele todo o controle do universo. Não achando o suficiente, o “paizão do ano” ainda revela ter matado a mãe do nosso herói e o obriga a participar do seu plano, mesmo que isso custe a vida do seu filho. São motivos mais do que suficientes para ele entrar para essa seleta lista, não?


Jack Torrence – O Iluminado (1980)

Uma das criações mais bizarras de Stephen King, que aparentemente tem gostos e modos peculiares de demonstrar carinho à família. Após quantidades consideráveis de álcool, o personagem quebrou o braço do filho e ainda pôs a culpa no garoto. O pai da família Torrence também curte um esporte meio incomum: correr atrás da própria esposa com um machado em punho e derrubando portas, com ele, o que não parece ser algo muito saudável. Por que não matar um dos funcionários mais antigos do hotel que você está tomando conta, não é mesmo? Não podemos esquecer que ele fez isso tudo após cortar todas as comunicações que a família poderia ter fora do inóspito hotel e também destruiu qualquer meio de transporte possível.


Old Nick – O Quarto de Jack (2015)

Quem viu O Quarto de Jack deve ter se emocionado com a história do garoto que nasceu em um quarto fechado cuja única visão do mundo exterior se dá através do vidro de uma claraboia. Jack (Jacob Tremblay) conhece apenas dois seres humanos, sua mãe Joy (Brie Larson), que sempre tenta maneiras de fugir daquela prisão, e Old Nick (Sean Bridgers), que é seu pai e “carcereiro”. Old Nick quase nunca vê o filho, isso porque Joy sabe os horrores que passou com ele, e quer evitar que Jack tenha qualquer contato com o mesmo. Old Nick é um cara passivo-agressivo, e não aceita que ninguém questione sua palavra. Ele não quer ter um filho que adoeça, não deixa o garoto conhecer o mundo lá fora, e nem mesmo que ele vá a uma escola. Old Nick é um grande exemplo de como não se deve ser um pai (e nem mesmo um ser humano).


Harry Wormwood – Matilda (1996)

Quem lembra de Matilda, o clássico filme sobre uma garotinha que tem poderes especiais e foi reprisado inúmeras vezes na Sessão da Tarde? Aquele filme é ótimo! Uma das peças mais importantes do filme, que torna Matilda (Mara Wilson) a garota forte e independente da trama, é sua família e a rejeição que ela recebeu desde a maternidade. Seu pai, Harry Wormwood (Danny DeVito), já aparece logo na primeira cena do filme rejeitando a Matilda bebê. O personagem representa bem o homem médio, que só sabe pensar em dólares e ver TV. Ignora toda e qualquer opinião que Matilda apresenta para ele, mesmo que ela esteja certa, e Harry faz questão de dizer que ele está certo e ela está errada; que ele é grande e ela é pequena; que ele é inteligente, e que ela é burra. No final, quem acaba se dando bem é Matilda, e Harry e sua família precisam fugir do FBI devido às falcatruas financeiras criadas por ele. Quem é o esperto agora, hein?


Wilson – Bicho de Sete Cabeças (2000)

Sim, os pais se preocupam com seus filhos e muitos acabam cometendo erros por conta da falta de informação. O medo se torna maior do que a razão e medidas exageradas são tomadas. Vemos isso no dia a dia – os conservadores que proíbem os jovens de sair de casa, controlam suas roupas, não os deixam sair com determinados amigos. Porém, essa figura paterna foi extrema em Bicho de Sete Cabeças, quando o pai do personagem principal, protagonizado brilhantemente por Rodrigo Santoro, encontra cigarros de maconha nas coisas do filho. Ele surta e, por medo de seu filho ser viciado, o interna em uma clínica psiquiátrica. Como se isso já não fosse um absurdo, o homem ainda escolhe uma das piores clínicas possíveis, colocando em risco a vida do garoto. A falta de informação que configura o preconceito pode ser extremamente prejudicial e isso é exposto de forma clara no longa.


Peter McCallister – Esqueceram de Mim (Vários filmes)

Nessa comédia infantil podemos encontrar um dos pais mais relapsos do cinema. O pai de Kevin, uma criança extremamente esperta, além de conseguir esquecê-lo em cinco oportunidades (cinco filmes), nunca o elogia. As críticas sempre são duras e a pressão em cima do garoto não é saudável para um menino daquela idade. As ações do pai influenciam diretamente nos acontecimentos do longa, e mesmo se tratando de um filme divertido/engraçado, a vida do menino estava realmente em risco. O drama da produção fica justamente por conta desse fato: esquecer um filho dentro de casa, ficar longe durante dias e deixar o jovem sozinho, sem dinheiro e sem comida são falhas gravíssimas. Com certeza, um dos pais mais desligados do cinema.


*Este especial foi elaborado com a colaboração de André Bozzetti, Maytê Ramos Pires, Rafael Bernardes, Ítalo Passos, Camila Lopes, Diego Francisco e João Vitor Hudson.


E aí, acha que faltou algum pai nessa lista? Deixe nos comentários!

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Faltou o pai do filme O amigo oculto…

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