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Nu | Crítica

Confira a crítica da nova comédia original da Netflix!

Nu | Crítica

Nu (Naked)

Direção: Michael Tiddes

Roteiro: Rick Alvarez

Elenco: Marlon WayansRegina HallDennis HaysbertJ.T. JacksonScott Foley, Eliza CoupeBrian McKnightLoretta Devine, Neil Brown Jr.

A história de Nu, nova comédia da Netflix, não tem nada de muito inovadora. Há, por exemplo, diversos elementos de Feitiço do Tempo e No Limite do Amanhã nele. Só que com o personagem principal pelado. E o filme não é bom como as suas inspirações – diga-se de passagem. Na trama, acompanhamos Rob Anderson (Marlon Wayans), um professor substituto que precisa reviver a hora que antecede o seu casamento muitas vezes, até conseguir acertar tudo. Claro, vale lembrar que ele acorda sempre nu em um elevador, o que deixa a situação ainda pior.

Um dos grandes mistérios do filme é saber como Rob foi parar, pelado, naquele elevador. Entre os suspeitos, temos o pai da noiva (Dennis Haysbert), que acredita que sua filha (Regina Hall) merecia algo melhor, uma vez que ele é o dono de uma multinacional e sua herdeira é uma médica bem-sucedida. Outra personagem suspeita se trata de um ex-caso de Rob (Eliza Coupe), que acabou se tornando dama de honra. E há também o ex-namorado milionário da noiva (Scott Folley), que demonstra ser um babaca. Cabe a Rob descobrir o motivo de alguém estar sabotando o seu casamento – e consertar tudo, claro.

A trama é legal – pelo menos para quem clicou em um título chamado Nu, assim como eu –, mas o filme tem muitos problemas. E a direção é o principal deles. Falta ao cineasta Michael Tiddes a visão completa de como conduzir uma trama que tem como base idas e voltas no tempo. Com a ausência dessa compreensão, ele consegue transformar as repetições, que deveriam ser interessantes, em cansativas. Infelizmente, o diretor não tem o domínio básico de como fazer graça com a situação (será que ele não viu No Limite do Amanhã, que nem comédia é, mas consegue empregar o humor na medida certa?). Claro, até que há momentos divertidos que utilizam bem esse loop infinito na vida do personagem, como quando Rob aprende, depois de apanhar muito, como se esquivar de todos os golpes em uma briga. Mas são casos isolados.

O roteiro é outro grande defeito de Nu. Há uma grande dificuldade em conseguir encaixar novas situações em uma história que já veio mastigada de outras películas. Para dar profundidade aos personagens, por exemplo, temos que ouvir aqueles velhos diálogos ruins: “você sabe que é uma das melhores médicas de Nova York”. É claro que ela sabe! Além disso, há momentos completamente forçados em que temos que engolir facilidades absurdas na jornada do personagem principal. Inclusive, um encontro com o músico Brian McKnight, que facilmente vira amigo de Rob, mesmo com as idas e voltas. Fica a impressão de que, com alguns personagens, os encontros rebootados continuaram valendo. Apesar dessa falha – ou caminho mais preguiçoso para o desenvolvimento da trama -, é interessante ver Rob criando laços com personagens que conhece em seu caminho, como a dupla de policiais, que uma hora quer prendê-lo e em outra está colaborando com o peladão.

Na parte das atuações, Wayans é sempre um comediante competente. Obviamente, ele faz muitas escolhas erradas, mas não deixa de mostrar que tem o timing certo para fazer graça e, além disso, consegue entregar um ótimo humor físico. Ao seu lado, a ótima Regina Hall não consegue agregar muito, pois acaba não tendo muito espaço na trama, resumindo-se apenas à noiva receptiva que aceita todas as confusões de seu companheiro. Uma pena, Hall pode bem mais do que isso.

No final das contas, não dá para dizer que o filme não entrega algumas risadas. Na verdade, ele até diverte. Mas cansa. O longa tem apenas 96 minutos de duração, só que o plot é tão repetitivo – de uma maneira ruim – e mal desenvolvido que parece ter o dobro de tempo. É mais um caso de uma comédia que, depois de algumas horas, ninguém lembrará mais.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 41    Média: 3.1/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Eu queria saber quem é a atriz que faz a kelly a prostituta contratada pala vicky

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