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Diário de um Banana: Caindo na Estrada | Crítica

Diário de um Banana: Caindo na Estrada | Crítica

Diário de um Banana: Caindo na Estrada (Diary of a Wimpy Kid: The Long Haul)

Ano: 2017

Direção: David Bowers

Roteiro: David Bowers

Elenco: Alicia Silverstone, Charlie Wright, Chris Coppola, Dylan Walters, Jason Drucker, Owen Asztalos, Tom Everett Scott, Wyatt Walters

Começo essa crítica dizendo que acredito que não é porque um filme é feito para o público infantil que temos que aceitar roteiros sem sentido, com soluções fáceis e irreais. Digo isto pois tenho acompanhado os filmes infanto-juvenis lançados nos últimos meses e essa assistência vem com uma tristeza pelo que estamos passando e construindo para esse público, como o enxergamos e o que criamos para seu consumo (tanto a nível nacional quanto o que chega de produção mundial para exibição em nossos cinemas). Ultimamente, não vi nada com profundidade suficiente para que gerasse um mínimo de reflexão mesmo que inconscientemente ao integrar à narrativa lições para os pequenos crescerem melhor. Não quero impor padrões nem determinar que todos os filmes devam ser um Toy Story, por exemplo, mas que não podemos desconsiderar os elementos de composição de cena, de atuação e técnicos, visto que todo bom filme precisa corresponder a algumas lógicas para deixar-nos satisfeitos e não considerarmos o tempo dedicado na sala de cinema como algo perdido. Não especificarei cada uma das características do filme, até porque a parte técnica não é meu forte (nem tenho formação, nem tanto conhecimento de campo). O que farei aqui é, como sempre, falar do que me toca, do que me cativa e “salta” da tela e me leva a ter um olhar positivo ou não sobre um filme – tendo em vista desde o princípio que não sou o público esperado para essa produção, tentando amparar meu olhar nesse parâmetro também. Infelizmente, no filme em questão os erros gritam muito mais do que os pequenos acertos e parece até mesmo que o filme não passou por uma pós-produção e finalização coerente – eu que não tenho background e olho clínico técnico percebi três erros de continuidade (podem ter mais): em dois momentos os personagens trocam de lugar no carro e também na cena final tem um erro de posicionamento das pessoas, que não especificarei para não dar spoiler, mas que geram bastante incômodo.

Aliás, iniciei o texto muito desgostosa do produto fílmico que me foi entregue nessa cabine de imprensa e quase perdi o timing pra dar a sinopse do filme, vamos lá: Greg (Jason Drucker) usa o aniversário de 90 anos da vó como desculpa para colocar sua família em trânsito com um intuito de participar escondido de uma convenção de gamers. Na verdade, a mãe queria ir de carro para aproveitar o tempo em família e ele, então, faz de tudo para que não viajem de avião justamente para conseguir dar essa fugida e limpar seu nome em um vídeo no YouTube. Essa família atrapalhada é a Heffley, composta por sua mãe Susan (Alicia Silverstone), seu pai Frank (Tom Everett Scott), seu irmão mais velho Rodrick (Charlie Wright) e seu irmão mais novo Manny (Dylan e Wyatt Walters). Também tem nessse filme uma participação de seu melhor amigo Rowley (Owen Asztalos), personagem importante para a franquia Diário de um Banana. Assim, vale destacar que esse já é o quarto longa da “saga” Diário de um Banana, que é inspirada no livro homônimo de Jeff Kinney. A adaptação é sucesso de bilheteria (lucrando U$ 225,2 milhões), mas no Brasil não tem tal impacto, o que determina o pouco investimento na distribuição daqui: o primeiro filme chegou ao circuito brasileiro direto em DVD (2010) e os dois que o seguiram (2011 e 2012) não foram amplamente distribuídos nas salas do circuito nacional – esse é o primeiro que chega, de fato, para o grande público, e vem passados 5 anos da última produção. Este quarto filme, ademais, inaugura uma nova franquia, os 3 primeiros foram com outro elenco (que cresceu então tiveram de reiniciar para que o ator principal fosse criança) – isso explica porque um personagem é introduzido em apenas uma cena rápida no início do filme, visto que o foco da história desse longa não envolve ele só que ele é relevante para os livros e entrará fortemente nos próximos longas, precisando ser introduzido juntamente com o novo elenco.

Acontece que o filme não entrega nada demais. Suas “melhores” cenas estão sintetizadas no trailer, você não precisa ver nada além dele porque todo o “conflito” que ali não aparece da relação dos Heffley com a outra família (presente no filme) é dispensável, bem preconceituoso e estereotipado. Até o voo do barco direto para a piscina está no trailer, então não precisa de mais nada de desfecho prum filme pobre e que não agrega nada ao espectador – você sabe desde o princípio que no fim, apesar de todo o sufoco e desespero da viagem, rapidamente tudo se resolverá e dará certo, sem precisar que se esforcem para tanto. Tudo dá errado sem motivo e se desfaz também sem motivo (nem tempo) com umas soluções também improváveis. Não consegui compreender quais são os sentidos do filme no contexto atual. Especialmente uma cena desagrada mais do que as demais (não que esteja mal feita, longe disso) porque não agrega em nada para as crianças que possivelmente não entenderão a referência e uma mísera cena não fará desse um filme que tenha alcance tanto para crianças como para adultos, como vemos por aí – novamente, não darei spoiler, mas é uma cena referente a um filme clássico dos anos 1960.

Para crianças talvez o filme funcione em algum momento porque tem lógica de desenho animado, mas funcionaria mais como desenho mesmo porque interpretar certas ações não fica minimamente plausível. Coisas que em desenho poderiam engraçadas nesse filme ficam cansativas e muito chatas. Falando em desenho, a melhor parte do filme é quando se mistura desenho de caderno com os atores, com situações representadas como desenho animado, o que dá um gostinho ainda mais de que funcionaria melhor se todo o filme fosse dessa maneira, sem precisar recorrer aos atores em cenas tão improváveis – em desenho tudo é possível. Isto soma um enredo repleto de clichês na construção de uma trama que busca o humor e que peca pelo exagero seja em conflitos rasos/rápidos, ocasiões inexplicáveis/infundadas, ou mesmo sugerindo uma emoção e envolvimento repentina entre personagens que até o momento apenas se desrespeitavam e não demonstravam nenhum interesse para além do seu próprio – mais conflitos que se resolvem rapidamente, e não compramos a repentina moral da história.

Nota da crítica:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]

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